null Cultura da inovação foi tema de debates em evento do PJSC com o Judiciário Exponencial

"A inovação não pode ser só uma ideia projetada, mas uma premissa fundamental em todos os processos, procedimentos e projetos desenvolvidos para o bem-estar da sociedade. Não é apenas uma peça disruptiva, é uma mudança de ideia". A partir desta reflexão, o presidente do Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC), desembargador Ricardo Roesler, conduziu a abertura na manhã desta terça-feira (30/11) do “Innovation Today”, evento realizado pelo PJSC em parceria com o Judiciário Exponencial para promover, discutir e disseminar a cultura da inovação, as experiências e as boas práticas sobre tecnologia no ecossistema da Justiça. As atividades tiveram transmissão ao vivo pelo YouTube.

Ao longo de todo o dia, palestrantes, debatedores e moderadores aprofundaram discussões sobre liderança, gestão, design thinking, segurança da informação e outros assuntos que tenham conexão com o objetivo de inovação no PJSC. O presidente Ricardo Roesler definiu o evento como um marco da gestão do PJSC, marcada pelo trabalho conjunto e bem articulado entre suas diversas áreas competentes. Em sua exposição, ele destacou a importância de transformar ideias em ações, além de buscar soluções tecnológicas e de testar novos modelos. É preciso abrir a mente, observou Roesler, para tecnologias mais avançadas, procedimentos mais eficazes e, por consequência, resultados mais satisfatórios.

O dirigente máximo do Judiciário catarinense lembrou que a pandemia impulsionou o processo de mudanças. Foi o exercício da imaginação, reforçou Roesler, que permitiu ao PJSC a realização de inúmeras tarefas com mais eficiência, por meio do planejamento. "Não existe inovação sem um planejamento sério e estruturado", apontou.

Tendência de Tecnologia, Inovação e Gestão para 2022 e além

A primeira palestra do evento, que ocorreu na sequência da abertura do presidente Ricardo Roesler, teve como tema "Tendência de Tecnologia, Inovação e Gestão para 2022 e além". A exposição foi conduzida por Ademir Piccoli, advogado, ativista de inovação e idealizador do Judiciário Exponencial.

Ele compartilhou uma reflexão sobre as tendências de tecnologia, gestão e inovação para o futuro, a partir de estudos de instituições especializadas. Piccoli abordou tópicos como experiências híbridas; gerenciamento de dados; segurança para uma nova era; generalização da nuvem; inteligência artificial na tomada de decisão; gestão ágil, criativa e resiliente; além de propósito: sustentabilidade e inclusão.

A exposição teve como debatedora a responsável pela Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) do PJSC, Anna Claudia Kruger. A diretora compartilhou experiências e aprendizados na área de tecnologia no Judiciário catarinense. Lembrou que o trabalho humano não será substituído pelas máquinas, mas caberá às pessoas a realização de atividades mais nobres, enquanto o aparato tecnológico ficará encarregado de atividades repetitivas.

"Naquilo que for possível, é preciso dar espaço para que as pessoas utilizem sua inteligência em benefício do que faz a diferença ao Poder Judiciário", apontou.

Métodos para Inovação: storytelling e design thinking

Os conceitos de storytelling e design thinking foram métodos de inovação levados à mesa de debate sob a moderação da juíza auxiliar da Presidência do PJSC Carolina Ranzolin Nerbass, que dividiu o painel com especialistas, mestres e doutores nesta área de inovação. Participaram Fernando Palacios (eleito duas vezes como "World's Best Storyteller"), Gisele Fessore (diretora da Subsecretaria de Comunicação, Conhecimento e Inovação da Justiça Federal de São Paulo) e João Guilherme De Melo Peixoto (técnico judiciário do Tribunal de Justiça de Pernambuco - TJPE, professor e pesquisador da Unicap).

Entre outras abordagens do painel, Palacios explicou que o storytelling empresta técnicas da indústria do entretenimento para transmitir uma mensagem de modo mais cativante, a partir de ferramentas que roteiristas e escritores habitualmente utilizam. No caso do Judiciário, exemplificou, é possível explorar personagens para mostrar como uma lei é aplicada na prática. O grande diferencial da aplicação do design thinking, manifestou Gisele, é a aproximação de pessoas para refletir, analisar, conversar e descobrir soluções conjuntas para um desafio. A empatia, destacou, é um dos seus pilares.

Peixoto, por sua vez, destacou a importância de compreender o passado para construir o presente e desejar o futuro. Assim, compartilhou experiências do TJPE a partir de um olhar de construção da inovação pela perspectiva da educação. 

"Esta nossa conversa é só um ponto de partida para que possamos nos integrar mais, conhecer as boas experiências de vocês, mostrar nossas boas experiências. E poder disseminar esta cultura da inovação, que é tão importante, por todo o Judiciário", manifestou a juíza Carolina.

O Impacto da Inteligência Artificial nas Atividades Jurídicas

O Impacto da Inteligência Artificial nas Atividades Jurídicas foi o tema abordado na palestra de Samuel Meira Brasil Júnior, desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo e presidente do Tribunal Regional Eleitoral daquele Estado. Desta vez, o painel teve como debatedor o juiz do PJSC Alexandre Morais da Rosa, professor da UFSC e da Univali. Em sua exposição, Brasil Júnior alertou que a possibilidade de transformação por meio da tecnologia traz consequências. Os reflexos, pontuou, podem ser bons, ruins ou desconhecidos.

É preciso avaliar, disse o desembargador, como isso se reflete na perspectiva do usuário, na atuação dos tribunais e, principalmente, suas consequências desejadas, indesejadas e impensadas, mas que terão resultados no dia a dia. Ao longo da exposição, o palestrante abordou a possibilidade de que, em atividades automatizadas, juízes artificiais ofereçam opções de solução de litígios. Não se trata de uma substituição da análise judicial por decisão automatizada, ponderou, mas sim da construção de estratégias para que os recursos humanos decisórios (limitados) sejam aproveitados nas demandas realmente úteis e necessárias.

Em sua participação, o juiz Alexandre Morais da Rosa trouxe abordagens sobre a gestão de negócios no âmbito do Judiciário, além da estrutura de incentivos e da possibilidade de se criar uma jornada de aprendizagem geral que proporcione condições de diálogos específicos no ecossistema do Judiciário.

'Visual Law e Legal Design': mudar a linguagem para ser melhor compreendido

O juiz federal auxiliar da Presidência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) Marco Bruno Miranda Clementino compartilhou sua experiência sobre “Impacto do Visual Law e do Legal Design nas Atividades Jurídicas". Para mudar a imagem de um ambiente excessivamente formal, austero e de linguagem hermética, o magistrado demonstrou como a aplicação do design no cotidiano das práticas jurídicas faz a diferença.

Em busca do princípio da centralidade do jurisdicionado, o juiz federal uniu as questões ética e estética na prestação jurisdicional. “Inovação não é apenas tecnológica. Mudamos o tradicional balcão da vara por uma central de atendimento, onde o cidadão é recebido de forma mais aconchegante. E como enfrentar a dificuldade de compreensão do jurisdicionado? Criamos um mandado com elementos visuais, por exemplo, onde os tópicos de maior interesse e importância são destacados graficamente”, explicou.

Treinar e investir para aprimorar a segurança da informação

Para aprofundar o tema da segurança da informação, o evento contou com uma mesa de debate moderada pelo assessor técnico do TJSC Carlos Henrique Righetto Moreira. O supervisor de Tecnologia da Informação do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), desembargador Marcelo Gobbo Dalla Déa, destacou que não há fronteiras no conceito da cibersegurança. Aliás, na opinião do magistrado, o conceito de segurança da informação deve ser parte do dia a dia do cidadão. “Os dados das pessoas precisam ser protegidos, e a conscientização do servidor é o principal elo da segurança interna. O Judiciário ainda não é o principal alvo dos ataques cibernéticos e, por isso, precisamos investir mais em tecnologia da informação”, destacou o desembargador.

Já o chefe de gabinete da Assessoria Geral de Governança e Inovações do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ivan Lindenberg Junior, acredita que é necessário agregar valor ao conceito de segurança da informação. “A área de tecnologia é voltada ao negócio, e a segurança da informação está focada em criar proteções. Por isso, existe a necessidade de ter uma equipe exclusiva à segurança da informação. Hoje, apenas 30% das empresas e entidades têm times específicos para essa área”, observou.

O especialista de mercado Marcos Oliveira apontou que os hackers estão cada vez mais automatizados e robotizados, enquanto as empresas têm defesa manual e poucos recursos de segurança. “As empresas e as entidades precisam definir processos e procedimentos em casos de ataques, com plano estratégico tecnológico em resposta ao incidente”, ponderou.

“Democracia não se preparou para a inovação radical”, diz Gil Giardelli

Por fim, o professor global, escritor e apresentador do programa “O Imponderável”, da RecordNews, Gil Giardelli, palestrou sobre o tema "Gestão do Presente, Gestão do Futuro e Gestão da Inovação - Quais caminhos seguir?" Ele destacou o conceito de aldeia global na era da razão, que precisa acabar com as desigualdades.

“Vivemos o fim das fronteiras, era da mudança, onde todo humano importa. Também é a era da razão. Quando o primeiro hotel espacial ficar pronto, como será a cobrança de impostos? E as leis trabalhistas? A democracia não se preparou para a inovação radical. Os carros autônomos reduziram os acidentes em 92%, mas vários dilemas morais ainda estão em debate. O que fazer quando o veículo tiver que decidir entre atropelar uma criança ou provocar um capotamento com danos aos seus ocupantes? São temas que chegarão ao Judiciário”, provocou o palestrante.

Conteúdo: Assessoria de Imprensa/NCI
Responsável: Ângelo Medeiros - Reg. Prof.: SC00445(JP)

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