Voltar Mães do PJSC relatam como é encarar o trabalho e a aflição prazerosa da maternidade 

Quando fala em ter filhos e ouve que a vida nunca mais será a mesma depois da chegada deles, a mulher não faz ideia do quanto isso é verdade. Nunca mais será possível ter uma refeição normal; as noites serão de pouco sono; as idas ao banheiro não serão as mesmas; músculos serão descobertos no corpo a partir da dor exaustiva; a casa nunca mais ficará organizada como se deixou, e por aí segue a lista...

Mas, por outro lado, também nunca mais será sem graça, nunca mais será sozinha, nunca um sorriso desdentado fez passar todo o cansaço e dor, nunca uma mãozinha encostando no rosto da mãe emocionou tanto, nunca um choro fez a pessoa se sentir a mais importante e necessária do mundo, e por aí segue a lista... 

As milhares de mulheres que se dedicam com profissionalismo ao atendimento do Poder Judiciário de Santa Catarina, e que também aceitaram a missão de ser mãe, enfrentam as mesmas angústias de qualquer outra profissional. No entanto, a pandemia de Covid-19 e o isolamento social trouxeram uma realidade que exigiu adaptações. Foi aí que surgiu o programa Mães do Judiciário, coordenado pela servidora Danielle Novack, para amparar as mulheres que precisavam atender seus filhos em casa sem deixar de prestar os serviços à Justiça catarinense. É uma espécie de grupo de apoio com reuniões virtuais periódicas onde, como coração de mãe, sempre cabe mais uma. Não importa a cor da pele, o tipo de cabelo, o estilo das roupas... A maternidade é avassaladora, desde a concepção. 

Diante de tantas mulheres/mães – servidoras e colaboradoras do PJSC – merecedoras de homenagens no próximo domingo (8/5), cinco delas abriram o álbum de memórias para dividir a experiência com o tipo de amor diferente, e muito intenso, que a maternidade traz. Algumas delas, aliás, quase não conseguiram participar desta reportagem pela necessidade de exercer o papel prioritário de mãe. São cinco histórias diferentes, mas com o mesmo sentimento de ter feito a melhor escolha do mundo.

Mãe vitoriosa 

Com a chegada de um filho, nasce uma mãe e junto vêm os desafios da maternidade. Mas, como diz a juíza Flavia Carneiro de Paris, titular da 1ª Vara da comarca de Capinzal, às vezes ela também prega umas peças. Aos 29 anos, a magistrada descobriu uma gestação. Isso na mesma semana em que foi promovida para a primeira comarca, em Campo Belo do Sul. Planejado e muito esperado por toda a família, Tomás estreou a lista de netos dos pais de Flavia. Com pouco mais de um ano de vida, o pequeno foi diagnosticado com um tumor. Nessa fase difícil, a juíza precisou de afastamento das atividades e condições especiais de trabalho para o tratamento de saúde de Tomás. Isso tudo em meio à pandemia provocada pelo novo coronavírus. Com o apoio do marido, dos pais e irmãs, a magistrada conseguiu suportar a carga emocional e o momento atribulado vivido por toda a família. “Nunca fiquei sozinha nesta caminhada”, faz questão de destacar. 
 
Este próximo Dia das Mães será de celebração e agradecimento, e tomado pelo sentimento de alívio porque o tratamento de Tomás foi finalizado e ele está em remissão, o que significa que os sintomas do câncer estão ausentes. “Desde fevereiro vivemos a época mais feliz de nossas vidas. Ele começou a frequentar a escolinha, e isso foi motivo de uma alegria gigante para nós. Tomás queria muito conviver com outras crianças e fazer atividades diferentes.” Sobre ser uma mãe especial, a juíza diz que não se considera. “Qualquer mãe na mesma situação faria o mesmo. Mãe é mãe, e isso vale para os momentos bons e os momentos ruins.” A partir de agora, a magistrada pensa apenas em curtir a maternidade. 
 
Mãe a todo momento 

Para a 3º sargento da Polícia Militar Rose Adriana Balbino, atuante na Casa Militar do PJSC, a complexidade de sentimentos é o que define o Dia das Mães. Sentimentos vividos como filha e, agora, como mãe da pequena Helena, de cinco anos de idade. “Das duas experiências, ser filha é a mais fácil, mas a mais prazerosa é a maternidade. Uma mescla de sentimentos e emoções que iniciam na gestação.”
 
Grávida aos 40 anos de idade, Rose afirma que desde a hora em que deu à luz sua filha, o coração bateu mais forte e sua prioridade passou a ser a maternidade. Todos os momentos dedicados a ser mãe são os que mais trazem satisfação. “São as descobertas, obstáculos, dificuldades, escolhas, brincadeiras, momentos de carinho, aprendizado e ensinamento.” O lockdown por conta da pandemia, mesmo sendo um período de apreensão, permitiu-lhe estar mais perto de Helena em momentos importantes como o desfralde e o abandono da chupeta. “Pude me dedicar com mais tempo para minha filha.”
 
Mãe que supera 

Para a chefe da Divisão de Atendimento ao Usuário, da Diretoria de Documentação e Informações (DDI) do PJSC, Micheline Rosa Peixoto, o envolvimento com a maternidade começou em 2005, quando seu enteado, Arthur, foi morar com ela e o marido. “Ele era uma criança atípica, que exigia muitos cuidados. Tamanho era nosso vínculo que em pouco tempo eu já me sentia mãe, e ele, filho.” Quinze anos depois, Micheline e o marido decidiram ter o segundo filho, se sentindo prontos para os desafios da chegada de um bebê. Foi quando receberam a notícia do falecimento de Arthur.  

Os planos perderam o sentido e João nasceu em meio à pandemia, em total isolamento e sem rede de apoio. “Éramos só nós três”, lembra. Após licença, o retorno ao trabalho foi facilitado com a possibilidade de home office e o apoio ofertado pelo programa Mães do Judiciário, que, segundo a servidora, "chegou como um alento”. Já com um ano e meio de idade, em adaptação escolar, João apresentou os primeiros sinais de autismo e, com o diagnóstico, veio a indicação de acompanhamento terapêutico diário. Mas uma conversa com o gestor e a oferta de home office parcial acalmaram o coração da mãe. “Ainda estamos em processo de adaptação escolar e a maternidade segue desafiadora, mas me sinto engajada e feliz em meu trabalho graças à sensibilidade do meu gestor, aos programas e recursos tecnológicos que viabilizam a realização do trabalho à distância e ao apoio incondicional da minha família e do grupo de Mães do Judiciário.”
 
Mãe mesmo antes de ser mãe 

A maternidade pela adoção sempre esteve nos planos da chefe da Secretaria do Foro da comarca de Criciúma, Luana Soares Souza. Segundo a servidora, esse “maternar” tem suas particularidades, mas no que se refere ao amor é construído do mesmo jeito que qualquer maternidade, no dia a dia. “Passamos a vida ouvindo clichês a respeito da maternidade, e quando a gente deixa de ser só filha e passa a ser mãe, percebe que era tudo verdade.” Luana afirma que filho é uma preocupação e uma felicidade constantes e que a vida nunca mais será a mesma. 

“Tudo fica mais corrido e, ao mesmo tempo, conseguimos nos encantar com as pequenas coisas, com as menores descobertas. É amor e aprendizado sem fim.” A chefe de secretaria explica que a maternidade a fez conhecer um tipo novo de felicidade, um tipo de amor que não sabia que existia. “Acho que eu sempre fui mãe, só estava esperando o meu Pedro chegar para que os outros soubessem disso também.”

Mãe lutadora 

Em 2020, a assessora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), do PJSC, Cibelene Piazza Ferreira, passou por um dos períodos mais difíceis de sua vida. Mãe de Isadora, então com 14 anos de idade, e Pedro, que acabava de completar nove, ela recebeu o diagnóstico fechado de transtorno do espectro autista (TEA) para o pequeno. “Não foi fácil! Não pela confirmação do autismo, mas por saber tudo o que meu filho enfrentaria. Apesar do avanço da medicina, a sociedade não está preparada para acolher o autista. Ele e nós, familiares, ainda sofremos com o preconceito”, lamenta. 

Cibelene ressalta que o foco de sua preocupação é com a autonomia de Pedro. Por isso, o investimento em terapias com uma equipe multidisciplinar se faz fundamental, o que só é possível de realizar no momento graças ao apoio encontrado no ambiente de trabalho, com adequação de horário que permite conciliar a produtividade e a maternidade. 

“Moro em Biguaçu e as terapias são em Palhoça, distante cerca de 24 quilômetros. Então desempenhar as tarefas profissionais em home office me permite manter as atividades com qualidade”, garante. Cibelene participa do programa Mães do Judiciário, do PJSC, e considera a iniciativa de grande relevância. “Deixamos de ser ‘matrícula’ e nos tornamos conhecidas pelo nome. No programa há pessoas que se preocupam com nossa história, nos colocando em evidência e oferecendo apoio para atravessarmos divinamente a fase do maternar. Um período de tantas dúvidas, emoções... Esse grupo é incrível!”, enfatiza. 

E, no Dia das Mães, o desejo de Cibelene para ela e os filhos é de que o mundo seja mais humano e inclusivo, e “que eles se sintam pertencentes a essa sociedade que há de ser mais justa, mais igualitária e menos preconceituosa”, finaliza.

Conteúdo: Assessoria de Imprensa/NCI
Responsável: Ângelo Medeiros - Reg. Prof.: SC00445(JP)

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