Dicas de português
null A importância da revisão textual - Parte II

Na dica anterior, mencionou-se a importância da revisão para trazer clareza textual, com o escopo de estabelecer a comunicação com o leitor da melhor maneira possível.  Além disso, destacou-se que a revisão se dá por meio do processo de releitura e reescrita. Porém, indaga-se: o que merece atenção no ato de reler e reescrever?

Nos textos técnicos, por vezes, opta-se pela impessoalidade, ocultando a voz do agente - muito embora haja casos em que se prefira o texto em primeira pessoa. Se a opção for pela impessoalidade, a autora Lucilia H. do Carmo Garcez elenca as maneiras gramaticais de assim fazê-lo: a) generalizar o sujeito, colocando-o no plural; b) ocultar o agente; c) colocar um agente inanimado; d) uso gramatical do sujeito indeterminado; e) uso da voz passiva.

Deve-se atentar, também, para o vocabulário. Aqui, principalmente para os profissionais do direito, é importante verificar se há no texto palavras não dicionarizadas - tema abordado na dica dos meses de março e abril, os neologismos jurídicos. A atividade jurídica é formal e extremamente técnica, assim, por mais tentador que seja a prática do invencionismo linguístico, ele deve ser evitado.

Em seguida, destaca-se a avaliação da construção dos períodos. Nesse ponto, deve-se priorizar os períodos curtos e diretos, evitando-se orações intercaladas, pois dificultam a compreensão do leitor. Vale lembrar que referida avaliação depende de algum conhecimento de análise sintática, inclusive para corrigir erros de pontuação.

Dentre os equívocos envolvendo a pontuação, o principal diz respeito à vírgula, a qual possui a função de unir e separar elementos de uma oração.

A ortografia também merece espaço, e aqui reitera-se a importância do uso do dicionário - na jurisprudência é possível encontrar erros como "pretenção", equívoco grave de ortografia, e um bom exemplo da falta de revisão.

Além do mais, o uso da crase pode confundir e, por vezes, erros referentes à sua utilização podem passar despercebidos.

Por fim, como dica universal, válida para todos os estilos de escrita, independentemente do público que se pretende atingir: leia muito, livros de ficção e de não-ficção, clássicos. A leitura, além de abrir a mente, é o ponto-chave para qualquer bom profissional que depende da escrita.

Elaboração: Patrícia Corazza
Fonte:
GARCEZ, Lúcia H. do Carmo. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. São Paulo: Editora Martins Fontes.
NETO, Aristides Coelho Neto. Além da Revisão: critérios para revisão textual. Brasília: Editora Senac.