Dicas de português
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Seria correto ou aceitável o emprego de adjetivos no lugar de advérbios terminados em - mente? A troca é bastante frequente na fala. Diz-se:

Ele saiu rápido.

Pode levar essa carne que dá folgado para o churrasco.

Clarissa mandou avisar que retornará breve.

A prefeitura resolveu investir pesado para acabar com a violência de rua.

A professora Maria Tereza de Queiroz Piacentini comenta que já Rui Barbosa defendia esses usos, com o argumento de ser "(...) muito da nossa língua evitar os largos advérbios em - mente, substituindo-os pelos adjetivos adverbialmente empregados".

É preciso aceitar, defende Piacentini, os vários casos remanescentes do latim popular e do próprio latim clássico em que o adjetivo - e não o advérbio - é usado para exprimir o modo.

Quando empregado adverbialmente o adjetivo fica no gênero neutro, o masculino. A escolha entre um e outro modo de expressão, portanto, é livre em casos como:

Ela olhou diretamente / direto  para mim.

Independentemente / independente de qualquer oferta, pedirei demissão.

A lição foi boa - aprendi fácil / facilmente.

Marina falou pausado / pausadamente.

Já nos casos de paralelo e diferente, é recomendável o uso, no português escrito formal, da variação em -  mente quando eles estiverem significando de modo paralelo / de modo diferente:

Paralelamente ao debate haverá uma exposição multimídia.

Diferentemente dos seus avós, o ilhéu agora gosta de ser chamado de "mané".

 

Fonte: Piacentini, Maria Tereza de Queiroz. Não tropece na língua: lições e curiosidades do português brasileiro.