Dicas financeiras
Voltar Previdência privada - Parte 3

Nesta dica, trazemos a terceira e última parte da nossa série sobre Previdência Privada. Aqui, apresentaremos diversos produtos de renda fixa e de renda variável, voltados à formação da sua previdência, com uma importante diferença: se, na dica anterior, falamos exclusivamente dos fundos (ou planos) de previdência privada, nesta terceira parte apresentamos exemplos de carteiras previdenciárias compostas por investimentos simples, focados no longo prazo, e que podem gerar uma renda complementar na sua aposentadoria.

Antes de iniciar elencando os principais produtos de renda fixa, é importante esclarecer que a sua previdência autônoma deve respeitar o seu perfil de investidor. Ou seja, uma pessoa conservadora deve possuir uma carteira previdenciária alinhada a este perfil, composta, em sua maioria, por títulos de renda fixa mais conservadores. Se você não sabe qual é o seu perfil de investidor, acesse a dica financeira sobre esse assunto e descubra!

Para a pretensão de formar uma carteira de longo prazo, reforçamos as orientações iniciais expostas no primeiro texto da nossa série: as aplicações que você fizer na sua previdência devem ocorrer todos os meses e jamais ser resgatadas, sob pena de esvaziamento da sua proteção no futuro.

Por essa razão, recomendamos que, antes de iniciar sua carteira previdenciária, forme sua reserva de emergência. Ela servirá para cobrir despesas de eventuais imprevistos. Assim, os investimentos de sua previdência, cuja finalidade é o acúmulo de capital para utilização na inatividade, ficam preservados.

A carteira previdenciária autônoma pode conter apenas produtos de renda fixa, apenas de renda variável, ou ambos. É você quem decidirá! De todo modo, é sempre recomendável o auxílio de um profissional credenciado para tratar de produtos financeiros. Eis algumas modalidades de ativos financeiros que podem ser utilizados para este objetivo:

Vamos iniciar pelo Tesouro Direto. Como já dissemos em nossa dica sobre investimentos em renda fixa, em síntese, trata-se do programa do Governo pelo qual o investidor empresta dinheiro à União, que lhe remunera por meio de juros. Ele possui 3 (três) espécies, cujas características mais aprofundadas foram descritas naquela oportunidade:

  1. Tesouro SELIC;
  2. Tesouro IPCA+; e
  3. Prefixados.

Abaixo, apresentamos um exemplo atual (no período de elaboração desta dica) com os títulos disponíveis para compra no Tesouro Direto:

Observando os títulos do Tesouro Direto, caso a sua aposentadoria esteja programada para daqui a 24 (vinte e quatro) anos, por exemplo, uma boa opção seria aplicar, mensalmente, no Tesouro IPCA+ 2045, com vencimento em 15-5-2045. Essa modalidade protege o valor aplicado da inflação, e fornece um retorno adicional de 5,24% ao ano, desde que a quantia seja resgatada apenas no vencimento. Resgates antes do prazo podem reduzir a rentabilidade ou até levar o investidor a retornos negativos (prejuízo), em razão da chamada marcação a mercado, a qual significa que todos os dias os títulos são reprecificados de forma a refletir a taxa atual negociada (FONTES, Marília, 2017).

Na renda variável, é possível fazer aplicações visando a formação da carteira previdenciária em ações e em fundos imobiliários brasileiros, ou até mesmo em ativos no exterior (ações listadas na Bolsa Nasdaq, nos EUA, por exemplo). Aqui, contudo, como a mudança de preços (volatilidade) do ativo pode variar consideravelmente no curso do tempo, recomenda-se não apenas muito estudo sobre o tema, para entender o funcionamento do mercado financeiro e estratégias no mercado acionário, mas também o acompanhamento por um profissional credenciado.

Com a disseminação das informações, ocasionada sobretudo pela Internet, encontram-se várias instituições sérias disponibilizando cursos, pagos e gratuitos, para auxiliar o investidor na missão de ter uma carteira de ações ou fundos imobiliários com foco no longo prazo. A própria B3, Bolsa de Valores brasileira, possui cursos nesse sentido. Ao mesmo tempo, fique muito atento quando alguém garantir ganhos certos no futuro na Bolsa de Valores, pois a renda variável, como o próprio nome diz, varia, de modo que não é possível garantir o rumo das ativos no futuro!

Avançando, uma das grandes vantagens da formação da carteira previdenciária autônoma é que você será o responsável por escolher as espécies de ativos que comporão o seu portfólio de produtos. É válido, por exemplo (dependendo de seu perfil), deter 50% em ativos de renda fixa e 50% em renda variável, como no gráfico abaixo:

Fonte: Rafael Seabra

Apresentamos aqui formas de alocação de ativos disponíveis no mercado financeiro visando a constituição de uma carteira previdenciária autônoma. É interessante notar que cada produto possui características específicas quanto ao retorno do capital investido: enquanto o Tesouro IPCA+ devolve os juros na data do vencimento, o Tesouro IPCA+ com juros semestrais, como o próprio nome sugere, retorna os juros em cada semestre.

Destaque-se, ainda, ser plenamente possível que o grau de risco da sua carteira vá diminuindo à medida que se aproxima a data escolhida para se aposentar. Isto é, o percentual em renda variável (mais sujeito a riscos e a volatilidade) pode ir diminuindo nos últimos anos dos seus aportes, aumentando-se, por consequência, a fatia relativa à renda fixa.

Na renda variável, a maioria dos fundos imobiliários elencados na Bolsa de valores remunera o investidor por meio de proventos mensais. Já as ações, por sua vez, remuneram os acionistas via dividendos e/ou juros sobre o capital próprio, em frequência definida no seu estatuto social, que pode ser mensal, trimestral, semestral ou anual.

A forma como você deseja obter o retorno dos seus investimentos também é importante na definição da sua estratégia, pois isso pode ser o fator preponderante na escolha, por exemplo, entre o Tesouro IPCA+ tradicional ou o Tesouro IPCA+ com juros semestrais.

De uma forma ou de outra, tenha bem separadas, em seu orçamento familiar:

1) a fatia da sua reserva de emergência;

2) a parte destinada à sua previdência (seja via fundos de previdência privada, seja via carteira autônoma);

3) a fração relativa aos investimentos;

4) uma parte destinada ao lazer (viagens, passeios, entre outros); e

5) eventualmente, uma fração voltada à aquisição planejada de bens (veículo, imóvel, entre outros).

Por fim, vale o reforço sempre trazido pelo nosso Programa de Educação Financeira: busque o auxílio de um profissional credenciado para tratar de produtos financeiros, e conte conosco para uma conversa agradável sobre o tema!

Quer contribuir com o programa ou sugerir conteúdo para nossas ações? Então mande seu e-mail para educacaofinanceira@tjsc.jus.br .

Elaboração
Leandro Ambros Gallon
Equipe do Programa de Educação Financeira
Referências
SEABRA, Rafael. Tesouro Direto – O guia absolutamente completo. Disponível em: https://queroficarrico.com/blog/tesouro-direto/ Acesso em: 17 nov. 2021.
FONTES, Marília. Renda fixa não é fixa. 2. ed. 2017. Disponível em: encurtador.com.br/aoA46 Acesso em: 25 nov. 2021.