Semana de Acessibilidade propõe novo olhar sobre diferenças, pertencimento e inclusão no Judiciário - Academia Judicial - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Semana de Acessibilidade propõe novo olhar sobre diferenças, pertencimento e inclusão no Judiciário

15 setembro 2026 | 19h09min

A diretora-executiva da Academia Judicial, desembargadora Vera Lúcia Copetti abriu na tarde desta terça-feira (15/9), a 6ª Semana de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Santa Catarina, realizado no auditório Ministro Teori Zavascki, no Tribunal de Justiça de Santa Catarina. O evento é uma parceria entre a Academia Judicial e a Secretaria de Acessibilidade e Inclusão do TJSC.

Em seu pronunciamento, a desembargadora destacou que a inclusão não se constrói apenas pela eliminação de barreiras, mas pela criação de ambientes acolhedores, acessíveis e abertos à participação de todos.

“Somos inclusivos ao criar condições para que cada pessoa desenvolva plenamente suas potencialidades, participe dos espaços de decisão e se reconheça como parte fundamental da nossa organização. O objetivo não é apenas garantir presença, mas promover pertencimento”, frisou.

Ao refletir sobre a importância da acessibilidade, Vera Lúcia Copetti também destacou sua dimensão ética e social. “A acessibilidade é, no fundo, uma escolha sobre que tipo de sociedade queremos construir”, afirmou, ao lembrar os riscos de modelos históricos que condicionaram a dignidade e o pertencimento das pessoas a critérios limitados. Nesse sentido, definiu a acessibilidade e a inclusão como uma resposta ética a esse passado e um compromisso permanente com uma sociedade mais acolhedora e democrática.

Além da desembargadora, também fizeram uso da palavra a juíza substituta Juliana Motim de Oliveira, da comarca de Curitibanos; o juiz de direito Evandro Volmar Rizzo, integrante da equipe multidisciplinar do Programa PertenSer, e o presidente em exercício do TJSC desembargador André Luiz Dacol.

Fotografia horizontal de Juliana Motim de Oliveira, em pé diante de um púlpito de madeira, durante seu pronunciamento. Ela tem cabelos longos castanhos e veste blazer marrom sobre blusa preta, com um cordão de identificação no pescoço. Juliana gesticula com uma das mãos enquanto fala ao microfone. Ao fundo, aparecem as bandeiras do Brasil e de Santa Catarina, além de elementos do plenário. Há um copo com água sobre o púlpito, à esquerda. 

Juliana Motim de Oliveira é a primeira magistrada a integrar o quadro por cotas para pessoas com deficiência, tendo ingressado no judiciário em 2025. Ela abordou a relevância que teve a sua experiência de acolhimento no Judiciário catarinense e expôs números que evidenciam a baixa representatividade de pessoas com deficiência na magistratura brasileira. De acordo com a juíza, no cenário nacional, as pessoas com deficiência correspondem a apenas 45 dos cerca de 11 mil magistrados. Em Santa Catarina, são sete entre mais de 600 integrantes da magistratura, números que evidenciam o desafio de ampliar a diversidade e a inclusão no Judiciário.

“Pertencer não é apenas ser admitido é não precisar ter que se espremer para caber”, falou a magistrada. E finalizou: “um judiciário que inclui, julga melhor, pois quem experiencia uma barreira entende melhor as barreiras dos outros”.

Na sequência, o presidente do TJSC em exercício, desembargador André Dacol destacou que a existência de leis e normas, embora fundamental, não é suficiente para garantir uma sociedade verdadeiramente inclusiva. Para ele, o principal desafio está em transformar essas conquistas legais em uma realidade concreta, incorporada às práticas, às relações e ao cotidiano das instituições.

Auditório do Tribunal de Justiça de Santa Catarina visto de frente. Em primeiro plano, participantes acompanham a cerimônia sentados na plateia. À direita, André Luiz Dacol, presidente do TJSC em exercício, está no púlpito realizando um pronunciamento. A imagem de André Luiz Dacol também é exibida em destaque no telão instalado na parte superior do plenário. À esquerda, autoridades compõem a mesa principal, decorada com arranjo de flores. Ao fundo, estão as bandeiras do Brasil e de Santa Catarina e a estrutura do plenário do Tribunal. 

Dacol ressaltou a importância de acolher as diferenças e reconhecer as singularidades como oportunidades de aprendizado, ampliando o olhar para além dos padrões gerais. Nesse sentido, destacou também o trabalho desenvolvido pelo secretário de Acessibilidade e Inclusão, Rodrigo Lima, pessoa com deficiência visual, cuja atuação à frente da Secretaria contribui para ampliar a percepção da instituição sobre as diferentes experiências e necessidades das pessoas com deficiência. Para o desembargador, a presença e o trabalho de Rodrigo são importantes nesse processo de aprendizado e transformação da cultura institucional. “A acessibilidade não deve se resumir à realização de eventos, mas exige uma mudança permanente da cultura institucional. Em tempos de inteligência artificial, é preciso destacar que o verdadeiro valor está na humanidade”, frisou Dacol, ao salientar a sensibilidade humana como condição essencial para a efetiva inclusão, para além das novas tecnologias que também colaboram nesse processo.

Em auditório com poltronas vermelhas, Rodrigo Lima está em pé à frente da plateia, segurando um microfone e dirigindo-se ao público. Nas primeiras fileiras, autoridades e convidados acompanham a apresentação sentados. Em primeiro plano, há um arranjo de flores brancas próximo ao palco. Ao fundo, mais participantes ocupam os assentos do auditório. 

Também compuseram a mesa de autoridades o desembargador Jorge Agenor de Aragão, 2º vice-presidente do TJSC; a juíza de direito Cristine Schutz da Silva Mattos, presidente da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, e o assessor especial da Diretoria Geral Administrativa Marcos Pacheco Lupiano. 

Após a solenidade de abertura, a palestrante Flávia Cintra, recebida pelo coordenador de Acessibilidade e Inclusão do TJSC Rodrigo Lima, proferiu a palestra magna “Construindo uma Sociedade Inclusiva: o protagonismo das pessoas com deficiência e o papel transformador das instituições’.

No plenário do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Flávia Cintra está sentada em uma cadeira de rodas à frente da mesa principal, segurando um microfone durante sua palestra. Sobre a mesa há um arranjo de flores brancas. Ao fundo, aparecem as bandeiras do Brasil e de Santa Catarina. Em um telão, é exibida a imagem da palestrante acompanhada do título de sua apresentação. O ambiente é amplo, com iluminação clara e estrutura de auditório. 

O evento estende-se por toda a semana, até a próxima sexta-feira (18/9), quando encerrará com o Circuito Cultural Inclusivo, que proporcionará aos participantes uma experiência pelos espaços históricos, arquitetônicos e culturais do TJSC. A atividade incluirá palestras, visita a locais de memória da instituição e momentos de integração, com reflexões sobre acessibilidade, cultura e pertencimento, além de apresentação musical no encerramento.

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