Sextas do Saber debate a Criminalidade e Investigação de Crimes Cibernéticos - Academia Judicial - Poder Judiciário de Santa Catarina
A Academia Judicial realizou, nesta tarde (26/7), mais uma edição do Programa Sextas do Saber, que teve como tema a Criminalidade Cibernética e Investigação de Crimes Cibernéticos. A palestra foi proferida pelo delegado da Polícia Federal Stênio Santos Souza.
O diretor-executivo da AJ, Luiz Felipe Schuch, abriu o evento destacando a imersão que o judiciário catarinense tem feito nos aspectos tecnológicos mais inovadores, em especial, a Inteligência Artificial, que tem ocupado diversos debates fomentados pela instituição educacional. “O tema de hoje é uma pauta do espectro criminal que vem ganhando cada vez mais espaço e que se diferencia do enfrentamento do criminoso que encontramos na rua”, ressaltou Schuch.

É como consequência de uma sociedade hiperconectada que surge a criminalidade cibernética. Souza abriu a palestra fazendo um apanhado histórico do avanço das tecnologias até a grande revolução tecnológica ocorrida na segunda metade do século XX, em especial na década de 70, com o surgimento dos computadores pessoais.
Ele destacou uma série de desafios que devem ser superados, pela sociedade, resultantes da hiperconexão, como a revisão do conceito de soberania, que envolve temas que vão desde a criação de tribunais internacionais até as questões que envolvem refugiados, terrorismo e crime organizado. Ele também pontuou as problemáticas envolvidas no aumento da liberdade de expressão, que se por um lado põem em questão as liberdades individuais, por outro, submete-nos à disseminações de ódio, bolhas ideológicas e fake news.
A investigação dos crimes no universo cibernético caracteriza-se pela sua complexidade, em especial, pela volatilidade e fragilidade dos vestígios criminais, onde a estrutura criminosa desloca-se com facilidade, os regramentos limitam a retenção de dados pelos provedores, e a criminalidade cibernética é utilizada para financiar o crime organizado tradicional.
“Temos necessidade de novas tipificações criminais, alterações nas legislações domésticas, pois se o crime não encontra fronteiras, é preciso que haja uma harmonização da legislação internacional, para que exista uma eficaz cooperação entre os países”, frisou o delegado. Neste sentido que, em 2023, o Brasil promulgou a Convenção sobre Crime Cibernético, ou Convenção de Budapeste, um instrumento de cooperação entre países no enfrentamento dos crimes cibernéticos, a partir da possibilidade de obtenção de provas eletrônicas e digitais armazenas em outros países.

No decorrer da explanação, Souza explicou aos participantes o funcionamento da internet e o processamento de informações, assim como os conceitos essenciais para o processo de investigação, como o papel e relevância dos endereços de IP, as possibilidades de recuperação de dados deletados e a interceptação de dados criptografados. No segundo momento da palestra, os participantes realizaram um workshop onde puderam conhecer e experienciar ferramentas de investigação e debater sobre os limites e possibilidades dos aspectos legais, éticos e tecnológicos nas investigações.