Com 135 anos de serviços prestados, magistrados e servidores relatam cotidiano na Justiça de SC - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Com 135 anos de serviços prestados, magistrados e servidores relatam cotidiano na Justiça de SC

Histórias inspiradoras de dedicação e superação que se confundem com a vida de quem faz o PJSC

16 outubro 2026 | 12h05min

Para além de computadores e sistemas sempre atualizados que contam com ajuda de tecnologias supermodernas, o Poder Judiciário de Santa Catarina é feito por pessoas. São pessoas que precisam ajustar suas rotinas com os filhos, companheiros, pais e demais familiares para dedicar boa parte do dia à garantia de direitos de outras pessoas que, talvez, nunca cheguem a conhecer. Em constante evolução, o atendimento passou a considerar, prioritariamente, o ser humano que está envolvido no processo tentando resolver um conflito, um problema, ou buscando seu direito, e os impactos efetivos que a decisão trará às partes.

Por outro lado, o ser humano que lida com o trâmite do processo também ganhou mais atenção. Um olhar diferente para o servidor do Poder Judiciário despertou o sentimento de pertencimento à instituição e o carinho de estar em família, junto aos colegas e amigos de uma vida dedicada à Justiça catarinense. Sendo assim, ninguém melhor do que as pessoas, que construíram e fazem parte desta história, para falar do assunto no mês em que o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) completa 135 anos de existência. Inevitavelmente, a história pessoal caminha ao lado do dia a dia no trabalho. E, assim, juntamos personagens dessa rica trajetória que, somando seus períodos de dedicação ao Poder Judiciário, também acumulam 135 anos de história.

De estagiário a presidente do TJSC

 

Quem nasceu depois da década de 1980 nem tem o mesmo tempo de vida que o desembargador Altamiro de Oliveira tem de trabalho no Poder Judiciário catarinense. No último mês de agosto, ele completou 45 anos de dedicação ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Isso sem contar o tempo anterior em que foi estagiário na instituição.

Natural de Florianópolis, Altamiro iniciou no Judiciário como oficial de justiça. Ingressou na magistratura em 1989. Ele passou pelas comarcas de Criciúma, São José, Capital, Campo Erê, Capinzal e Caçador. O maior tempo de judicância na mesma comarca foi em Lages, onde ficou por 15 anos, entre 1994 e 2009, quando recebeu a comenda de Cidadão Lageano. Em 2009, assumiu o cargo de juiz de direito de 2º grau e, em 2015, foi promovido ao cargo de desembargador. De novembro de 2023 a fevereiro de 2024, atuou no mais alto cargo da Justiça catarinense como presidente do TJSC.

Atualmente, Altamiro é membro da 6ª Câmara de Direito Comercial e integra o Órgão Especial do TJSC. Olhando para frente, projeta um futuro que parece não muito distante. “A Justiça do futuro tem que usar muito a inteligência artificial para julgar processos de massa e deixar para os magistrados aqueles que exijam mais estudo e complexidade. Com a mesma quantidade de servidores, recebemos o dobro de processos em relação ao que recebíamos alguns anos atrás. Ou os magistrados se dedicam ao estudo de casos mais complexos ou teremos cada vez mais magistrados doentes e afastados do trabalho!”, desabafa o desembargador.

”O PJSC é a minha casa”

 

Antes de se tornar magistrada, a juíza Caroline Peressoni Porcher passou por cartórios, digitou audiências, juntou petições e aprendeu a elaborar minutas de despachos e sentenças. Foi ainda no primeiro semestre do curso de Direito, em 2001, que a sua história começou no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, como estagiária voluntária da 1ª Vara Cível da comarca de Blumenau. O que talvez parecesse apenas uma rotina de tarefas administrativas tornou-se uma oportunidade de conhecer a Justiça por dentro e confirmar um sonho de infância: ser juíza. Ao lado do então juiz Jorge Luís Costa Beber, com quem trabalhou por muitos anos, passou de estagiária a assessora e, depois, a secretária jurídica, acompanhando diferentes etapas da carreira do magistrado, hoje desembargador.

Em maio de 2020, tomou uma decisão difícil e deixou o trabalho de que tanto gostava para se dedicar aos estudos. Ainda assim, manteve vínculo com o Tribunal, prestando assessoria voluntária no gabinete da juíza Horacy Benta de Souza Baby. A escolha abriu caminho para uma nova fase da sua vida: ela ingressou na magistratura em 14 de outubro de 2024. “Sendo catarinense, o TJSC sempre foi o tribunal dos meus sonhos”, conta.

Hoje, titular da Vara Única da comarca de Guabiruba, no Vale do Itajaí, e cooperadora da 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital, ela guarda com carinho as primeiras audiências em que pôde confirmar que o trabalho da magistratura pode transformar vidas. "O TJSC é a minha casa. Foi aqui que cresci e amadureci profissionalmente. É também aqui que exerço uma profissão que considero extremamente bonita e significativa. Embora seja uma carreira repleta de desafios e responsabilidades, ela proporciona a satisfação de contribuir diariamente para a solução de conflitos e para a concretização da Justiça", enfatiza.

Sobre o futuro do Judiciário catarinense, a juíza Caroline acredita que ele será uma instituição cada vez mais moderna, eficiente e próxima das pessoas. "Para que o Judiciário continue evoluindo e atendendo às necessidades da sociedade, reputo ser essencial que se promova cada vez mais a aproximação entre o Poder Judiciário e a sociedade, com o fortalecimento de iniciativas envolvendo cidadania, educação e a ampliação do acesso às ferramentas digitais", destaca.

Gentil, há 22 anos

 

Há 22 anos, Gentil de Souza faz do Fórum Central da comarca de Joinville um pouco da sua própria casa. Ele é o terceirizado com mais tempo de atuação na comarca ainda em atividade e exerce o trabalho com cuidado e entusiasmo. Entre portas e assentos higienizados, bebedouros abastecidos e corredores em ordem, também espalha sorrisos e cumprimenta os colegas. Fã do Rei Roberto Carlos, não esconde a preferência pelo cantor e leva suas músicas para a rotina no fórum. É tão querido por todos que, quando o cantor esteve em Joinville para uma apresentação, Gentil ganhou de amigos do fórum um ingresso para assistir ao show: “Foi a realização de um sonho!”

Aos 61 anos, ele olha com carinho para tudo o que viveu no fórum e para as pessoas que conheceu nas últimas duas décadas. Gentil acompanhou de perto as transformações da comarca: viu chegar e partir juízes, juízas e servidores; testemunhou o crescimento do fórum, a renovação dos equipamentos e a modernização do ambiente de trabalho. Também construiu amizades que, com o passar do tempo, ganharam lugar especial em sua vida. “É gratificante trabalhar num local que presta um serviço fundamental à população. Gosto do que faço e gosto muito das pessoas. Eu tenho orgulho de trabalhar aqui!” E, se depender dele, ainda vai continuar por muito tempo: Gentil pretende permanecer na função até se aposentar. “Espero que a Justiça continue ajudando as pessoas, fazendo o que é certo e tratando todo mundo bem", diz.

Dois aniversários, uma trajetória

 

João Lucas Rodrigues completa dois anos de atuação no Judiciário catarinense como técnico judiciário no mesmo mês em que o Tribunal faz aniversário. Atualmente lotado na assessoria da Vara Criminal da comarca de Caçador, no Meio-Oeste, João havia estagiado na Vara Cível e na Vara da Família. "Essas experiências foram fundamentais para minha formação profissional e para fortalecer meu interesse pela atividade jurisdicional", conta.

O servidor diz que, ao longo desses anos de atuação no Tribunal, tem acompanhado de perto importantes transformações na forma como o Poder Judiciário desenvolve suas atividades. "Uma das mudanças mais significativas foi a incorporação da inteligência artificial às rotinas de trabalho, ferramenta que tem contribuído para aumentar a produtividade, otimizar procedimentos e conferir maior celeridade à tramitação dos processos", pontua.

João também destaca o constante investimento do Tribunal na capacitação de seus servidores. Para ele, a busca pela qualificação profissional, aliada ao uso de novas tecnologias, demonstra o comprometimento institucional com a modernização e com a excelência na prestação dos serviços públicos. "Tenho convicção de que o futuro do TJSC será cada vez mais marcado pela eficiência, pela inovação e pelo aprimoramento contínuo dos serviços oferecidos à sociedade catarinense, mantendo o elevado padrão de qualidade que já caracteriza a atuação da instituição", diz o jovem servidor. Ele finaliza dizendo: "Minha trajetória no Tribunal de Justiça de Santa Catarina é marcada por aprendizado, dedicação e muito orgulho".

Orgulho de pertencer

 

Ao longo de 24 anos de dedicação ao Poder Judiciário catarinense, o servidor Joelson Cardoso da Silva, chefe de cartório da 1ª Vara Criminal da comarca de Araranguá, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso, aprendizado contínuo e orgulho de integrar a instituição. Ao longo da carreira, passou por diferentes unidades e desafios, desde os primeiros anos em Orleans até a atuação em Sombrio e Araranguá, sua terra natal, com experiências que contribuíram para seu crescimento pessoal e profissional. Para ele, os momentos mais marcantes foram aqueles vividos ao lado de colegas e equipes comprometidas com a prestação jurisdicional. “Com humildade e forte apoio dos colegas mais experientes, fui me desenvolvendo profissionalmente”, relembra.

Joelson afirma que o TJSC representa muito mais do que um local de trabalho. Embora tenha exercido outras funções antes de ingressar no Judiciário catarinense, foi na instituição que encontrou sua realização profissional e o ambiente em que permaneceu por mais tempo. Ao recordar mais de duas décadas de dedicação, destaca as melhorias estruturais e, sobretudo, a valorização dos servidores como avanços que fortaleceram seu sentimento de pertencimento. Orgulhoso da trajetória construída, ele ressalta a relevância da instituição no cenário nacional. “O TJSC é modelo para os demais tribunais, em quase todos os quesitos. Orgulho-me muito de fazer parte desse contexto”, afirma. O servidor também observa que, ao longo dos anos, passou a se sentir cada vez mais integrado à organização e reconhecido pelo trabalho desempenhado.

A confiança no futuro da instituição também é uma das motivações que o mantêm engajado após mais de 24 anos de carreira. Joelson avalia que o TJSC tem se destacado pela capacidade de inovação e pela busca constante por resultados, sem perder de vista sua missão de promover a paz social. Na sua visão, os avanços tecnológicos devem caminhar lado a lado com a valorização das pessoas e com o fortalecimento dos meios consensuais de solução de conflitos. “O TJSC não é uma instituição inerte. Ao contrário, está sempre na vanguarda das ações construtivas do Poder Judiciário”, afirma. Para ele, o comprometimento e a qualificação dos servidores continuarão sendo fundamentais para que o Tribunal mantenha sua posição de destaque e siga oferecendo respostas cada vez mais eficientes à sociedade catarinense.

Quase a metade da vida

 

A história da chefe de secretaria do foro da comarca de Xanxerê, Vanessa Andria, iniciou ainda enquanto cursava Direito, na UFSC. Em 9 de dezembro de 2003, ela foi empossada como técnica judiciária auxiliar no Juizado Especial Cível e Criminal, em Lages. “Meu primeiro contato com o Tribunal foi muito especial! O juiz da unidade e diretor do foro à época, Jaime Machado Jr., me recebeu e, desde o primeiro dia, passou a me chamar de ‘Xanxerê’ [cidade natal de Vanessa]. A brincadeira acabou se tornando uma das primeiras lembranças afetivas da minha trajetória no Judiciário”, relembra com carinho.

Em 2007, foi removida para a 3ª Vara Criminal de Chapecó. Desde 2010, Vanessa está em Xanxerê - começou no cartório da 1ª Vara Cível, depois passou pelo setor de informática e, em 2019, assumiu a função de chefe de secretaria do foro. Quando pensa sobre a dimensão dessa história, a servidora percebe que, no ano que vem, terá dedicado metade da vida ao Poder Judiciário catarinense, ao completar 24 anos de atuação. “Existe algo muito importante no TJSC: a sensação de que, quando não sabemos imediatamente como resolver alguma coisa, sempre haverá alguém a quem recorrer. Esse apoio, que muitas vezes nem aparece para quem está de fora, é uma das grandes forças da instituição. Saber que podemos contar uns com os outros faz muita diferença, especialmente nos momentos mais difíceis”, celebra.

E, mais uma vez, a tecnologia aparece atrelada ao futuro da Justiça catarinense. “A tecnologia certamente continuará transformando a forma como trabalhamos, tornando procedimentos mais rápidos, integrados e eficientes. Mas acredito que o grande desafio será fazer com que essa evolução caminhe junto com a valorização das pessoas. E vejo que o TJSC já vem demonstrando essa preocupação por meio de ações voltadas ao bem-estar físico e mental das equipes. Para mim, esse equilíbrio será fundamental: uma Justiça cada vez mais moderna e eficiente, mas que continue sendo humana. Porque, depois de tantos anos, essa é uma das coisas que a minha própria história no TJSC me ensinou: por trás de cada processo, cada sistema, cada procedimento e cada resultado, existem pessoas. E são elas que fazem o Tribunal acontecer”, conclui.

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