21 outubro 2025 | 09h34min
Num gesto de reconhecimento e gratidão, Aleir Feliciano de Sousa, que completou 45 anos de serviços prestados ao Judiciário catarinense, recebeu uma homenagem no fórum da comarca de Imbituba, no sul do Estado. A celebração reuniu juízes, servidores, estagiários, colaboradores e integrantes do Ministério Público, todos unidos para valorizar a dedicação exemplar da servidora ao longo de quatro décadas e meia.
Aleir recebeu mais do que uma homenagem. A primeira, antes da data que marca seu ingresso no Judiciário, em 16 de outubro, foi um cartão do Tribunal de Justiça parabenizando-a pela trajetória - uma mensagem que, segundo ela, ficará exposta em um quadro. “Eu nem acreditava que era meu. Fiquei tão feliz em receber”, conta a servidora, que carrega no peito um crachá com quatro estrelas.
A outra homenagem veio com a surpresa organizada pelos colegas. A comemoração foi dividida em dois momentos distintos. “Amei a maneira com que eles me surpreenderam”, diz, em tom de gratidão. Durante o encontro, além de compartilhar memórias e histórias vividas no cotidiano da Justiça, Aleir emocionou os presentes com um discurso sincero e afetuoso.
“Não tenho palavras para agradecer os momentos prazerosos que passo junto a vocês. O tempo passou e nem percebi. Parece que foi ontem que entrei nesta instituição, onde sou acolhida por todos, todos os dias.” Aleir, ou Lilica, como é carinhosamente chamada pelos colegas, completou: “Não canso de agradecer a Deus pelo carinho, ternura, respeito e amor que recebo de cada um. Em razão desse acolhimento diário, ainda estou aqui”.
A servidora iniciou sua carreira aos 22 anos, quando ficou viúva, com um filho pequeno e poucas condições de se manter sem o marido. Uma amiga sugeriu que ela procurasse saber mais sobre o trabalho no Judiciário local. “Eu achava que aquilo era muito grande para mim”, lembra. Na época, o Fórum ainda funcionava no mesmo prédio da prefeitura e de outros órgãos públicos de Imbituba. Ela começou a trabalhar como agente de serviços gerais e, com a legislação vigente naquele período, conseguiu se efetivar no cargo.
Após um acidente ao descer do ônibus, ficou sete meses em licença. Ao retornar, havia uma pessoa em seu posto, e então foi remanejada para trabalhar no cartório da Vara Cível e Criminal. Depois disso, passou pelo Juizado Especial Cível, atuou como telefonista, recepcionista, e há 13 anos exerce a função de apoio administrativo na secretaria do Fórum.
A história de Aleir se confunde com a da comarca. Os aniversários de chegada de ambas são bem próximos, inclusive. A servidora considera o Fórum sua segunda casa e os colegas, uma família. “Meu filho cresceu aqui dentro”, conta orgulhosa, ao dizer que ele vendia livretos para estudar e se manter na capital. Com o apoio de um magistrado e sua esposa, o garoto teve a chance de iniciar em outro trabalho e conseguir uma bolsa de estudos. “Meu filho fez Administração e Direito, e hoje é advogado.”
A segunda filha ela conheceu dentro do Fórum, há 33 anos. “Era uma sexta-feira. A pedido do juiz, levei aquela criança para casa, pois não havia nenhuma possibilidade de mantê-la com a mãe. Na segunda, voltei para dizer que ela seria minha, e a adotei.”
A servidora, que registra na memória apenas o que lhe faz bem, ainda não pensa em se aposentar. Aos 67 anos, esbanja vitalidade e bom humor. “Quero ver como serão minhas bodas de ouro”, brinca, ao dizer que faltam apenas cinco anos para esse momento.
Imagens: Divulgação/Comarca de Imbituba
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NCI/Assessoria de Imprensa