13 fevereiro 2026 | 14h43min
Uma parceria interinstitucional inédita entre o Poder Judiciário de Santa Catarina, o Ministério Público e os três municípios da comarca de Mondaí (Mondaí, Riqueza e Iporã do Oeste) ampliou o número de profissionais habilitados para atuar em grupos reflexivos e responsabilizantes para homens em situação de violência contra mulheres. Assim, o cronograma de 2026 terá condições de atender até 80 homens da comarca.
Foram 20 horas de curso, de 4 a 6 de fevereiro, para preparar um número maior de facilitadores das atividades. Agora, a equipe é formada por 25 profissionais que atuarão nos grupos reflexivos, entre psicólogos, assistentes sociais e advogados — todos servidores públicos e uma voluntária. A comarca iniciou os atendimentos em 2023 e, desde então, realizou cinco turmas, em um total de 45 homens participantes, número muito aquém do ideal para atender à demanda dos três municípios. Com mais profissionais habilitados a partir do envolvimento de todos os municípios abrangidos, será possível ampliar a oferta de grupos reflexivos, garantir um atendimento mais eficaz e contínuo e fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Os grupos reflexivos são considerados estratégia fundamental para a prevenção da reincidência e para a promoção de mudanças de comportamento. A iniciativa da capacitação foi do Comitê de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres — “Por Elas”. Para o juiz Arlei Wiclif Leal da Silva, diretor da comarca de Mondaí, a violência contra as mulheres não se resume a dados estatísticos, ela se materializa diariamente no Judiciário e exige respostas que ultrapassem a dimensão processual.
“Os grupos reflexivos e responsabilizantes para homens em situação de violência são uma estratégia eficaz para promover uma nova cultura de masculinidade. A capacitação promovida pelo comitê ‘Por Elas’, do qual o Judiciário também é integrante, fortalece essa política pública em nossa comarca de Mondaí e é um importante instrumento no enfrentamento da violência de gênero”, complementa o magistrado.
A capacitação iniciou no dia em que foi assinado o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento do Feminicídio, que une representantes dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo — inclusive o Tribunal de Justiça de Santa Catarina — em uma iniciativa inédita para ações coordenadas e permanentes de prevenção à violência letal contra meninas e mulheres no país. Estão entre os objetivos acelerar o cumprimento das medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento da violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar os agressores, de forma a combater a impunidade.
Dinâmica
A assistente social forense e gestora local do projeto, Cilene Kosmann, conta que a próxima etapa é uma reunião com toda a equipe, no dia 19 de fevereiro. O primeiro grupo reflexivo deste ano inicia as atividades em março. Aliás, em 2026, serão realizadas quatro turmas — sendo que cada município da comarca será responsável pelos trabalhos de um grupo, conduzido por seus técnicos que participaram da formação —, e a última turma do ano será realizada de forma mista. Para cada grupo, está prevista a participação de até 20 homens. As atividades serão ministradas em oito encontros, todos no fórum de Mondaí.
“De forma interinstitucional, estamos construindo e implementando uma política pública planejada, qualificada e comprometida com o enfrentamento à violência de gênero. A proposta busca desconstruir o machismo estrutural, ainda presente na sociedade, promover a responsabilização dos homens envolvidos em situações de violência contra mulheres — incentivando reflexão crítica e ressignificação de comportamentos — e fortalecer toda a rede de atendimento, com fluxos integrados tanto para homens quanto para mulheres”, explica a servidora.
No início e ao término de cada grupo serão realizadas reuniões de planejamento e de avaliação, com a participação dos facilitadores e da coordenação. A partir de agora, as equipes receberão supervisão técnica por seis meses, garantindo acompanhamento qualificado e apoio contínuo na implementação dos grupos reflexivos na comarca de Mondaí.
No que se refere aos homens que participarão dos grupos, a inclusão ocorre por encaminhamento judicial. Esse encaminhamento é realizado quando o Poder Judiciário aplica uma medida protetiva de urgência e determina que o homem em situação de violência contra mulheres participe do grupo como parte das ações de responsabilização e acompanhamento previstas na legislação.
Ministrante
A formadora/palestrante do curso foi a psicóloga Ana Carolina Mauricio. Ela é professora do curso de Psicologia da Unicesusc. Ana é mestra e doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, onde pesquisa temas sobre violência, gênero, masculinidades e feminilidades. É, ainda, pesquisadora vinculada ao Núcleo de Pesquisa Margens (UFSC) e ao Núcleo de Pesquisa em Psicologia Jurídica, onde desenvolve estudos estaduais e nacionais, e publicou obras referentes aos Grupos Reflexivos e Responsabilizantes para Homens em Situação de Violência. Atua também como supervisora do Projeto Ágora — Grupos Reflexivos para Homens Autores de Violência (TJSC/UFSC).
Imagens: Divulgação/Comarca de Mondaí
Conteúdo:
NCI/Assessoria de Imprensa