O Dia do Consumo Consciente, celebrado em 15 de outubro, convida à reflexão sobre hábitos que impactam o meio ambiente e o uso dos recursos naturais. No Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC), essa preocupação está presente em ações que vão das compras públicas à gestão de resíduos e passam ainda pelo consumo de energia, mobilidade e uso de materiais no dia a dia.
Os resultados já aparecem nos indicadores da instituição. Atualmente, o TJSC registra 83% de cumprimento das ações previstas e alcançou 72% das metas estabelecidas em seu Plano de Logística Sustentável. O Tribunal também avançou no Índice de Desempenho da Sustentabilidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com destaque para indicadores relacionados à reciclagem, à redução do consumo de papel, ao uso eficiente dos equipamentos de impressão, à ampliação das contratações sustentáveis e à otimização do uso dos veículos.
Para a presidente da Comissão de Gestão Socioambiental, juíza auxiliar da Presidência Cristine Mattos, os avanços são resultado de um trabalho permanente de planejamento, gestão e conscientização. “É um trabalho contínuo que precisa da atenção de todos”, reforça a magistrada.
Apesar dos resultados positivos, a juíza ressalta que ainda há desafios relacionados ao consumo de energia elétrica, ao uso de garrafas plásticas descartáveis e aos gastos com transporte. Por isso, destaca a importância do envolvimento de magistrados, servidores, estagiários e colaboradores na adoção de práticas mais sustentáveis. "O compromisso de cada um é sempre muito bem recebido, tanto no nível da gestão quanto nas práticas diárias em seu ambiente de trabalho".
Segundo a chefe da Secretaria de Gestão Socioambiental, Helen Petry, o consumo consciente orienta decisões em todas as etapas do uso dos recursos públicos. “Não são meras ações pontuais, mas, sim, estratégias aplicadas aos negócios”, resume.
Essa visão está presente antes mesmo da aquisição de produtos e serviços, com a avaliação da real necessidade das compras e a busca por opções mais eficientes e com menor impacto ambiental. Ela também se estende ao uso dos recursos e à destinação dada aos materiais depois do consumo.
Programas como o Ressignifique Bens Apreendidos, o reaproveitamento de bens e a Caixa Solidária ajudam a prolongar a vida útil de materiais e a reduzir a geração de resíduos. Já campanhas como "Adote uma Garrafa", "Traga seu Copo ou Caneca" e "Seu Papel é Fundamental, Faça uma Boa Impressão" incentivam mudanças de hábitos no ambiente de trabalho.
Para o diretor-geral administrativo do TJSC, Alexsandro Postali, as políticas de sustentabilidade associadas ao consumo consciente têm o efeito de conectar recursos, pessoas e meio ambiente. "A governança sustentável no uso de recursos ganha um alcance que vai além da instituição, gerando efeitos ambientais, sociais e econômicos positivos". Ele diz ainda que o conjunto de ações traz resultados significativos. "A redução do desperdício, o uso mais eficiente dos recursos e a adoção de práticas sustentáveis contribuem simultaneamente para a preservação ambiental, para a qualidade de vida das pessoas e para o desenvolvimento sustentável da sociedade".
Eficiência energética
A busca por um consumo mais eficiente também passa pela modernização das instalações do Tribunal. Na área de climatização, o TJSC tem priorizado a aquisição de equipamentos com tecnologia inverter, capazes de consumir entre 35% e 40% menos energia em comparação com modelos convencionais. Os novos aparelhos também utilizam o fluido refrigerante R32, que apresenta menor potencial de aquecimento global.
Outra medida adotada é a substituição gradual das lâmpadas fluorescentes e incandescentes por iluminação LED. Mais de 5 mil luminárias foram trocadas em 2023 e 2024, além de outras 3.719 unidades substituídas em 2025. A maior parte dos ambientes já foi modernizada. Atualmente, há um número reduzido de instalações com tecnologias mais antigas.
De acordo com o diretor de Engenharia e Arquitetura, Everton William Tischer, a modernização traz benefícios ambientais e econômicos. “No conjunto, essas ações resultam em menor consumo de energia, redução de impactos ambientais e diminuição dos custos de manutenção”.
A troca do sistema convencional por LED reduz o consumo de energia entre 50% e 55%, além de aumentar a vida útil dos equipamentos e melhorar as condições de iluminação dos ambientes utilizados por magistrados, servidores e cidadãos.
Tecnologia e reaproveitamento
Na área de tecnologia, a sustentabilidade está presente em todo o ciclo de vida dos equipamentos. A Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) incorporou critérios de eficiência energética, embalagens ecológicas, certificações ambientais e logística reversa na aquisição de soluções tecnológicas.
Entre as iniciativas adotadas está o Projeto de Sustentabilidade dos Serviços de Impressão, que permitiu reduzir em 50% o número de impressoras em operação. O projeto também ampliou o uso de impressão frente e verso, incentivou o armazenamento de arquivos em nuvem e fortaleceu o controle do consumo de insumos.
Segundo Rafael Severo Roman, da Divisão de Suporte e Gestão de Ativos de TI, o trabalho envolve todas as etapas da gestão dos equipamentos. “Buscamos atuar desde a aquisição até o descarte ecologicamente adequado dos ativos inservíveis”.
A área também desenvolveu ações para reduzir o número de nobreaks e substituir gradualmente conjuntos de duas telas por monitores maiores, o que diminui a quantidade de equipamentos em uso e o consumo de energia.
Quando deixam de atender às necessidades do Tribunal, equipamentos ainda em condições de funcionamento podem ser destinados a órgãos públicos e entidades de caráter social. Já os materiais sem possibilidade de reaproveitamento recebem destinação ambientalmente adequada.
Compras sustentáveis e uso responsável
As ações voltadas ao consumo consciente também estão presentes nos materiais utilizados no cotidiano das unidades judiciais. Um exemplo, de acordo com a Diretoria de Material e Patrimônio (DMP), é a aquisição de canetas produzidas com plástico proveniente de resíduos eletrônicos, como componentes internos de eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos.
Para Alexandre Martins Ferreira, chefe de divisão do Almoxarifado, a iniciativa demonstra que sustentabilidade e qualidade podem caminhar juntas. “Essa escolha demonstra que aspectos ambientais podem ser considerados nas compras institucionais, sem deixar de atender às necessidades de qualidade e funcionalidade”.
O servidor lembra que a preocupação com o consumo consciente vai além da seleção dos materiais adquiridos. O uso responsável dos produtos também faz diferença. É o caso do papel-toalha, amplamente utilizado nas unidades judiciais. Segundo ele, duas ou três folhas são suficientes para a secagem das mãos, o que contribui para evitar desperdícios quando adotado como prática diária. "A colaboração de cada usuário é importante para evitar desperdícios e fortalecer uma cultura de consumo consciente no TJSC e fora dele", frisa.
Mobilidade mais sustentável
O TJSC também tem buscado soluções mais eficientes para os deslocamentos realizados a serviço. O uso de transporte por aplicativo tornou-se uma das principais alternativas para demandas esporádicas, o que permite que o serviço seja utilizado conforme a necessidade.
A medida reduz a necessidade de manter veículos permanentemente disponíveis para todos os deslocamentos e contribui para o uso mais racional dos recursos públicos.
Paralelamente, a instituição avança na renovação gradual da frota com veículos aptos ao uso de biocombustíveis, modelos híbridos e elétricos. Comarcas em todas as regiões do Estado já iniciaram a troca de modelos, enquanto os tradicionais são repassados aos municípios para continuidade de uso pela população.
Segundo Fabiane da Silva Miguel, da Diretoria de Infraestrutura e Engenharia (DIE), as ações fazem parte de uma mudança gradual na forma de gerir a mobilidade institucional. “Trata-se de um conjunto de iniciativas voltadas à construção de uma mobilidade mais moderna, eficiente e alinhada aos objetivos de sustentabilidade da instituição”.
Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, as medidas contribuem para uma gestão mais eficiente dos recursos destinados ao transporte. São práticas que conciliam responsabilidade ambiental e eficiência administrativa.