Da máquina de escrever à nuvem: as trajetórias de quem viu as transformações da Justiça catarinense - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Da máquina de escrever à nuvem: as trajetórias de quem viu as transformações da Justiça catarinense

Em 28 de outubro, celebramos o Dia do Servidor Público

24 outubro 2025 | 14h05min

O Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC) tem cerca de 12 mil servidores e servidoras. Para celebrar o Dia do Servidor Público, em 28 de outubro, o Núcleo de Comunicação Institucional (NCI) apresenta as trajetórias de um servidor e de três servidoras que vivenciaram a transformação do Judiciário catarinense nas últimas décadas. Quando todos entraram no serviço público, a prestação jurisdicional ocorria por meio das máquinas de escrever. Hoje, na era da inteligência artificial (IA) e do armazenamento em nuvem, o processo virou digital e a tecnologia está presente em todas as áreas e funções.

Sigfried levava o computador de casa

Quando Sigfried Adão Miguel Schaff, o Sig, ingressou no Judiciário catarinense, em 1989, em Pinhalzinho, levava consigo mais do que o entusiasmo de um novo servidor - carregava o desejo de unir o direito e a tecnologia a um propósito maior: servir à sociedade. Com uma CPU própria e um monitor de tubo, ele introduziu o primeiro computador nas dependências da comarca e talvez no TJSC. Desde então, sua história se confundiu com a própria modernização do Judiciário. Em 1994, transferiu-se para a comarca de Blumenau, onde construiu não apenas uma carreira sólida, mas também vínculos humanos e profissionais que transformaram o fórum em sua segunda casa.

Ao longo de mais de três décadas, Sig testemunhou e ajudou a escrever capítulos decisivos da história tecnológica do TJSC. Acompanhou a chegada do SAJ, depois a do SAJ5 e do eproc, atuou como instrutor em treinamentos por todo o Estado e participou da implantação de sistemas que mudaram a rotina do Judiciário. Formado em Direito e especializado em Computação e Proteção de Dados, ele sempre enxergou a tecnologia como aliada da Justiça.

“Ver essa evolução de perto - do papel ao digital, da máquina de escrever ao sistema integrado - é como assistir à história sendo escrita em tempo real. E poder fazer parte disso, contribuindo com meu trabalho e aprendendo a cada nova ferramenta, é algo que me orgulha profundamente. São lembranças que carrego com carinho, pois mostram não só o avanço da tecnologia, mas também o quanto o TJSC se reinventou para melhor servir à sociedade, buscando agilizar o processo judicial”, cita o técnico de suporte em informática (TSI).

Com 58 anos, a matrícula 3.912 representa para Sig - o segundo servidor mais antigo do Fórum Central da comarca de Blumenau - não apenas um número, mas uma trajetória marcada por aprendizado, compromisso e propósito. Para ele, ser servidor público é um ato de entrega. É garantir que a Justiça funcione de forma eficiente, humana e acessível. Por isso, aconselha os novos colegas: “Para quem deseja fazer parte do TJSC, meu conselho é simples, mas essencial: esteja verdadeiramente comprometido. A preparação exige dedicação total, foco e disciplina. É importante concentrar-se no concurso público, acompanhar as notícias e mudanças pelo site do TJSC e, acima de tudo, manter a persistência, essa é a palavra-chave”, frisa o servidor, que entre tradição e inovação encontra diariamente a motivação para continuar servindo com dedicação e orgulho.

Memória viva de quase meio século



A maior parte da vida profissional de Zeli Cordeiro de Almeida é como servidora pública. Em 1º de dezembro ela completará 48 anos de atuação no Judiciário catarinense. Ela está entre os colaboradores com mais tempo de serviço em todo o Estado. Antes disso, teve uma experiência como atendente em um armarinho em Lages. Zela, como é carinhosamente chamada pelos colegas, iniciou sua trajetória como agente de serviços gerais na comarca local, ainda no antigo fórum, prédio que hoje é um museu. Assim que terminava as tarefas, ajudava nas atividades dos cartórios. Com o tempo, o esforço e o carinho pelo trabalho abriram novas portas e ela passou a atuar como agente de apoio administrativo, função que exerce até hoje na Central de Mandados.

Entre máquinas de escrever e aparelhos de telex, Zeli acompanhou de perto as transformações da Justiça catarinense e o crescimento da comarca de Lages. Ela viveu a mudança para a nova sede e foi testemunha de muitas fases da instituição. Sua história é marcada por dedicação, aprendizado e respeito ao serviço público. “Busco me aperfeiçoar todo dia”, diz.

Mais do que o tempo de casa, Zeli se orgulha das amizades que construiu ao longo dessa jornada. São laços que atravessaram décadas, fortalecidos pela convivência, pela parceria e pela alegria que ela leva ao ambiente de trabalho. “Sinto-me orgulhosa em fazer parte do Judiciário”, conta, emocionada. Para ela, servir ao público é motivo de gratidão diária. “Gosto de atender bem as pessoas, com respeito e gentileza”. Zeli continua firme em sua missão. Ela não pensa em se aposentar, e talvez isso diga muito sobre quem é: uma mulher que encontrou no trabalho uma forma de viver com propósito, carinho e pertencimento.

Miriam seguiu os passos da mãe



Com 44 anos dedicados ao PJSC, a bibliotecária Miriam Suzana Ensfeld é uma das servidoras mais antigas na Torre I do Tribunal de Justiça (TJSC). Com a matrícula 1.562, a bibliotecária entrou no Judiciário catarinense como agente administrativo, quando ainda se utilizava a máquina de escrever. Hoje, na era da inteligência artificial e do armazenamento em nuvem, a bibliotecária atua na Seção de Processamento Técnico, na Biblioteca Marcílio Medeiros, indexando artigos de periódicos, classificando e catalogando os novos títulos de um acervo com cerca de 40 mil livros e periódicos.

Natural de Herval d'Oeste, a servidora seguiu os passos da mãe, Leonilda Marques Ensfeld, que tinha a matrícula 805 e atuou na Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ). Ela também teve uma irmã e duas primas no Judiciário catarinense, mas é a única ainda em atividade. Após ingressar no Judiciário, Miriam fez um concurso interno para ocupar o cargo de bibliotecária. “Na época, a biblioteca ficava no 11º andar e tinha uma vista incrível”, recorda a servidora, que nesse período graduou-se em Direito. Em gabinete, Miriam prestou serviços de assessoria jurídica nos gabinetes dos desembargadores aposentados Joel Dias Figueira Júnior e Francisco José Rodrigues de Oliveira Filho, que a levou para trabalhar na presidência do TJSC.

“Vale muito a pena trabalhar na Justiça catarinense, porque eu faço o que eu gosto, e com a formação em Direito acrescentou muito. O Tribunal é a minha segunda casa. Quando entrei eram apenas 16 desembargadores, e conhecíamos um a um. Tive o privilégio de conhecer a desembargadora Thereza Grisólia Tang e o desembargador Marcílio Medeiros, que empresta o seu nome à biblioteca e foi um homem exemplar. Atualmente, com 96 desembargadores, eu não conheço a maioria, porque o serviço interno não possibilita esse contato”, completou a servidora.

Uma vida dedicada à Justiça



Há 45 anos, precisamente em 23 de julho de 1980, Margarete Inez Pertuzzatti assumiu como primeira servidora da comarca de Xaxim, no Oeste. Atualmente, é a servidora do TJSC com mais tempo de serviço ainda em atividade na região. Com a evolução da tecnologia - da máquina de escrever aos computadores -, ela ocupou cargos como escrivã e chefe de cartório, e passou por setores como secretaria, contadoria e distribuição, onde atua hoje em dia.

“Na época, passar no concurso do Poder Judiciário era uma verdadeira conquista. Quando fui aprovada, a satisfação foi imensa. Foi um sonho realizado e o início de uma carreira sólida e significativa no serviço público. Tenho muito orgulho dessa trajetória! Ver o quanto o tribunal evoluiu e saber que contribuí para essa história, isso me enche de satisfação. É mais do que um trabalho. É uma missão que abracei com carinho e com responsabilidade.”

Margarete diz que, ao longo do tempo, entendeu o serviço público como uma missão nobre. E se sente realizada por contribuir para melhorar a vida das pessoas. “Amo o que faço! Foram muitas histórias, desafios e conquistas que marcam minha trajetória como servidora pública. No ano que vem, me aposento. Levo comigo a certeza de ter cumprido minha missão com amor e responsabilidade. Que o Dia do Servidor seja uma celebração de todos que, com empenho e compromisso, constroem diariamente a história da Justiça de Santa Catarina”.

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