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Jornada Data-Driven destaca a importância da análise intensiva de dados no Judiciário - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina
Notícias
Jornada Data-Driven destaca a importância da análise intensiva de dados no Judiciário
Evento marca o lançamento oficial da ferramenta de análise preditiva do TJSC
12 setembro 2025 | 14h19min
A Jornada Data-Driven no Poder Judiciário de Santa Catarina, realizada com o apoio da Academia Judicial, marcou, nesta sexta-feira (12), o lançamento de uma ferramenta de análise preditiva capaz de projetar as demandas do Judiciário catarinense para os próximos 10 anos. A partir de agora, ela será incorporada à rotina administrativa para orientar decisões estratégicas de futuras gestões.
A iniciativa integra o projeto Poder Judiciário do Amanhã, idealizado pela presidência do TJSC, e oferece à população catarinense uma Justiça mais eficiente e eficaz, com base em dados estatísticos. O encontro reuniu magistrados e servidores para discutir como a análise intensiva de dados pode transformar a gestão pública e o funcionamento da Justiça.
Na abertura, o presidente do TJSC, Francisco Oliveira Neto, destacou que a assinatura da resolução que instituiu a base de dados preditiva simboliza um avanço estratégico na gestão do Judiciário catarinense. Ele afirmou que a nova ferramenta permitirá antecipar necessidades e orientar decisões estruturais com base em informações concretas. “Solucionar conflitos é mais do que julgar processos, é buscar soluções”, disse ao relacionar o uso da tecnologia ao papel social do tribunal.
Ao destacar os resultados da atual gestão, o presidente lembrou que o acervo processual da Corte caiu de 105 mil para 69 mil recursos em pouco mais de um ano — resultado possível graças ao uso inteligente dos dados e à criação das câmaras de enfrentamento de acervo. “A decisão mais acertada foi criar as câmaras de enfrentamento de acervo, o que só foi possível porque soubemos olhar para frente e agir com base em dados concretos”, afirmou.
Para o analista Carlos Eduardo Rosa, da empresa Gartner, trabalhar com informações corretas é crucial. “O dado certo é o que define a direção e impede que colidamos com um iceberg”, afirmou ao usar metáforas como a navegação de navios e o voo de aviões para mostrar que, sem instrumentos confiáveis, qualquer decisão pode ser desastrosa.
Rosa explicou que a maturidade de um órgão se mede quando todos os setores utilizam dados de forma integrada, com clareza sobre métricas e objetivos. Para ele, o letramento em dados é indispensável para que magistrados e servidores falem a mesma linguagem e interpretem informações dentro de um padrão comum. “Cultura data-driven significa usar dados no dia a dia para justificar decisões e investimentos”, destacou.
O especialista também apontou que a governança de dados deve nascer das áreas de negócio, e não apenas da tecnologia, garantindo confiabilidade e utilidade para o trabalho prático de quem atua no Judiciário. Segundo ele, essa construção coletiva evita desperdícios e assegura que os sistemas preditivos e prescritivos cumpram seu papel de apoiar decisões estratégicas. “Governança é um esporte em equipe: se não for feita em conjunto, não vai funcionar bem”, concluiu.
O primeiro painel, “Como os Dados estão Redesenhando a Justiça”, contou com Maurício Walendowsky Sprícigo, diretor-geral judiciário do TJSC; Alexsandro Postali, diretor-geral administrativo; e Marcos Fernandes Pereira Raccioppi, diretor de suporte à jurisdição de primeiro grau. A mediação foi conduzida pelo juiz Rafael Fleck Arnt e pela juíza auxiliar da Presidência, Maira Salete Meneghetti.
Na sequência, o painel “Justiça Preditiva e Inteligente: o que vem a seguir?” reuniu Rodrigo Strobel Pinto, coordenador da Assessoria de Planejamento do TJSC; Sérgio Weber, Filipe Ivo Rosa e Diogo Luiz Bizatto, do Núcleo de Estatística e Análise de Dados (NEAD). A mediação também esteve a cargo do juiz Fleck e da juíza Maira.
FRASES
“A análise de dados permeia desde as decisões mais simples do nosso cotidiano até a gestão do Judiciário; quando nos apoiamos em critérios objetivos, nos afastamos do achismo e conseguimos adotar medidas mais justas e eficazes.” (Maira Salete Meneghetti, juíza auxiliar da Presidência)
“Se a boa medicina é aquela baseada em evidências, a boa governança judiciária é aquela baseada em dados; hoje, no TJSC, as grandes decisões – da criação de novas unidades até a ampliação de cargos – já são tomadas com ciência, não com achismo.” (Rafael Fleck Arnt, juiz auxiliar da Presidência)
“Transformar dados em soluções é o nosso desafio diário, porque não há mais espaço para decisões às cegas; no Judiciário de Santa Catarina, cada medida administrativa — da recomposição de cargos à construção de fóruns — precisa se apoiar em informações confiáveis para garantir inovação, eficiência e responsabilidade.” (Alexsandro Postali, diretor-geral administrativo)
“Sem dados estatísticos, qualquer administrador está perdido; por isso, a boa governança judiciária precisa de informações cada vez mais depuradas e qualificadas para orientar decisões — da criação de novas comarcas à definição de políticas nacionais da Justiça.” (Maurício Walendowsky Sprícigo, diretor-geral judiciário do TJSC)
“Os dados nascem no primeiro grau e só geram boas decisões se forem confiáveis; quando alimentamos corretamente o sistema, transformamos dores em diagnósticos, projetos e soluções que evitam gargalos, reduzem acervos e tornam a Justiça mais ágil.” (Marcos Fernandes Pereira Raccioppi, diretor de Suporte à Jurisdição de Primeiro Grau)
“O Judiciário do Amanhã nasce do princípio da eficiência: ao projetar cenários prováveis de ajuizamento, podemos agir de forma antecipada e preventiva, evitando explosões de processos com base em ciência de dados e metodologia estatística.” (Rodrigo Strobel Pinto, coordenador da Assessoria de Planejamento do TJSC)
“Tratar de futuro é desafiador, mas, ao construir nossa jornada preditiva com base em dados dos últimos dez anos e em indicadores sociais e econômicos, o Judiciário catarinense dá um passo histórico para transformar incertezas em decisões seguras.” (Sérgio Weber, Núcleo de Estatística e Análise de Dados – NEAD)
“Ao combinar dados socioeconômicos, fatos históricos e entradas processuais por mil habitantes, conseguimos criar um modelo estatístico capaz de explicar as variações da demanda judicial e transformá-las em previsões acessíveis por meio de uma ferramenta prática.” (Filipe Ivo Rosa, NEAD)
“É fácil criar um relatório difícil. Difícil é criar um relatório fácil.” (Diogo Luiz Bizatto, NEAD)