Judiciário catarinense leva 'um abraço inteiro' à comunidade quilombola Vidal Martins - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Judiciário catarinense leva 'um abraço inteiro' à comunidade quilombola Vidal Martins

Visita integra a ação Diálogos com a Comunidade Quilombola, que promove escuta ativa, valorização da ancestralidade e garantia de acesso à justiça

23 setembro 2025 | 16h48min

"O Judiciário sempre nos abraçou com um abraço inteiro. Me sinto abraçada como um todo, não com aquele meio abraço como era na época do colégio, onde não tínhamos voz. Receber o Judiciário aqui é uma satisfação imensa", conta Jucélia Beatriz Vidal, 67 anos registrados no documento de identidade, mas calcula ter ao menos 71. "Naquela época demoravam para registrar", lembra. 

Jucélia faz parte da comunidade quilombola Vidal Martins, que recebeu nesta terça-feira uma comitiva formada por integrantes do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), da Ouvidoria da Defensoria Pública de Santa Catarina (DPE/SC) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A visita foi organizada pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID), dentro da ação "Diálogos com a Comunidade Quilombola: escutas e partilhas", que busca ouvir ativamente os moradores, ampliar o acesso à justiça e valorizar a cultura e ancestralidade quilombola.

"Todos nós temos um dever social de cuidar um do outro, de participar da sociedade de uma forma mais digna e respeitosa. Todas as pessoas, independente de classe social, de cor, de credo, merecem viver com dignidade. Se existir qualquer situação de vulnerabilidade que esteja dentro da nossa competência, nós estamos à disposição", ressaltou a desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, coordenadora da CEVID.

O encontro foi mediado pela líder da comunidade, Helena Vidal de Oliveira, responsável por reunir documentos e reivindicar a terra hoje ocupada por aproximadamente 31 famílias. "Ter a atenção do Judiciário para a causa quilombola é um avanço histórico para qualquer comunidade. Resgatar a nossa história é um grande orgulho. Era uma história velada que foi revelada", afirmou.

Participante da ação, a juíza auxiliar da Corregedoria do CNJ, Roberta Ferme Sivolella, destacou a importância de o Poder Judiciário conhecer diferentes realidades para uma aplicação mais justa e humana do direito. "O Judiciário não pode julgar aquilo que ele não conhece e não compreende. Essa é a intenção de estarmos aqui hoje", explicou.

Também participaram a juíza auxiliar da Presidência do TJSC, Maira Salete Meneghetti; a ouvidora-geral da DPE/SC e presidente do Conselho Nacional de Ouvidorias-Gerais Externas das Defensorias Públicas do Brasil, Maria Aparecida Lucca Caovilla; o Coletivo de Negros e Negras do PJSC; e o morador da comunidade Odílio Izidro Vidal.

"Sou juíza há 28 anos e poucas vezes me emocionei tanto. Só posso agradecer a oportunidade de ouvir. Este lugar tem muita história, e viemos aqui, como Judiciário, para trazer um abraço inteiro – que eu nem sabia que se chamava assim. Agora sei o que é um abraço de verdade", concluiu a juíza Maira.

A comunidade

A comunidade remanescente de quilombo Vidal Martins, localizada no bairro de São João do Rio Vermelho, é a primeira comunidade certificada pela Fundação Cultural Palmares (FCP) como comunidade quilombola em Florianópolis. O nome do quilombo é em homenagem ao ancestral comum Vidal Martins, que nasceu em 20 de maio de 1845 nas terras do Rio Vermelho.

 

Veja mais fotos da visita.

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