Mulheres do PJSC aprendem técnicas de prevenção e reação a confronto físico - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Mulheres do PJSC aprendem técnicas de prevenção e reação a confronto físico

Curso realizado no TJSC ensina como agir em situações de violência

31 agosto 2026 | 15h02min

Evitar, evadir e enfrentar. O método dos três Es guiou o Curso de Defesa Pessoal para Mulheres do Judiciário, realizado no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) na última sexta-feira, 28 de agosto. Promovida pelo Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NIS) e pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), com apoio da Academia Judicial, a formação registrou 203 inscrições, recorde entre as capacitações oferecidas pelo NIS.

A desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, coordenadora da Cevid, deu as boas-vindas às participantes em mensagem gravada em vídeo. No Mato Grosso do Sul, onde participa de uma programação sobre a Lei Maria da Penha, ela destacou a importância da preparação para situações de risco. “Espero que nenhuma de vocês precise colocar em prática as técnicas aprendidas neste curso. No entanto, diante de uma situação de risco, saber como agir com segurança pode ser decisivo para preservar a própria integridade e, em situações extremas, a própria vida”, disse.

Foto horizontal: instrutora orienta grupo de mulheres durante atividade prática de defesa pessoal, com projeção sobre socos e chutes ao fundo. 

O coordenador do Conselho de Segurança Institucional e do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional, desembargador Sidney Eloy Dalabrida, ressaltou a importância da iniciativa e os esforços do NIS para garantir a segurança das magistradas e servidoras. “Promover a segurança e o bem-estar de magistradas e servidoras é um compromisso permanente do NIS. Além de transmitir técnicas de defesa pessoal, este curso fortalece a confiança, a autonomia e a consciência situacional das participantes, contribuindo para que estejam mais preparadas para prevenir riscos e enfrentar situações adversas com segurança e responsabilidade”, afirmou.

Conduziram o curso três instrutores com experiência em artes marciais: o tenente-coronel Joanir Ricardo Pereira dos Santos, chefe da Divisão de Segurança Institucional do NIS e faixa-preta em judô; Fernanda Carioni, assessora jurídica da Cevid e faixa-preta em taekwondo; e Janaina d’Aquino, servidora da Presidência do TJSC e faixa-preta em jiu-jítsu.

Foto horizontal: instrutor demonstra o uso de aparadores de impacto durante atividade prática de defesa pessoal com grupo de mulheres. 

Segundo Joanir, o curso combina prevenção e reação, com conteúdos sobre consciência situacional, postura, comunicação, evasão, mobilidade e técnicas de defesa pessoal. “Tudo para que a mulher possa agir e reagir adequadamente diante de uma situação de agressão, seja em contexto de violência urbana, doméstica ou familiar. Saber se defender é um ato de poder”, destacou.

O curso nasceu como desdobramento do Programa Indira, instituído pelo TJSC em 2022 e assim denominado em memória da servidora Indira Mihara Felski Krieger, vítima de feminicídio. Entre outras iniciativas, o Programa realiza rodas de conversa em diferentes regiões do Estado, nas quais surgiu a demanda por uma capacitação em defesa pessoal.

Da teoria à prática

Pela manhã, as participantes conheceram a estrutura de proteção oferecida pelo Poder Judiciário às mulheres, as formas de pedir ajuda e os sinais que permitem identificar situações de risco. A programação abordou ainda os diferentes tipos de violência, com a exibição de vídeos e depoimentos emocionantes que aproximaram o conteúdo de situações reais. Depois, um workshop apresentou objetos que podem ser utilizados em situações de defesa, como canetas, copos, chaves de fenda, canivetes e facas, além de alguns tipos de armas de fogo.

Foto horizontal: três instrutores do Poder Judiciário posam sorridentes durante curso de defesa pessoal para mulheres. 

Na parte da tarde, o conhecimento saiu da teoria e foi para a prática. Magistradas e servidoras praticaram socos, chutes e técnicas para escapar de agarramentos, puxões de cabelo e imobilizações no solo. Os exercícios simularam situações nas quais a reação precisa ser rápida para interromper o contato, recuperar a mobilidade e sair do local. A juíza Ana Luisa Schmidt Ramos, da comarca de São João Batista, já havia participado dos cursos de tiro e direção defensiva do NIS e aguardava a capacitação em defesa pessoal. “É importante saber como se livrar de uma situação de risco. O que aprendemos aqui é uma segurança que pode ser útil por toda a vida.”

Para Daniela Aparecida Knorst, chefe de secretaria da comarca de Garopaba, o aprendizado vai além das técnicas de defesa. “Acredito que o curso dá empoderamento e liberdade para a mulher. Esse conhecimento possibilita que a gente tenha mais segurança.”

Lançamento da Cartilha

NIS e Cevid lançaram durante o curso a Cartilha de Defesa Pessoal para Mulheres do Judiciário. Com linguagem clara e objetiva, o material reúne orientações sobre prevenção, consciência situacional, segurança nos deslocamentos, no carro, em casa e no trabalho, além de informações sobre proteção digital, pedidos de ajuda e comunicação de situações de risco.

Foto horizontal: grupo de mulheres acompanha orientações de três instrutores durante curso de defesa pessoal, em sala preparada com tatames. 

Alguns exemplos: no carro, a orientação é manter distância suficiente do veículo da frente para permitir uma manobra e, caso perceba que está sendo seguida, não ir para casa, mas procurar um local movimentado, uma unidade policial ou outro ponto seguro. Ao chegar à residência, a recomendação é observar pessoas, veículos e movimentações fora da rotina antes de abrir o portão ou desembarcar. Outra medida de proteção é combinar uma palavra-código ou uma forma discreta de pedir ajuda a familiares ou pessoas de confiança. No ambiente digital, os cuidados incluem não divulgar a rotina e a localização em tempo real e proteger informações sobre residência, familiares e deslocamentos.

A publicação ressalta que as técnicas físicas precisam ser aprendidas e praticadas com acompanhamento de instrutores habilitados. Por isso, a cartilha funciona como material de apoio e não substitui o treinamento presencial supervisionado.

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