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Presidente do TJSC surpreende servidor com 50 anos de profissão com crachá "estrelado" - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina
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Presidente do TJSC surpreende servidor com 50 anos de profissão com crachá "estrelado"
Paulo Roberto Costa é oficial de justiça da comarca da Capital
08 outubro 2026 | 11h52min
"Eu sou um caçador por natureza. Meu território é a rua."
É assim que o oficial de justiça Paulo Roberto Costa, de 72 anos, se define ao completar 50 anos de profissão nesta quinta-feira, 8 de outubro, no Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC). Para marcar a data especial, o presidente do Tribunal de Justiça (TJSC), desembargador Rubens Schulz, surpreendeu o único servidor em atividade que ostenta a matrícula com apenas três dígitos - 949 - com um crachá "estrelado".
Cada estrela significa uma década de serviços prestados à sociedade catarinense. Casado há 45 anos e pai de um filho de 41 anos, Paulo concedia essa entrevista na Sala de Imprensa do Judiciário catarinense, terça-feira, 6 de outubro, quando recebeu a visita do presidente do TJSC, do diretor-geral administrativo, Alexsandro Postali, e do assessor da Presidência, Guilherme Corbetta.
"Pelo trabalho que o senhor e tantos como o senhor realizam diariamente, dando esse bom exemplo, é que o nosso Tribunal tem esse reconhecimento no Brasil inteiro. Eu sempre digo que todos nós nos orgulhamos muito de trabalhar aqui no Poder Judiciário. E ficamos cada vez mais orgulhosos, a cada vez que ouvimos uma história como a sua. Meus parabéns! Muito obrigado", reconheceu o presidente do TJSC.
Cabe ao oficial de justiça levar as decisões da Justiça para as ruas e executar as ordens emitidas pelos magistrados. Ele entrega mandados de citação, intimação, notificação e ordens semelhantes às partes envolvidas em um processo. Realiza penhoras, arrestos, sequestros, buscas e apreensões, despejos e prisões civis (como em casos de pensão alimentícia), entre outras atividades.
Emocionado, Paulo Roberto disse que sempre quis ser oficial de justiça. "Sempre trabalhei para elevar o nome do Tribunal de Justiça à primeira linha, sempre. Nunca foi diferente. Quando eu falo que trabalhei muito, falo em nome de todos os meus colegas. Nós trabalhamos muito e nós não afrouxamos. Porque nós precisamos estar na rua trabalhando", agradeceu, com a voz embargada, o servidor nascido em Florianópolis.
Início da carreira
Funcionário da área contábil da Florisa, Paulo Roberto foi avisado pelo tio, irmão de seu pai, que haveria um concurso para servidor do Tribunal de Justiça. Em um primeiro momento, após a aprovação, ele foi nomeado para o cargo de ajudante de escrivão, mas, no ano seguinte, foi empossado como oficial de justiça.
"No início, 75% do trabalho era realizado a pé. Saía da comarca às 7h e retornava às 19h. Tínhamos o carro à disposição apenas uma vez por semana, durante meio período, para cumprir as ordens no norte e no sul da Ilha", comentou o oficial de justiça, que ingressou na 1ª Vara Criminal da comarca da Capital.
Baleado no Monte Cristo
Durante as mais de duas décadas em que trabalhou na área criminal, Paulo Roberto atuou por quatro anos e sete meses no bairro Monte Cristo, onde estão as comunidades Chico Mendes e Nova Horizonte. Para cumprir as ordens judiciais, o oficial estabeleceu uma dinâmica de como proceder em locais arriscados.
A tática era sempre estar sozinho para não chamar a atenção. "Se você estiver em dupla, você se torna uma ameaça. Se vai com a Polícia Militar, você precisará estar sempre com os policiais. Mesmo assim, já fui ameaçado mais de cem vezes e, em certa oportunidade, bateram com a pistola no meio do peito, para eu não retornar àquele endereço", lembrou.
A convivência na comunidade mudou quando o oficial de justiça socorreu uma mulher que havia caído da laje. Sem pensar, ele colocou a mulher no próprio veículo e foi até o hospital. "O bairro Monte Cristo é composto por pessoas de bem, mas tem uma meia dúzia que incomoda. Já ajudei moradores a arrumar bicicleta, comprar remédios e tirar documentos. Mas, após socorrer a mulher, os moradores passaram a me ver de uma maneira diferente, porque a notícia correu internamente."
Apesar disso, Paulo Roberto foi baleado no bairro Monte Cristo ao desembarcar de seu automóvel, no dia 30 de outubro de 2014. Ele recebeu um tiro na perna e conseguiu dirigir até o batalhão da Polícia Militar para pedir socorro.
"O policial demorou a acreditar, mas recebi todos os cuidados. O problema é que um traficante havia sido preso na noite anterior e, além de ser a primeira pessoa (que representa o Estado) a chegar ao local, o substituto (do tráfico) não me conhecia. Tomei um tiro de graça", lamentou.
Despejos e amizades
O oficial de justiça rememorou a época em que realizava prisões. "Lembro de quando prendi um homem no Centro e, com uma estagiária da unidade que hoje é desembargadora, conduzimos o apenado de ônibus até a cadeia pública. No meu carro também era constante".
Em cinco décadas cumprindo ordens judiciais, foram muitos os momentos que marcaram a trajetória do oficial de justiça. "Por várias noites não dormi. Lembro de cumprir ordens judiciais, principalmente as que envolviam famílias, pois não tem como não ficar sensível a certas situações. A gente ajuda como pode, comprando algo e passando as informações corretas para a regularização dos problemas."
Outro fato curioso que marcou a carreira de Paulo Roberto foi uma amizade cultivada após cumprir cinco mandados de prisão contra o mesmo homem. O homem devia pensão alimentícia. "Nunca deixei de cumprir o meu compromisso, mas construímos uma relação. Por conta disso, já fomos até o Uruguai."
Para relaxar, o oficial de justiça gosta de pescar. Após sofrer dois infartos, em 2022 e 2025, ele não sabe até quando pretende trabalhar. "Hoje, estou vivendo um dia de cada vez".