Hoje, 12 de março, é comemorado o Dia do Bibliotecário. A data foi instituída pelo Decreto n. 84.631, de 9 de abril de 1980, em homenagem ao bibliotecário, escritor e poeta Manuel Bastos Tigre (1882-1957). No Judiciário catarinense, a data celebra outros rostos e nomes, como os de Marcilio Bagatin Silva, Maria José Maurício, Miriam Suzana Ensfeld, Nice Wajszcyk, Onir Alexandre Pereira de Sousa e Stela Marisa Coelho Thives, profissionais da área que atuam na Biblioteca Desembargador Marcílio Medeiros, do TJSC.
Primeira bibliotecária concursada do TJSC, a servidora Miriam Suzana Ensfeld, nomeada para o cargo em 24 de agosto de 1983, tem muitas memórias dos seus quase 43 anos de atuação. “Quando tomei posse no cargo, a biblioteca do TJSC era muito diferente de hoje. Naquela época, por exemplo, as lombadas com a classificação dos livros eram feitas com fita isolante e pintadas à mão com pincel e tinta branca. Depois a gente passava verniz e deixava o livro secando por uma semana”, recorda.

Ela lembra também que as pesquisas, hoje realizadas rapidamente por meio do sistema eletrônico Pergamum, pelo próprio usuário nos computadores, eram feitas pelos bibliotecários em fichas catalográficas datilografadas. Outra curiosidade da época, segundo ela, é que cada desembargador tinha uma mesa exclusiva na biblioteca.
“Os desembargadores iam muito à biblioteca fazer pesquisas. Cada um deles possuía uma mesa própria, que na época era como as mesas históricas hoje, de madeira maciça e tampo de vidro”, relembra. Ela também fala de saudade, após várias despedidas ao longo dos anos. “Éramos uma grande família”, garante.
Entre as funções desses profissionais estão, entre outras, realizar a seleção de novas obras disponíveis no mercado bibliográfico para integrarem o acervo; prestar atendimento aos usuários, inclusive através de pesquisas; adotar as providências necessárias à constituição e à manutenção do acervo de obras raras; e indexar, classificar, catalogar e digitalizar capas e sumários das obras adquiridas para as bibliotecas do Poder Judiciário.
“Os bibliotecários têm um papel fundamental para o PJSC. São eles que garantem a organização, a preservação e o acesso qualificado à informação. É um trabalho cuidadoso, silencioso e altamente técnico, que contribui diretamente para a memória institucional e para o acesso à informação que subsidia as decisões da Justiça catarinense”, reconhece Camila Bessa, chefe da Divisão de Memória e Biblioteca, vinculada à Diretoria de Gestão Documental e Memória do TJSC.
A profissão de bibliotecário foi regulamentada no Brasil no início da década de 1960, pela Lei n. 4.084, de 30 de junho de 1962, posteriormente complementada pela Lei n. 9.674, de 25 de junho de 1998. Mas há um registro curioso, localizado no Livro de Termo de Promessa, volume 1, de 1891 a 1938, do TJSC, que faz parte do acervo do Museu Desembargador Tycho Brahe Fernandes Neto. Em 2 de janeiro de 1936, o TJSC, à época “Corte de Apelação”, registrou a posse de Eurico Soares de Oliveira, nomeado por portaria do presidente Érico Ennes Torres para exercer o cargo de bibliotecário.
A Biblioteca do TJSC oferece seus serviços desde 1891. No ano de 1985, a Biblioteca recebeu o nome Desembargador Marcílio Medeiros, em homenagem ao saudoso magistrado, ex-presidente do Tribunal e grande incentivador da leitura. O acervo jurídico da biblioteca é um dos mais completos e atualizados de Santa Catarina. São aproximadamente 35 mil exemplares e inclui, além de livros e revistas científicas nas áreas do direito e da propedêutica jurídica, literatura, filosofia, história de Santa Catarina e outros temas.
O Poder Judiciário catarinense ainda conta com três bibliotecas setoriais, que estão localizadas na Academia Judicial, em Florianópolis, em Joinville e em Tubarão.