Semana do Registre-se! e do PopRuaJud encerra com atendimento a quase duas mil pessoas - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Semana do Registre-se! e do PopRuaJud encerra com atendimento a quase duas mil pessoas

Num só espaço, cidadão saiu da invisibilidade, conseguiu documentos e obteve chance de recomeçar

17 abril 2026 | 17h11min

Com filas desde as primeiras horas da manhã e atendimentos que mudaram rumos de vida, encerrou nesta sexta-feira, 17 de abril, a Semana Nacional do Registro Civil – Registre-se!, realizada em conjunto com o PopRuaJud, no Ginásio de Esportes do Instituto Estadual de Educação, em Florianópolis. A iniciativa, promovida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) em parceria com instituições públicas e privadas, ampliou o acesso à documentação básica, a serviços do sistema de Justiça e à rede de proteção social para pessoas em situação de vulnerabilidade.


 

Passaram pelo mutirão em busca de documentos, orientações e encaminhamentos fundamentais para o exercício pleno da cidadania 1.997 pessoas. Os serviços mais procurados foram certidões de nascimento e casamento, emitidas pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de Santa Catarina (Arpen/SC); documento de identidade pela Polícia Científica; emissão do título de eleitor pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE); e benefícios sociais pelo Cadastro Único (CadÚnico). Ao longo da semana, pessoas de diferentes regiões do estado, de outros estados do país e até estrangeiros encontraram no evento respostas que, muitas vezes, aguardavam há anos.

Uma dessas histórias é a de Adriely Cristina Abreu Damasceno, de 20 anos. Natural de Belém do Pará e moradora de Florianópolis há 10 anos, ela já havia passado por três entrevistas de emprego, mas teve a contratação barrada pela falta de documentos. Na quinta-feira, tudo mudou. Adriely conseguiu emitir a certidão de nascimento, fez o RG e o título de eleitor. O resultado foi imediato: começou a trabalhar hoje em uma instituição de ensino.

Foto Preto e Branco: mãos em leitor biométrico sobre mesa, ambiente interno, atendimento público, coletando digitais em preto e branco
 

Sua mãe, Carla Cristiane dos Santos Abreu da Silva, que acompanhou Adriely nos trâmites, destacou a importância do atendimento gratuito e concentrado. “Foi muito bom, muito importante. A minha filha teria que pagar para tirar a certidão. Às vezes a gente está correndo atrás de trabalho, pagando aluguel, contas, e não tem esse dinheiro naquele momento. Era o que ela estava precisando muito”, contou. Carla explicou ainda que a informação do mutirão chegou por meio da rede de apoio formada entre os próprios usuários do serviço. “Uma amiga veio aqui, tirou a certidão dela, da mãe e dos filhos e me avisou. Então a gente veio logo cedo”.

A dificuldade de acesso ao mercado formal de trabalho por falta de documentação também fez parte da trajetória de Everton da Rocha Padilha, de 23 anos. Desempregado, ele procurou o mutirão para obter o certificado de dispensa do serviço militar. “Muitas empresas pedem esse comprovante, e eu não tinha. Facilitou bastante para mim”, relatou. Everton contou que já perdeu oportunidades por não ter, além da dispensa, o título de eleitor. Atualmente trabalha como freelancer, ao cuidar de cães e atuar em eventos, mas deseja conquistar uma vaga com carteira assinada na área de atendimento ao cliente.

Atendimento em mesa do Centro Pop, salão interno, ação social, trocando documentos em tons preto e branco
 

Além da regularização documental, o mutirão também abriu caminhos para o acesso a políticas públicas. Iasmin Vieira da Silva, recepcionista e mãe de um menino autista de dois anos, buscou o atendimento do CadÚnico da prefeitura. “Vou incluir o meu filho para tentar conseguir o benefício para ele. Isso abre diversas oportunidades. Ele precisa de fono, terapias, e a fila pode levar de dois a quatro anos. Então estou tentando por aqui”, explicou ela.

O alcance do evento também foi internacional. O casal de namorados cubanos Daniela Fuentes Reyes e Arturo Perez Romero, há seis meses em Florianópolis, procurou orientações sobre o Registro Nacional de Estrangeiros (RNE), o RG para imigrantes que chegam ao país. “É o ponto de partida para todo o resto: abrir conta em banco, trabalhar, alugar um apartamento”, disse Daniela. Arturo destacou o atendimento acessível: “Aqui fomos atendidos rapidamente, em espanhol, o que facilitou muito. Estamos bem contentes”.

Foto colorida de atendimento com pessoas, salão interno azul e branco, ação social, preenchendo cadastro
 

“A Semana Nacional do Registre-se! e o mutirão PopRuaJud revelam, de forma concreta, o impacto transformador do acesso à documentação civil e à Justiça na vida de pessoas em situação de vulnerabilidade. Mais do que números expressivos de atendimentos, essas ações devolvem identidade, dignidade e pertencimento social a quem, muitas vezes, esteve invisibilizado”, destacou a desembargadora Rosane Portella Wolff, corregedora-geral do Foro Extrajudicial. Segundo ela, ao garantir direitos básicos, abre-se o caminho para o acesso a políticas públicas, trabalho, saúde e educação. “Para a sociedade, reforça-se o compromisso coletivo com a inclusão e a justiça social. Para quem participa, permanece a certeza de que promover cidadania é também um exercício profundo de humanidade” refletiu.

Para a presidente da Arpen/SC, Cristina Castelan Minatto, o principal resultado da semana é o enfrentamento da invisibilidade civil. “Muitas pessoas estavam invisíveis porque não tinham sequer a segunda via da certidão de nascimento, seja por vulnerabilidade social, falta de informação ou dificuldade de acesso aos cartórios. Nós conseguimos resgatar esse documento e devolver cidadania”, afirmou. Cristina também ressaltou o crescimento do Registre-se! a cada edição. “É a quarta semana nacional. A cada ano, mais órgãos participam, mais serviços são ofertados e o impacto é maior. Mesmo quando o documento não sai na hora, a pessoa sai daqui com informação, acolhimento e empatia”, ressaltou.


 

Realizada de 13 a 17 de abril, a ação integra as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e reúne o Registre-se!, política nacional de erradicação do sub-registro civil, e o PopRuaJud, programa voltado à ampliação do acesso à Justiça para a população em situação de rua. Entre os serviços oferecidos estavam a emissão de certidão de nascimento e casamento, carteira de identidade e título de eleitor, cadastramento e regularização no CadÚnico, orientação jurídica, encaminhamento para emprego, atendimento a imigrantes e serviços de saúde, como vacinação.

O PopRuaJud ainda terá mais duas edições em Santa Catarina, com mutirão previsto para os dias 27 e 28 de abril em Balneário Camboriú, ampliando a rede de cidadania iniciada nesta semana em Florianópolis.


 

Encerrada a programação, ficam sobretudo as histórias de quem encontrou, em um mesmo espaço, o documento que abrirá portas, o direito que esperava há meses e a chance concreta de recomeçar.

Veja, abaixo, o número total de atendimentos prestados de forma discriminada:

Carteira de Identidade Nacional = 441 feitas no IEE;

Arpen = 1.819 certidões;

Justiça Eleitoral = 311 agendamentos;

Pastoral do Migrante = 53 atendimentos;

OAB/SC = 122 atendimentos; 

DPE/SC = 280 atendimentos;

TJSC Núcleo de Direitos Humanos = 48 atendimentos; 

CEF = 74 atendimentos;

Receita Federal = 94 atendimentos;

MPE/SC = 11 atendimentos; 

Centro POP = 168 atendimentos;

OIM/ONU = 33 atendimentos;

MPF = 44 atendimentos;

TRT/SC = 37 atendimentos; 

MPT = 17 atendimentos;

Justiça Federal = 45 atendimentos.

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