TJSC promove palestra sobre escuta e prevenção do suicídio em ação do Setembro Amarelo - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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TJSC promove palestra sobre escuta e prevenção do suicídio em ação do Setembro Amarelo

Evento foi realizado pela Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida e Assessoria do Corpo de Bombeiros Militar

25 setembro 2025 | 18h09min

“No almoço de domingo, vamos deixar o celular de lado? Vamos conversar um pouco mais? Vamos nos escutar uns aos outros e compartilhar nossos sonhos, frustrações e dores? Isso está em falta.” Foi a proposta do voluntário José Vilela aos participantes da palestra “Saber Escutar é uma Arte”, realizada na tarde desta quinta-feira no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

O evento foi parte da programação da campanha alusiva ao Setembro Amarelo no Poder Judiciário de Santa Catarina, desenvolvida numa parceria entre a Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida (DSQV) e a Assessoria do Corpo de Bombeiros Militar (ACBM). Os palestrantes foram dois voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV), José Vilela Sobreira Sobrinho e Francisco Franco.

Durante a palestra, Vilela também relatou a vivência como voluntário do CVV há mais de 20 anos. A organização é reconhecida nacionalmente por seu trabalho de escuta acolhedora e prevenção do suicídio. Formado exclusivamente por voluntários, o centro atende pessoas que precisam conversar de forma sigilosa, sem julgamentos, críticas ou comparações – muitas vezes em situações de sofrimento emocional, solidão ou crises.

A iniciativa existe desde 1962 e iniciou suas atividades na cidade de São Paulo. Hoje, são 3,3 mil voluntários espalhados pelo Brasil. No ano passado, atendeu 2,7 milhões de pessoas no país. O CVV funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, por meio do número 188. “As pessoas não estão atrás de alguém que fale bonito. Elas estão necessitadas e sedentas de alguém que ‘escute bonito’. É escutar com compreensão, com um bom tom de voz, com respeito e empatia, e deixar de lado o julgamento e a crítica”, avalia Vilela.

O suicídio, lembra o voluntário, ainda é um assunto envolto em tabu. “Tem muito estigma em cima do suicídio. E como se rompe tabu e estigma? Levando informação e conhecimento. Assim foi feito no caso da Aids, assim foi feito no caso do câncer de mama – doença da qual, antigamente, se evitava falar o nome. Quanto mais conhecimento, mais podemos salvar vidas”, destacou.

Já o voluntário Franco alertou que o suicídio tem crescido entre os jovens de maneira alarmante – um grupo que, tradicionalmente, não era conhecido pela ideação suicida. O que falar e o que não falar para alguém que pensa em tirar a própria vida? “Mais importante do que o que falar ou o que não falar é se fazer presente. É o que faz a maior diferença. Acolha, se faça disponível, Mas fale com verdade, seja verdadeiro inclusive nessas horas. A disponibilidade, e a verdade dessa disponibilidade, a gente aprende praticando”, afirmou.

A médica Graciela de Oliveira Richter Schmidt, diretora de Saúde e Qualidade de Vida do TJ, lembrou que o Judiciário catarinense também oferece assistência emocional de forma remota ou presencial para magistrados, servidores e demais colaboradores, por meio do Programa Acolhe.

“Hoje, temos tudo o que precisamos. Só não temos tempo. Deixamos as nossas prioridades de lado, e precisamos resgatar o relacionamento com o outro e nos fazer mais presentes. Quando a gente realiza essa escuta verdadeira, algo ocorre dentro da gente – é uma via de mão dupla. É curativo para o outro e para a gente”, finalizou.

Confira a íntegra da palestra.

Veja mais fotos da palestra.

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