TJSC recebe coletivo de surdos em escuta ativa e cria GT para avanços institucionais - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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TJSC recebe coletivo de surdos em escuta ativa e cria GT para avanços institucionais

Reunião apontou caminhos para melhorar acessibilidade e atendimento aos surdos

31 março 2026 | 16h44min

O presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), desembargador Rubens Schulz, esteve reunido na tarde de ontem, 30 de março, no Salão Nobre da Presidência, com um coletivo de surdos da Grande Florianópolis. Em pauta, a busca de aproximação e diálogo para melhor acessibilidade desta parcela da população ao Judiciário catarinense. Segundo o Censo 2022 do IBGE, Santa Catarina tem 88.251 pessoas com dificuldade permanente para ouvir, mesmo com uso de aparelhos auditivos. O Estado é o nono em número de pessoas com deficiência auditiva no Brasil.


 

Participaram da reunião Sandra Lúcia Amorim, presidente da Associação de Surdos da Grande Florianópolis (ASGF); Rodrigo Rosso Marques, chefe do Departamento de Libras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e Simone Gonçalves de Lima da Silva, diretora do Câmpus Palhoça Bilíngue do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), além da psicóloga Priscilla Maina, da SAGF, e dos tradutores e intérpretes Juliano Viana, Tom Min Alves e Tatiane da Silva. O encontro foi intermediado pelo desembargador João Marcos Buch.

O presidente do TJSC iniciou a conversa ao explicar que gostaria de entender como as pessoas surdas, ali representadas por Sandra, Rodrigo e Simone, veem a atuação do Poder Judiciário de Santa Catarina, e que dificuldades elas têm. “Quero entender a realidade de vocês e saber como nós, do Poder Judiciário, podemos auxiliar. Enfrentar essa questão é um compromisso da minha gestão”, afirmou. Sandra, à frente da ASGF há 25 anos, destacou a importância desse encontro, porque, segundo ela, “é preciso conhecer a realidade do surdo para que as parcerias sejam efetivas”.


 

Rodrigo destacou que ainda há barreiras comunicacionais a serem vencidas: “A maioria dos surdos tem o português como segunda língua, eles não têm um domínio para fazer a coleta de informações pela leitura do site, por exemplo. Eles precisam de uma tradução”. Ele acrescentou que também é difícil encontrar pessoas nos postos de atendimento que entendam a Língua Brasileira de Sinais (Libras), de modo que o surdo não consegue ser atendido com qualidade.

Simone também destacou as barreiras comunicacionais como principais obstáculos para a acessibilidade do surdo. Explicou que muitas crianças surdas ainda não têm acesso à formação em língua portuguesa, nem em Libras. “Esse é um problema da área da educação que impacta qualquer setor da sociedade civil e a cidadania da pessoa surda”, explicou.


 

Sandra, por sua vez, contou que muitos surdos chegam à associação com a expectativa de que ela resolva casos de polícia, boletim de ocorrência, questões judiciais. “Os espaços precisam ter acessibilidade, com pessoas que saibam Libras para que possam realmente oferecer um atendimento às pessoas surdas. A gente precisa ter um fluxo-padrão de acompanhamento das pessoas surdas. É um desafio que deve se adaptar a diferentes espaços”, reforçou.

Ao final da reunião, o coletivo concordou com a criação de um grupo de trabalho para discutir, avaliar possibilidades e priorizar ações capitaneadas pelo Poder Judiciário a favor da acessibilidade da pessoa surda. “Existem muitas dificuldades, mas se nós não começarmos, não chegaremos a lugar algum. Então vamos começar, vamos enfrentar. Vamos construir algo para o futuro”, disse o presidente do TJ.

Confira a cobertura fotográfica desta reunião

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