03 setembro 2025 | 11h35min
Em Ponte Serrada, no Oeste, três servidoras do Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC) participaram de uma mobilização que busca a conscientização da comunidade local. A iniciativa envolveu as entidades e órgãos que compõem a rede de proteção e apoio à mulher vítima de violência. As servidoras aproveitaram para divulgar na mídia local o início dos trabalhos do grupo reflexivo, que objetiva a mudança cultural dos homens autores de violência.
Em 2024, foram registrados 181 crimes contra mulheres em Ponte Serrada. O índice colocou o município na terceira posição do ranking estadual em números proporcionais, considerando os 10.649 moradores segundo o Censo 2022. Neste ano, de janeiro a julho, foram 104 medidas protetivas deferidas. A campanha “Nenhuma cicatriz é mais profunda que o silêncio” resultou em quatro vídeos, dois podcasts e seis artigos. O conteúdo foi produzido pelas equipes representantes dos órgãos membros da rede de apoio a partir das necessidades observadas no dia a dia dos atendimentos. Gravação, edição e publicação ganharam força com a participação do portal Oeste Mais.
O início das atividades do grupo reflexivo de Ponte Serrada, em setembro, foi a abordagem escolhida para o artigo, podcast e vídeo. Com a chegada da juíza titular no último dia 25, serão dadas diretrizes nas decisões de medidas protetivas e, assim, serão compostos os grupos de homens autores de violência que participarão dos encontros para refletir sobre a violência, a responsabilidade e a construção de relacionamentos não violentos. O objetivo do projeto “Reflexos” é quebrar o ciclo da violência e promover mudanças culturais.
“As publicações que fizemos foram justamente para dar conhecimento à comunidade sobre esse novo trabalho. Quanto mais campanhas são feitas, mais mulheres denunciam. Esperamos que, com a divulgação, as informações cheguem a mais pessoas que podem procurar pelo serviço, além das determinações judiciais. Nossa expectativa com os grupos reflexivos é muito grande porque sabemos dos importantes resultados que apresentam em outras comarcas, onde a reincidência dos homens participantes fica próxima a zero”, ressalta a chefe de Secretaria do Juizado Especial, Debora Catarina Bernardi.
Na campanha, o Poder Judiciário esteve representado ainda pela oficiala de justiça Edna Cristina Fanfa Galvan e pela assistente social forense Francine Maria Lopes. No vídeo, elas tiveram o auxílio do psicólogo da equipe multidisciplinar da Secretaria Municipal de Educação, Marcio José Barbosa, e do psicólogo do Hospital Santa Luzia, Samuel Schmidt. Os dois profissionais são facilitadores de grupos reflexivos e atuarão nessa nova etapa da comarca.
As entidades que participaram da campanha foram:
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Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) - “O Creas como referência no atendimento psicossocial à mulher em situação de violência”
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Secretária de Assistência Social de Ponte Serrada - “Mês de conscientização e combate à violência contra a mulher”
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Ministério Público - “Não se cale diante da violência doméstica e familiar contra a mulher”
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Polícia Civil - “União e ação pelo enfrentamento à violência doméstica”
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Rede Catarina de Proteção à Mulher/Polícia Militar - “A atuação da Polícia Militar na prevenção à violência doméstica”
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Poder Judiciário - “Reflexos: a mão que fere também escolhe parar”.
Além da programação na mídia, as equipes realizaram palestras em escolas e caminhadas.
Produção
O diretor de jornalismo do portal Oeste Mais, Jhonatan Coppini, lembra que a ideia de produzir vídeos com no máximo um minuto e 30 segundos para redes sociais surgiu em uma reunião entre os órgãos de segurança pública que visavam estratégias para difundir a campanha. Apenas a participação da comarca sobre os grupos reflexivos foi editada com três minutos. As gravações foram feitas no estúdio do portal, em pouco mais de duas horas. Coppini conta que teve auxílio do colega diretor de marketing e negócios do portal, Jeferson Coppini.
“Infelizmente, noticiamos casos de violência contra mulheres quase que diariamente, inclusive feminicídios. Como veículo de imprensa, nossa missão vai além de informar. Também é nosso papel fundamental esclarecer e buscar a conscientização. Ficamos muito felizes em poder colaborar. Entendemos que a campanha é uma boa notícia pela possibilidade de evitar novas vítimas”, considerou o diretor de jornalismo.
Após milhares de visualizações, compartilhamentos e comentários, o resultado já é comemorado. “Acreditamos que os vídeos cumpriram com o objetivo de levar informações à comunidade, seja para vítimas ou para alguém próximo que, agora, sabe como procurar ajuda para que essa violência pare. E, felizmente, tivemos pessoas com conhecimento profundo para abordar esses assuntos tão necessários”, destaca Coppini.
O vídeo protagonizado pelas servidoras da comarca de Ponte Serrada pode ser conferido nas redes sociais do portal Oeste Mais. O artigo escrito pelas servidoras está disponível no site do veículo de comunicação.