31 outubro 2025 | 16h00min
“Ver” o prédio da sede do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) com as mãos. Essa foi a experiência vivida por associados da Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC) durante a visita à exposição histórica “50 anos do Palácio da Justiça Ministro Luiz Gallotti”, que celebra a trajetória arquitetônica e institucional da sede do Judiciário catarinense. Realizada nesta sexta-feira (31), a atividade fez parte de uma programação dedicada a conhecer os projetos de acessibilidade e inclusão do TJSC.
A mostra inclui uma maquete tátil do Palácio da Justiça, painéis visuais, documentos originais e recursos audiovisuais que ajudam a traduzir em formas, sons e texturas a história do edifício. Inaugurado em 3 de março de 1975, o Palácio é um marco do modernismo brutalista, caracterizado pelo concreto aparente, formas geométricas simples e imponência arquitetônica — resultado de uma obra longa e desafiadora concluída no fim de 1974.

“Nós, pessoas cegas, não temos ideia da beleza de um prédio como este. Não fazia ideia que ele é todo quadrado, que tem umas abas para fora. Na minha imaginação, e de muitas pessoas cegas, era um prédio como qualquer outro”, contou Jairo da Silva, vice-presidente da ACIC. “A partir do momento que toquei na maquete, percebi todas as nuances do que nos foi relatado. Nos sentimos pertencentes.”
Após conhecerem a exposição, os visitantes também exploraram a mostra “A Revolução de 1930 na Justiça e no cotidiano catarinense”, no Museu Desembargador Tycho Brahe Fernandes Neto, que conta com recursos de audiodescrição e experiência tátil. Pessoas com deficiência visual puderam, por exemplo, manusear duas armas históricas utilizadas por soldados legalistas durante o movimento — uma forma sensorial de reconectar-se ao passado.
“Temos essa oportunidade porque pessoas pensaram em pessoas. Isso é fundamental para uma sociedade mais equilibrada e justa”, destacou Silva. “Um simples QR Code, uma maquete, uma atitude como essa passa uma mensagem poderosa: nós também pertencemos ao mundo visual.”

Ao todo, foram audiodescritos 18 fotografias, nove páginas de processos judiciais, uma de livro de atas, duas páginas de jornais, um infomapa, duas armas e outras peças gráficas da exposição.
Para o servidor Rodrigo Lima, coordenador da Secretaria de Acessibilidade e Inclusão do TJSC, o propósito é garantir o acesso de todas as pessoas ao patrimônio histórico e cultural do Judiciário. “A finalidade é proporcionar acessibilidade e acesso universal. Buscamos constantemente aproximar o TJSC da comunidade”, afirmou. “Quando criamos ambientes acessíveis, acolhedores e que valorizam as pessoas, a prestação jurisdicional também se torna mais ampla e equitativa.”