Defesa da independência do Judiciário marca abertura de encontro nacional promovido pelo CNJ em Florianópolis - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Defesa da independência do Judiciário marca abertura de encontro nacional promovido pelo CNJ em Florianópolis

Evento tem como objetivo aprovar as Metas Nacionais da Justiça brasileira para 2026

01 dezembro 2025 | 23h39min

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, abriu nesta segunda-feira, 1º de dezembro, o 19º Encontro Nacional do Poder Judiciário, realizado no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. A cerimônia de abertura também contou com a presença do vice-presidente do STF, ministro Alexandre de Moraes.

O objetivo do encontro é avaliar a Estratégia Nacional do Poder Judiciário, além de aprovar as Metas Nacionais de 2026. Magistrados, magistradas, servidores e servidoras dos tribunais estaduais, federais, do Trabalho, eleitorais e militares participam do evento.

Na condição de anfitrião, o presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), desembargador Francisco Oliveira Neto, deu as boas-vindas aos participantes do Encontro Nacional e ressaltou a honra do Judiciário catarinense em poder receber um conjunto de pessoas que simboliza a grande expressão de um Poder Judiciário nacional.

“Temos, sim, diferentes atribuições, diferentes competências, mas todos fazem parte da mesma estrutura. Ao fazer parte dessa mesma estrutura, precisam, sim, pensar juntos a renovação, os compromissos, a celebração desses avanços conquistados. Que nós possamos, a partir das diferentes formas de compreender e das diversas expectativas que surgem também da sociedade em relação ao Poder Judiciário, construir essa unidade e realizar sua missão – que é uma importante parcela da soberania do Estado brasileiro”, observou.

Já o presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fez uma defesa veemente da República brasileira, da independência do Judiciário e da proteção às instituições, num cenário em que movimentos diários, nacionais e internacionais, tentam enfraquecê-las.

“Não toleraremos ilegítimas pressões, intimidações, tentativas de captura, nem ataques às bases republicanas do Poder Judiciário – venham de onde vierem. Por isso, dizemos sim a uma reforma integral de transformação republicana do Estado brasileiro, englobando todos os poderes, sem exceção. Mas dizemos enfaticamente não a reformas persecutórias dirigidas e que vulneram a independência do Judiciário. Estaremos firmes, vigilantes e unidos para impedir que a degradação institucional, que assombra outros países, encontre terreno fértil aqui”, disse o ministro Fachin.

Ele também frisou que magistradas e magistrados estão em Florianópolis a trabalho, para formular com rigor e responsabilidade a política pública judiciária da República. “Hoje, nesse 19º Encontro, renovamos nossos propósitos e nossos valores, quais sejam: a defesa intransigente da independência judicial; o compromisso com a transparência, a ética, a probidade e os direitos fundamentais; e a responsabilidade de entregar ao povo brasileiro um Judiciário mais acessível, mais moderno e verdadeiramente efetivo”, complementou.

O passado e o futuro da Justiça

Após a abertura oficial, a ministra aposentada do STF Ellen Gracie apresentou a palestra magna “CNJ – 20 anos depois: o que mudou no sistema de Justiça?”, que foi seguida pela conferência “O Poder Judiciário dos próximos 20 anos: o que esperar?” do jurista Oscar Vilhena Vieira.

A partir da criação do CNJ, Ellen Gracie citou várias iniciativas que tiveram impacto positivo no Poder Judiciário como um todo, entre elas o processamento eletrônico – com destaque para o sistema eproc – e, sobretudo, o sistema de precedentes, que trouxeram racionalidade para o sistema de Justiça.

“Ingressei na magistratura ainda sob a égide do regime anterior, e ele permitia a apresentação de uma série de pedidos intermináveis, que veiculavam exatamente a mesma tese jurídica, resultando no mais das vezes em uma miríade de decisões contraditórias. Com o cipoal de recursos que nossa legislação permite, os feitos vinham alcançar os tribunais superiores para efeito de uniformização muitos anos depois, em situação de absoluta insegurança jurídica a respeito das matérias”, analisou.

Já Oscar Vilhena Vieira mostrou estatísticas e indicadores que refletem a percepção do Judiciário pela sociedade não apenas no Brasil, mas em diversos países e continentes. Para reverter índices indesejáveis, o conferencista indicou a busca pela igualdade e consistência, e iniciativas para adquirir maior eficiência, imparcialidade e integridade.

“Não podemos esquecer que o Brasil é um país profunda e persistentemente desigual. A Justiça, se não incorporar essa divisão e essa lente para olhar os problemas nacionais, provavelmente nunca vai adquirir qualquer legitimidade. Ela tem que tornar-se mais sensível ao problema da desigualdade real que marca a vida do jurisdicionado”, complementou.

Nesta terça-feira, segundo dia de trabalhos, pela manhã, conselheiras e conselheiros do CNJ participam do painel “CNJ: Percepções e Perspectivas”. No período da tarde, estão programadas as reuniões setoriais que culminam no anúncio das Metas Nacionais do Poder Judiciário 2026.

Veja a cobertura fotográfica do evento.

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