Judiciário catarinense une-se a instituições estaduais no enfrentamento da violência contra mulheres - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Judiciário catarinense une-se a instituições estaduais no enfrentamento da violência contra mulheres

Evento reuniu instituições públicas e sociedade civil para discutir ações diante do aumento da violência contra mulheres no Estado

05 março 2026 | 15h16min

Cinquenta e dois homens subiram ao palco do auditório Antonieta de Barros, cada um com um sapato feminino vermelho nas mãos, diante de um público que lotou o espaço na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) nesta quinta-feira, 5 de março. No telão, os nomes das vítimas de feminicídio no Estado em 2025, acompanhados da idade e da cidade de origem. Um tambor marcou o ritmo do ato e, nesse compasso, representantes de diferentes setores da sociedade — do jornalismo ao esporte, da política à cultura — ocuparam o palco. Logo abaixo, uma faixa trazia a frase: “A culpa não foi delas”. Começou assim o seminário “Vivas e Decididas – contra o feminicídio”, com a participação do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

Organizado pela deputada Luciane Carminatti, o seminário reuniu representantes dos três poderes e de organizações da sociedade civil para discutir estratégias de enfrentamento da violência contra mulheres. Também foram anunciadas medidas voltadas ao enfrentamento do feminicídio em Santa Catarina, entre elas a criação de um Centro de Pesquisa de Enfrentamento do Feminicídio e o lançamento de uma carta política construída coletivamente.

A coordenadora adjunta da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Familiar (Cevid), juíza Naiara Brancher, representando o desembargador Rubens Schulz, presidente do TJSC, foi a primeira a falar no evento. Em sua manifestação, destacou a atuação rigorosa e ágil na punição dos crimes e também o trabalho de prevenção desenvolvido pelo Judiciário. Segundo ela, o enfrentamento da violência contra a mulher exige reduzir os obstáculos que dificultam que vítimas procurem ajuda, além de fortalecer instrumentos de proteção, como as medidas protetivas de urgência.

A magistrada também ressaltou o papel dos grupos reflexivos, metodologia que reúne homens em encontros estruturados para discutir atitudes e compreender as raízes da violência, com o objetivo de provocar mudança efetiva de comportamento. Naiara defendeu ainda uma mudança na forma como a violência contra a mulher é narrada no debate público, com o uso de frases na voz ativa que identifiquem diretamente os responsáveis pelos crimes. A observação foi aplaudida pelo público. “Mulheres não apanham. Homens batem em mulheres. Mulheres não são mortas. Homens matam mulheres”, afirmou.

Entre os 52 homens que subiram ao palco na abertura, a convite da deputada Carminatti, estava o desembargador João Marcos Buch. Ele defendeu que o enfrentamento da violência contra a mulher exige uma mudança profunda de postura dos homens, e apontou a necessidade de um compromisso ético coletivo com a igualdade de direitos. “É momento de virarmos essa página e fazermos uma revolução ética. O nosso futuro passa pelo respeito à mulher e pela igualdade de direitos”, afirmou.

Ao longo do encontro, o debate avançou sobre as raízes estruturais da violência contra mulheres. Participaram pesquisadores, magistrados, ativistas e convidados de reconhecimento nacional. O juiz-corregedor Raphael Barbosa, do Núcleo de Direitos Humanos da Corregedoria-Geral do TJSC, falou sobre masculinidades, poder e violência. As discussões reforçaram que os assassinatos de mulheres não constituem casos isolados, mas resultam de escolhas políticas, retrocessos e tolerância à violência.

A organização estimou a presença de mais de mil pessoas no seminário, que, além de lotar o auditório, ocuparam também o hall de entrada e outros espaços da Alesc.

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