Exposição sobre mulheres na Justiça é aberta com a presença das desembargadoras do TJSC - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Exposição sobre mulheres na Justiça é aberta com a presença das desembargadoras do TJSC

Destaque ao pioneirismo das primeiras magistradas e à participação feminina no Judiciário

10 março 2026 | 19h07min

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), em mais uma programação comemorativa do mês das mulheres, abriu oficialmente nesta terça-feira, 10 de março, a exposição “Travessia: mulheres na Justiça catarinense”. A cerimônia, que ocorreu no espaço cultural do TJSC, contou com a presença das desembargadoras homenageadas, cúpula diretiva do TJSC, autoridades externas, artistas convidados e público em geral. A exposição mostra como, ao longo de 134 anos de história, a presença feminina no Judiciário catarinense foi construída gradualmente, a partir do pioneirismo de Thereza Grisólia Tang (in memoriam).

“Esta mostra não apresenta apenas nomes, datas ou retratos. Ela revela um percurso histórico marcado por pioneirismo, silêncios e avanços graduais. Ela revela uma travessia. Uma travessia construída ao longo de décadas, de forma não linear e muitas vezes quase sem ser percebida”, destacou a desembargadora Haidée Denise Grin, presidente da Comissão de Gestão de Memória.

Emocionada, a desembargadora relembrou o simbolismo da data, Dia Internacional das Juízas, e destacou o pioneirismo e a coragem das primeiras mulheres a ingressarem na magistratura a partir da posse de Thereza Tang, como Ana Maria Leal Mendes, Orieta Passos Paulo Mariath e Odete Maria de Oliveira. “Essas mulheres não apenas ocuparam cargos: elas tornaram possível aquilo que antes parecia impossível. Elas abriram caminhos. Cada uma delas ampliou um pouco mais o espaço institucional para as gerações seguintes”, disse.

A magistrada também destacou o caráter reflexivo da exposição, ao convidar o visitante a pensar sobre como a presença feminina no Judiciário representa não apenas inclusão, mas também uma ampliação da própria ideia de justiça. “Toda instituição tem uma história. Mas algumas histórias precisam ser contadas para que continuem a existir”, enfatizou, ao relembrar que foram necessários 84 anos desde a instalação do Tribunal de Justiça para que uma mulher tomasse posse como desembargadora.

A desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), celebrou a data como “o dia de todas as desembargadoras brilharem no TJSC”. “Hoje é dia de celebrarmos e refletirmos sobre as travessias das mulheres no Poder Judiciário, de refletirmos sobre a beleza da história das mulheres que inspiraram o mundo. Que cada mulher que está aqui neste momento se sinta valorizada, amada, respeitada e empoderada”, afirmou. A desembargadora sugeriu que o projeto tenha seguimento e mostre o rosto e a história também de juízas, servidoras e colaboradoras que atuam no Judiciário.

Representante da Presidência do TJSC, o 1º vice-presidente, desembargador André Luiz Dacol, fez a fala de encerramento. Ele destacou a perseverança das mulheres ao transformarem desafios individuais em legados coletivos. “Esta tarde é acima de tudo um ato de justiça com a própria história. Nos reunimos para homenagear mulheres cujas trajetórias não apenas cruzaram a Justiça catarinense, mas a construíram. Mulheres que enfrentaram obstáculos, silenciosos ou declarados, e com uma coragem temperada de sensibilidade transformaram resistências em caminhos”, contextualizou.

O desembargador reafirmou o compromisso da atual gestão com um Judiciário cada vez mais inclusivo. “A travessia que dá nome a esta mostra não é um evento do passado, é um movimento contínuo. Que a presença feminina seja reconhecida não apenas como um dado estatístico, mas como a força estruturante da nossa instituição”, concluiu.

Compareceu à cerimônia a artista plástica catarinense Albertina Prates, conhecida por suas obras de arte figurativa em telas gigantes. Ela emprestou uma delas para a exposição, a pintura Santa Catarina de Alexandria, de três metros de altura. “Santa Catarina é um símbolo de fé, esperança, ao mesmo tempo que representa essa mulher que tem dentro de nós, que não abre mão dos seus pensamentos, não se deixa dominar”, comparou.

Da mesma forma, a servidora aposentada e presidente da Academia Catarinense de Letras Jurídicas (Acalej), Elizete Lanzoni Alves, também presente no evento, cedeu de seu acervo particular a pintura Anita Garibaldi, do ilustrador Cláudio Duarte (in memoriam), e uma foto emoldurada de Antonieta de Barros (de domínio público).

“Se hoje podemos reunir o nome de 25 desembargadoras nesta Corte, é porque muitas mulheres caminharam antes de nós. Caminharam quando o caminho ainda não existia. E foi assim que o caminho começou a existir”, observou a desembargadora Haidée.

Veja mais imagens do evento.

Assista ao vídeo da exposição:

 

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