Defesa pessoal para magistradas e servidoras reforça combate à violência contra mulher - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Defesa pessoal para magistradas e servidoras reforça combate à violência contra mulher

Iniciativa integra ações do Judiciário de SC para enfrentamento da violência doméstica

24 março 2026 | 17h44min

O número recorde de inscrições – mais de 200 – demonstra como o enfrentamento da violência é um assunto que hoje mobiliza as mulheres que atuam no Judiciário catarinense. Por conta disso, o Curso de Defesa Pessoal para Mulheres do Poder Judiciário, realizado na manhã desta terça-feira, 24 de março, no Auditório Thereza Tang, e destinado a servidoras e magistradas, também contou com mudanças pontuais em sua formatação.


 

Ao contrário da primeira edição, que foi realizada apenas no período da tarde, o curso de hoje durou oito horas e contou com 16 participantes. Com foco na prevenção e autoproteção, a iniciativa é uma parceria entre o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NIS), a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), a Casa Militar do TJSC e a Academia Judicial.


 

A iniciativa integra as ações do Judiciário catarinense que atendem à Recomendação n. 102/2021, do Conselho Nacional de Justiça, voltada à adoção do Protocolo Integrado de Prevenção e Medidas de Segurança para o enfrentamento da violência doméstica contra magistradas e servidoras.


 

Os instrutores foram o tenente-coronel Joanir Ricardo Pereira dos Santos, chefe da Divisão de Segurança Institucional do NIS; a assessora jurídica da Cevid Fernanda Carioni; a sargento Angela Souza, da Casa Militar; e a policial civil Bruna Mafra Castilhos, do NIS.


 

A introdução foi realizada pela coordenadora da Cevid, desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, que destacou também o Programa Indira, pelo qual a Cevid e o NIS implementam a política institucional de prevenção e de medidas de segurança para o enfrentamento da violência doméstica e familiar praticada contra magistradas, servidoras e colaboradoras do PJSC.


 

“Parabenizo o NIS por esse que é o nosso segundo curso de defesa pessoal, que contou com mais de duzentas inscrições. Temos que procurar sempre nos defender. São dois os caminhos: lutar ou fugir. É difícil para nós, mulheres, dominar os nossos sentimentos e nossas reações. E é melhor saber que posso escapar de uma situação de perigo em vez de enfrentá-la”, observou a desembargadora, que também participou das atividades.


 

Pela manhã, as participantes foram iniciadas na Teoria da Defesa Pessoal, com introdução à defesa pessoal e consciência situacional. A turma tomou conhecimento dos fundamentos de golpes – a parte prática contou com demonstração e treino de golpes fundamentais, com ênfase na técnica correta e na utilização da força necessária. Depois, assistiram à demonstração de técnicas de defesa e saídas, e defesas contra estrangulamentos e agarramentos. Por fim, foi organizada uma sessão de perguntas e respostas, com o resumo do conteúdo abordado e uma reflexão sobre a importância da autoproteção e do empoderamento pessoal.

O desembargador Sidney Eloy Dalabrida, coordenador do NIS, destacou que "o expressivo número de inscritas para esta edição do Curso de Defesa Pessoal para Mulheres do Judiciário reafirma que a segurança institucional não se faz apenas com vigilância e tecnologia, mas, sobretudo, com o fortalecimento do capital humano. No NIS, compreendemos que o enfrentamento à violência contra a mulher exige uma postura proativa. Ao oferecermos ferramentas de consciência situacional e autoproteção para nossas magistradas e servidoras, estamos cumprindo rigorosamente as diretrizes do CNJ e consolidando uma cultura de prevenção que transcende as paredes do Tribunal. Nosso compromisso é garantir que cada mulher que atua no Judiciário catarinense sinta-se amparada e capacitada para identificar e repelir qualquer ameaça à sua integridade."


 

O tenente-coronel Joanir adianta que a próxima edição do curso será realizada em agosto, mês em que serão celebrados os 20 anos da Lei Maria da Penha. “Conhecimento é prevenção. A gente percebe que o enfrentamento da violência é assunto cada vez mais presente no dia a dia das mulheres do Poder Judiciário. As participantes demonstram muito interesse durante o curso, com depoimentos e observações que enriquecem a dinâmica das atividades”, destacou.


 

Para a técnica judiciária Sandra Kessler, que encarou uma longa viagem da comarca de Modelo a Florianópolis para participar da iniciativa, o curso é uma oportunidade para que as mulheres do Judiciário possam desconstruir algumas crenças e aprender a se portar nas situações de risco potencial.


 

“Aqui aprendemos a acreditar mais no nosso poder e na nossa força. A sociedade tradicionalmente criava mulheres e homens para normalizar situações que hoje são claramente violência física e psicológica. As mulheres estão se libertando, e percebem que está errado. Muitos homens, porém, não estão aceitando essa nova realidade, o que aumenta nossos riscos”, observa Sandra.

Confira a cobertura fotográfica do Curso de Defesa Pessoal para Mulheres do Judiciário .

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