A Escola Superior da Magistratura do Estado de Santa Catarina (Esmesc) promoveu na manhã desta quinta-feira, dia 26 de março, a aula magna do Curso de Preparação à Magistratura, tendo como convidado o presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), desembargador Rubens Schulz. A palestra teve como tema “Ser Juiz no século XXI: independência, humanidade e responsabilidade em tempos de transformação”.
O auditório da Esmesc lotou, tomado por estudantes de Direito, na sua maior parte oriundos do Centro Universitário Unicesusc. O presidente do TJ discorreu sobre o tema da palestra de maneira leve e informal – na prática, foi uma conversa descontraída, na qual também respondeu perguntas de convidados e acadêmicos.

Além do palestrante, a mesa de autoridades contou com a presença do vice-diretor-executivo da Academia Judicial do TJ, desembargador Edir Josias Silveira Beck; do diretor-geral em exercício da Esmesc, juiz de direito Paulo Eduardo Huergo Farah; do reitor do Unicesusc, professor Maurício Pereira Gomes; e da coordenadora e docente no curso de Direito do centro universitário, Christiane Heloísa Timm Kalb.
De início, Rubens Schulz declarou-se realizado e satisfeito por ter escolhido a carreira de magistrado, caminho trilhado nos últimos 34 anos. “Amo a magistratura. Sou extremamente feliz com a profissão que eu escolhi. Nesses anos todos, não posso reclamar de absolutamente nada. Fiz e tenho grandes amigos, nunca me senti preterido, discriminado. Pelo contrário, sempre me senti apoiado. A instituição – leia-se o Judiciário de Santa Catarina – nunca me decepcionou”, refletiu o presidente.

A seguir, adiantou aos presentes que não trataria de questões jurídicas, as quais os acadêmicos discutirão e estudarão muito. O olhar seria para os aspectos humanos inerentes à carreira de um magistrado. “O estudo que vocês eventualmente farão, sobretudo ao ingressarem na magistratura, é o do ser humano – não o das leis. Não há como ser um bom juiz sem compreender as pessoas. Esse estudo leva a uma autocompreensão. O profissional que não se conhece, automaticamente não conhece os outros. Na aplicação das leis, será um desastre, com consequências ruins para aqueles que devem ser acolhidos e tratados com humanidade, mesmo se condenados ou prejudicados por uma decisão judicial”, observou.
O desembargador Rubens dedicou boa parte da aula aos impactos das novas tecnologias na atividade jurisdicional. O mundo que se avizinha, explicou, evoluirá tecnologicamente de modo exponencial. A geração que está nascendo agora, por exemplo, nem sequer usará smartphones. Da mesma forma, o jurisdicionado que será atendido daqui a cinco anos não será o mesmo que existe hoje. A inovação e a inteligência artificial, por sua vez, já estão mudando radicalmente o dia a dia de um juiz.
“A partir do momento em que nós não pudermos tratar melhor o ser humano do que a tecnologia trata, seremos substituíveis. Por isso, temos que cumprir o nosso papel social. A imagem do Poder Judiciário não é propaganda – é a noção de que há utilidade social naquilo que fazemos e no modo como prestamos nossos serviços às pessoas”, frisou o presidente.

Também prestigiaram a aula magna o corregedor-geral da Justiça, desembargador Dinart Francisco Machado; o 3º vice-presidente do TJ, desembargador Márcio Rocha Cardoso; os desembargadores Jaime Ramos, Artur Jenichen Filho, Eduardo Mattos Gallo Júnior e João Marcos Buch; e o vice-presidente da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), desembargador aposentado Salim Schead dos Santos. O evento integrou a programação especial em celebração dos 40 anos da Esmesc.