Encontro de gestores do TJSC debate segurança psicológica no ambiente de trabalho - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Encontro de gestores do TJSC debate segurança psicológica no ambiente de trabalho

Objetivo foi promover reflexões e práticas voltadas à saúde mental

26 março 2026 | 18h45min

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) reuniu nesta quinta-feira, 26 de março, no Auditório Jurista Paulo Henrique Blasi, no Fórum da UFSC, diretores, gestores e assessores das áreas administrativas para debater a segurança psicológica no ambiente de trabalho. O evento, denominado “SOMA – Encontro de Gestores”, sigla que significa saúde, organização, mentalidade e ambiente, foi idealizado como um espaço de reflexão e desenvolvimento, voltado à construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, organizados e sustentáveis.

A médica especialista em saúde mental Camila Chuiozini e o parceiro executivo do Gartner, Jaime Nogueira da Gama, foram os palestrantes. A abertura contou com o 1º vice-presidente do TJSC, André Luiz Dacol; a juíza auxiliar da Presidência Cristine Schutz da Silva Mattos; e o diretor-geral administrativo, Alexsandro Postali. Desde o discurso de posse, o presidente do TJSC, desembargador Rubens Schulz, destacou que o foco da gestão seria a saúde mental de magistrados e servidores para melhorar o bem-estar nas 113 comarcas e demais unidades do Judiciário catarinense.

Para o 1º vice-presidente, o Poder Judiciário enfrenta uma crise silenciosa que não está nos processos, mas na saúde de seus servidores e magistrados, decorrente da pressão social no Judiciário pelo número cada vez maior de demandas. “Vivemos o paradoxo da produtividade com metas versus humanização. Como se faz isso? Como se chega ao equilíbrio nessa equação? Além disso, vivemos expostos à violência nas mídias sociais, porque somos os mais cobrados e criticados. Por conta disso, um terço dos integrantes do Judiciário nacional apresenta transtornos psíquicos e emocionais. E isso é muito grave”, anotou o desembargador André Dacol.

No próximo mês de maio ocorre a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), com foco em saúde mental, que obriga empresas e organizações a mapearem, avaliarem e controlarem riscos psicossociais — como assédio, sobrecarga e burnout — dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A nova norma exige “arquitetura de prova”, ou seja, registros documentais detalhados da gestão de riscos para evitar passivos trabalhistas. Além disso, reforça a responsabilidade da empresa contratante pela segurança dos trabalhadores terceirizados.

O diretor-geral administrativo lembrou que o evento foi, especialmente, uma pausa consciente em meio às rotinas intensas e pesadas. “Tivemos uma tarde de diálogo, de convivência, de escuta e, principalmente, de respeito ao trabalho que cada um dos servidores e servidoras realiza todos os dias. Porque quem está aqui sabe o que significa sustentar a estrutura administrativa do Tribunal de Justiça. Sabe o que é lidar com pressão, com responsabilidade, com prazos e, ao mesmo tempo, cuidar de pessoas. Isso não é simples. Por isso, hoje abrimos espaços para trocar experiências. Porque não existem ambientes saudáveis sem pessoas, sem serem consideradas como seres humanos”, observou Alexsandro Postali.

Especialista em saúde mental, a médica Camila Chuiozini começou o bate-papo afirmando que ainda existe muito preconceito contra quem sofre de depressão, ansiedade e transtorno bipolar. Assim, o presenteísmo está cada vez mais constante nas organizações, quando o colaborador está fisicamente presente no trabalho, mas mentalmente ausente ou com a produtividade reduzida devido a doenças, estresse ou falta de engajamento. Por conta disso, ela enalteceu a necessidade de as organizações e empresas adotarem ações visíveis para os trabalhadores que estão sobrecarregados.

“Não é possível ter uma pessoa saudável em um ambiente doente. Onde há segurança psicológica em um ambiente tóxico? A sobrecarga constante de trabalho leva a falhas, que geram ansiedade, depressão e transtornos. Por isso, é importante que o colaborador converse com o gestor para que se crie uma cultura organizacional. Precisamos mudar o modelo reativo para um cenário que antecipe essas doenças. O diagnóstico por meio de uma pesquisa de clima; a priorização por onde começar; o redesenho dos fluxos de trabalho; a liderança por meio da prática gerencial; o cuidado pelo acolhimento; e as métricas pelo monitoramento são estratégias fundamentais para tratarmos pessoas como seres humanos”, destacou a médica.

Por fim, o parceiro executivo do Gartner, Jaime Nogueira da Gama, abordou temas relacionados à liderança, à cultura organizacional e ao desenvolvimento de ambientes de trabalho mais seguros, produtivos e sustentáveis. “O ambiente de trabalho precisa ser agradável, sustentável e seguro, para que possamos conviver em comunidade de forma rica, no sentido da riqueza humana. O trabalho precisa ser a arte do ofício, e não um sacrifício. A dinâmica do mundo está assolando a sociedade de maneira impressionante e deixa a todos vulneráveis. Hoje, sofremos o reflexo da velocidade de movimento do mundo, que influencia a psique humana”, completou.

Veja mais imagens do evento.

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