Tribunal debate ética, saúde mental e exclusões silenciosas no ambiente de trabalho - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Tribunal debate ética, saúde mental e exclusões silenciosas no ambiente de trabalho

Palestras abordaram cultura organizacional, respeito e prevenção de violências

08 maio 2026 | 15h36min

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) realizou nesta sexta-feira, 8 de maio, no Auditório Ministro Teori Zavascki, o evento “Ética em Dia: integridade e cultura organizacional no serviço público”. A iniciativa foi organizada pela Comissão de Ética e Conduta, criada na instituição em 2024, em parceria com a Academia Judicial.

Foto horizontal: o desembargador Marcio Rocha Cardoso discursa ao microfone em sessão institucional, traje formal e expressão séria, ambiente solene, clima de autoridade e relevância 

Integraram a mesa de abertura o desembargador Marcio Rocha Cardoso, 3º vice-presidente do TJSC; o diretor de Capacitação de Serviços Judiciários da Academia Judicial, juiz Romano José Enzweiler; o diretor-geral administrativo do TJSC, Alexsandro Postali; a servidora Carolina Rodrigues Costa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Santa Catarina (Sinjusc); e a presidente da Comissão de Ética e Conduta (CEC), Haydée Fernanda Loppnow.

Subir a régua

A servidora Alessandra Ludwig conduziu a segunda mesa do evento, dedicada às palestras e debates sobre o tema. Participaram dessa etapa a desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, o professor Vanderlei de Oliveira Farias e a presidente da Comissão de Ética e Conduta.

Em sua palestra, a presidente Haydée defendeu que o Código de Ética e Conduta do Judiciário catarinense deve servir como instrumento para elevar a qualidade das relações e decisões no ambiente institucional.

Foto horizontal: mulher segura microfone durante participação em mesa de debate, demais integrantes ao fundo aplaudem, ambiente institucional, clima de acolhimento, diálogo e reconhecimento coletivo. 

Para ela, a ética representa um passo além da obrigação legal e estimula todos a “subirem a régua” da atuação profissional. “Quando eu quero sair do mínimo aceitável e ir para o excelente, aí nós estamos entrando no campo da ética”, disse. De acordo com a presidente, ao abrir esse espaço para os servidores debaterem e pensarem sobre ética, o Tribunal mostra o quanto avança.

Tempos difíceis

Na sequência, o professor Vanderlei de Oliveira Farias ministrou a palestra “O que é Ética?”. Graduado em Filosofia e Psicologia, com doutorado na Alemanha, ele foi instrutor dos cursos da Comissão de Ética Pública da Presidência da República e participou do desenvolvimento do Código de Ética do Banco do Brasil. Hoje, atua na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), e é autor do livro “Entre Outros: metáforas para tempos difíceis”.

O palestrante defendeu a ideia de que ética não é apenas um conjunto de normas ou decisões tomadas racionalmente, mas uma construção cotidiana baseada no reconhecimento do outro, no respeito e na responsabilidade coletiva. Segundo ele, “falar de ética é falar de relações humanas”.

Ao longo da palestra, o professor Vanderlei argumentou que ambientes institucionais saudáveis dependem de conexões emocionais significativas, capazes de fortalecer confiança, cooperação e senso de pertencimento.

Foto horizontal: homem discursa ao microfone durante evento no plenário do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, mesa de autoridades ao fundo e decoração floral em destaque, ambiente institucional 

Segundo ele, relações fragilizadas favorecem isolamento, indiferença e até situações de assédio. O professor chamou atenção para gestos cotidianos capazes de reforçar a exclusão dentro do ambiente profissional, como ignorar colegas, deixar de cumprimentar ou agir como se determinadas pessoas não existissem. “A melhor forma de excluir alguém é não reconhecê-la”, observou.

Por fim, o palestrante defendeu que a construção de ambientes éticos passa pela escuta, pelo acolhimento e pela disposição de compreender as dificuldades emocionais das pessoas. Ao abordar situações de sofrimento e isolamento no trabalho, Vanderlei afirmou que pequenas atitudes transformam relações profissionais e reduzem conflitos. “A ética produz saúde mental”, destacou.

Exclusões silenciosas

Após as duas palestras, a desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho levantou questões sobre relações humanas, respeito e cultura institucional no ambiente de trabalho. Ela relacionou ética, saúde emocional e convivência coletiva ao defender relações de trabalho mais humanizadas nas instituições públicas. Ao comentar a palestra do professor Vanderlei, afirmou que muitas formas de sofrimento surgem justamente da indiferença e da incapacidade de reconhecer o outro no cotidiano profissional.

Segundo ela, o ambiente institucional se fortalece com empatia, escuta e responsabilidade coletiva. “Eu só existo quando o outro me reconhece. E isso faz bem para mim e faz bem para a outra pessoa”, afirmou. A magistrada ainda alertou para o risco da naturalização de violências e exclusões silenciosas dentro dos espaços de convivência. “Não podemos naturalizar a exclusão nem a indiferença dentro dos ambientes de convivência”, destacou.

oto horizontal: a desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho fala ao microfone durante evento institucional no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, ambiente solene, clima de participação e diálogo. 

A magistrada integra a Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, ao Assédio Sexual e a Todas as Formas de Discriminação (CPEAMAS) e está à frente da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), ambas do TJSC.

Prevenção

A Comissão de Ética e Conduta é vinculada à Presidência do TJSC e atua no recebimento, instauração, e análise de procedimentos relacionados à aplicação do Código de Ética e Conduta do Judiciário catarinense (Resolução TJ n. 22/2021). O órgão atua de forma preventiva e orientadora, sem atribuição disciplinar ou punitiva.

Foto horizontal: mesa de debate com autoridades no plenário do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, de casaco amarelo, ao centro, participantes ao lado, decoração floral em destaque, ambiente solene 

As atividades seguiram no período da tarde com palestras da assistente social do PJSC Ellen Caroline Pereira, sobre “Ética e Marcadores Sociais”; do juiz de direito Túlio Augusto Geraldo Parreiras, integrante do Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidades (CEGRAD), com o tema “Como Construir uma Cultura Organizacional mais Ética”; da professora da Universidade Federal de Santa Catarina Cristina Scheibe Wolff, que abordou “Atuação Ética no Ambiente Virtual”; e do servidor Marcos Leon Bianchi, responsável pela palestra “Ética no dia a dia: atendimento ao público interno e externo e urbanidade, integridade, compliance, cidadania”.

Confira cobertura fotográfica deste evento .

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