Entre caminhos e crenças: exposição resgata história e significado da Capela Ecumênica do TJSC - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Entre caminhos e crenças: exposição resgata história e significado da Capela Ecumênica do TJSC

Em quatro módulos, proposta convida o visitante a uma jornada de descoberta

15 maio 2026 | 14h45min

O Museu Desembargador Tycho Brahe Fernandes Neto abre na próxima segunda-feira, 18 de maio, no espaço cultural do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), a mostra “Entre caminhos e crenças: a Capela Ecumênica do TJSC”, que integra a programação da 24ª Semana Nacional de Museus. Inspirada no tema deste ano – “Museus unindo um mundo dividido” –, a exposição convida o público a redescobrir um dos espaços mais simbólicos do Tribunal.

Situada em meio a um jardim, voltada para uma praça e próxima a um movimentado ponto de ônibus, a Capela Ecumênica de Santa Catarina de Alexandria, do Tribunal de Justiça, é retratada como um local de pausa no ritmo acelerado da cidade, onde trajetórias e crenças se cruzam diariamente. O projeto é também um resgate de sua história, ligada ao translado, nos anos 2000, de duas relíquias de Catarina de Alexandria do Monte Sinai, no Egito, para Florianópolis, e de seu significado arquitetônico.

Foto horizontal: capela moderna em área externa do TJSC, jardins e edifícios ao redor, luz natural, tons verdes e claros. 

Mais do que exibir documentos, registros e imagens, o objetivo é contribuir para o fortalecimento da memória institucional. “A curadoria reúne fotografias históricas, projetos arquitetônicos e registros administrativos antes dispersos, além de novos conteúdos, como entrevistas e materiais audiovisuais”, conta Letícia Canut, chefe da Seção de Museu. Assim, segundo ela, a exposição assume também o papel de construção ativa da memória, conectando passado e presente por meio de relatos, significados e vivências.

Um percurso em quatro módulos

Imagem gráfica: banner da exposição “Entre Caminhos & Crenças”, com capela do TJSC, informações de data e local, tons terrosos. 

A exposição está organizada em quatro módulos, pensados para transformar a visita em uma jornada de descoberta. O percurso expositivo conduz o visitante de forma gradual até o espaço físico, fazendo um convite à visitação da Capela.

O primeiro módulo, “Um espaço no caminho da cidade”, apresenta a inserção da Capela no cotidiano urbano, destacando seu papel como lugar de encontro e acolhimento. O TJSC, nesse contexto, é apresentado não apenas como sede da Justiça, mas como ambiente acessível à população, onde também há espaço para a reflexão e o cuidado com as pessoas.

Em “Arquitetura e simbolismo”, o visitante conhece o projeto da Capela, cujo desenho evoca múltiplos significados, como o de mãos unidas em oração. “Estudei sobre a vida dela (Catarina de Alexandria), como ela foi martirizada por uma roda. As próprias ‘cascas’ da Capela parecem alguma coisa relativa a uma roda, olhando de cima: a roda de Santa Catarina. Ela é um botão de uma rosa, mas também é uma arma de martírio. Dois significados bem antagônicos”, descreve o arquiteto responsável pelo projeto, Aldo Luiz Eickhoff, servidor aposentado do TJSC. Para Eickhoff, cada elemento arquitetônico carrega uma dimensão simbólica que dialoga com a espiritualidade humana. “A Justiça não é só uma tábua de leis, de restrições. Ela tem que ter esse componente espiritual, humano, de elevação, de valorização da pessoa”, defende.

O terceiro módulo, “A relíquia e sua história”, mergulha na tradição de Santa Catarina de Alexandria, cuja presença simbólica na Capela conecta memória, cultura e identidade local. É nesse contexto que emerge a dimensão humana do dia a dia. “Eu vi que aquilo realmente unia as pessoas por uma coisa maior, que é Deus, independentemente da religião... Ali eu vi, assim, que não é só um emprego, eu tenho uma responsabilidade com o local e com as relíquias”, conta Pedro Paulo Raimundo, recepcionista da Capela.

Ele destaca ainda a riqueza dos encontros proporcionados pelo espaço. “Aqui é um ambiente em que eu conheço pessoas e aprendo muito com elas. A troca cultural, o conhecimento de outras religiões... isso, para mim, é todo dia uma escola diferente”, descreve. Raimundo também associa a história da santa à realidade contemporânea, ressaltando a força feminina que atravessa gerações. “A história de Catarina reflete a vida de milhares de mulheres. Essa força feminina está no nosso Estado”.

Encerrando o percurso, o módulo “Um espaço para todos” destaca a Capela como lugar de acolhimento universal. Mais do que um espaço religioso, ela se consolida como um ambiente de respeito, convivência e silêncio, onde todos são bem-vindos.

“A exposição ‘Entre caminhos e crenças’ convida o público a perceber a Capela Ecumênica não apenas como um espaço físico inserido no Tribunal, mas como um patrimônio simbólico de acolhimento, respeito e convivência. Ao reunir história, arquitetura, memória e experiências humanas, a mostra revela como determinados espaços, mesmo silenciosos no cotidiano, carregam significados profundos e ajudam a construir vínculos entre a instituição e a sociedade”, destaca a desembargadora Haidée Denise Grin, presidente da Comissão de Gestão de Memória do TJSC. Segundo ela, “mais do que apresentar documentos e registros, a exposição propõe um olhar sensível sobre a dimensão humana da Justiça e sobre a importância de preservar lugares que representam encontro, pluralidade e pertencimento”.

Em tempos de desafios e mundos divididos, “Entre caminhos e crenças” surge como um convite à união – uma oportunidade de reconhecer, no coração do Tribunal, um patrimônio que celebra a diversidade, o diálogo e a humanidade. A exposição ficará aberta até o dia 22 de maio.

Não perca:

Entre caminhos e crenças: a Capela Ecumênica do TJSC

De 18 a 22 de maio

Palácio da Justiça Ministro Luiz Gallotti, Tribunal de Justiça de Santa Catarina

Entrada gratuita

 

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