A desembargadora Ana Lia Barbosa Moura Vieira Lisboa Carneiro, que terá pedido de aposentadoria apreciado até o final deste mês, foi homenageada na manhã desta quinta-feira, 11 de junho, quando participou de sua última sessão em formato presencial na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
O presidente daquele órgão julgador, desembargador Carlos Alberto Civinski, deu início aos pronunciamentos que se sucederam, todos elogiosos à figura da magistrada que em breve se despedirá do Judiciário catarinense após 37 anos de carreira.
“Vossa Excelência encerra sua trajetória na magistratura catarinense após uma carreira construída com dedicação, integridade e profundo senso de responsabilidade para com a Justiça e para com aqueles que a ela recorrem”, afirmou Civinski, que entregou uma placa para registrar o agradecimento daquele órgão fracionário pelos serviços prestados pela desembargadora Ana Lia.
Para o presidente da câmara, a colega trazia confiança em seus votos. "Quem trabalhou ao lado de Vossa Excelência sabe: nenhum processo passava por suas mãos sem ser verdadeiramente estudado. Os votos chegavam ao gabinete repletos de grifos, destaques e anotações à margem – marcas visíveis de uma leitura atenta, minuciosa e respeitosa de cada peça, de cada argumento, de cada história humana contida nos autos. Para Vossa Excelência, os autos nunca foram apenas papel. Eram pessoas".
Os desembargadores Ariovaldo Rogério Ribeiro e Érica Lourenço de Lima Ferreira – que fez sua primeira participação em sessão nesta data; o procurador Luciano Naschenweng, em nome do Ministério Público; o advogado Sérgio Francisco Carlos Graziano Sobrinho, em nome da OAB; e o desembargador Edir Josias Silveira Beck (TJSC), colega de Ana Lia, também se manifestaram ao longo da sessão.
Muitos deles registraram passagens em comum na carreira da magistrada, ainda no 1º grau de jurisdição. Natural de Santana do Livramento-RS, ela ingressou na magistratura catarinense em 22 de maio de 1989 e atuou nas comarcas de Urubici, Sombrio, Urussanga e Criciúma, aonde chegou em 2001 e judicou até 2020, quando foi promovida ao cargo de desembargadora do TJSC.
Emocionada, auxiliada por lencinhos de papel para conter as lágrimas, a desembargadora contou que, ao ouvir os discursos, assistiu sua vida passar em desfile na memória. “Só posso expressar minha gratidão ao Poder Judiciário e aos tantos colegas com quem trabalhei nestes anos, sempre com integridade, compromisso e sensibilidade para ajudar na pacificação da sociedade, nosso maior objetivo”, resumiu.
Magistrada, aliás, que desde cedo demonstrou sensibilidade, para poucos detratores até “exacerbada”, ao tratar de temas delicados e direitos de pessoas vulnerabilizadas. Ainda juíza, já na área criminal, levou uma “novidade” para o cotidiano das celas do presídio Santa Augusta, em Criciúma, quase sempre às voltas com a rebeldia de seus detentos, a quem viabilizou a distribuição mensal de pastas de dente e sabonetes – doados por comerciantes locais – para o asseio da massa carcerária.
Os últimos cinco anos, todos eles cumpridos na composição da 1ª Câmara Criminal do TJ, foram “um grande aprendizado”, na definição da magistrada. Desde o prazer da convivência com os colegas até a adaptação aos julgamentos colegiados. Ensinanças e experiências que talvez sejam parte da explicação para a alta produtividade registrada nesse período pela 1ª Câmara Criminal do TJSC. Agora, na nova fase da vida que se avizinha, adianta: “Quero cuidar um pouco mais da Ana Lia, que sempre priorizou a distribuição de justiça, e dedicar mais tempo para ajudar na formação de minha netinha”.
Confira a cobertura fotográfica completa desta sesssão da 1ª Câmara Criminal do TJSC.