TJSC leva cidadania e proteção às mulheres indígenas em ação na Terra Indígena Laklãnõ - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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TJSC leva cidadania e proteção às mulheres indígenas em ação na Terra Indígena Laklãnõ

Corregedoria Extrajudicial realizou 263 registros de etnia, e Cevid entregou cartilhas da Lei Maria da Penha em xokleng

11 junho 2026 | 15h27min

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) participou da primeira edição do projeto “Ouvir, Proteger e Garantir: Defensoria nas Aldeias”, promovido pela Defensoria Pública de Santa Catarina nos dias 9 e 10 de junho, na Terra Indígena Laklãnõ, em José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí. A ação levou serviços essenciais diretamente às comunidades indígenas e reuniu diversas instituições em uma mobilização inédita voltada à promoção da cidadania e do acesso à Justiça.

Representando a Corregedoria-Geral do Foro Extrajudicial, a desembargadora Rosane Portella Wolff acompanhou as atividades desenvolvidas no território indígena por meio do projeto Cidadania Originária. Durante os dois dias de atendimento, a equipe da Corregedoria-Geral do Foro Extrajudicial realizou 263 atendimentos relacionados à inclusão da etnia em certidões de nascimento, garantindo que indígenas adequassem seus registros civis à sua identidade étnica. A iniciativa contou ainda com o apoio da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de Santa Catarina (ARPEN-SC).

Foto horizontal: grupo de participantes e autoridades posa em atividade na Terra Indígena Laklãnõ, registro coletivo em ambiente comunitário, clima de integração, diálogo e ação social. 

Os atendimentos foram realizados na Escola Indígena de Educação Básica Laklãnõ, na Aldeia Prypatol, beneficiando moradores de diferentes comunidades da Terra Indígena Laklãnõ. Além da inclusão da etnia nos registros, a população teve acesso a diversos serviços oferecidos pelas instituições parceiras, como emissão de documentos, orientações jurídicas, atendimentos previdenciários e assistência em demandas relacionadas à infância e juventude.

A programação contou também com a participação da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), do TJSC. A atividade foi conduzida pela juíza Manoelle Brasil Soldati Bortolon, da comarca de Ibirama, que entregou a cartilha da Lei Maria da Penha traduzida para a língua xokleng e conversou com as mulheres indígenas sobre os direitos garantidos pela legislação e os mecanismos de proteção disponíveis em casos de violência doméstica e familiar.

Desenvolvida pela Cevid em parceria com o Conselho Estadual dos Povos Indígenas (Cepin), a publicação apresenta, de forma acessível, informações sobre a Lei Maria da Penha. A versão é a terceira produzida pelo projeto. As edições em guarani e kaingang foram lançadas anteriormente para atender as principais etnias indígenas do Estado. Santa Catarina abriga aproximadamente 14 mil indígenas dos povos guarani, kaingang e xokleng, distribuídos em cerca de 57 aldeias e três mil famílias em 20 municípios.

Para a desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, coordenadora da Cevid, a iniciativa amplia o acesso à informação e fortalece a prevenção das mulheres indígenas. "O que nós queremos é que todas as mulheres possam viver uma vida plena, com dignidade e livres da violência", afirma.

A iniciativa integrou uma ampla força-tarefa coordenada pela Defensoria Pública de Santa Catarina, com a participação do TJSC, Defensoria Pública da União, Ministério Público Federal, Polícia Científica de Santa Catarina, ARPEN-SC e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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