Caminhos Literários usa arte como ferramenta de superação e transformação social - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Caminhos Literários usa arte como ferramenta de superação e transformação social

Projeto levou cultura, expressão e inclusão a jovens do socioeducativo de SC

07 julho 2026 | 09h31min

Adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em Santa Catarina participaram da 5ª edição do projeto "Caminhos Literários no Socioeducativo: pelo direito à cultura", iniciativa promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com o apoio do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), as atividades ocorreram nas unidades de Lages e Criciúma e utilizaram a cultura e o movimento hip-hop como ferramentas de expressão, inclusão e transformação social.

Já o evento previsto para o Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) de São Miguel do Oeste precisou ser transferido e será realizado na próxima sexta-feira, 10 de julho.

 

Na Casa de Semiliberdade (CSL) de Lages, a programação foi desenvolvida em 1º de julho, com uma oficina de street dance ministrada pelo professor de dança Robson Oliveira, da Fundação Municipal de Cultura. Participaram da atividade nove adolescentes da unidade.

 

Durante a oficina, os participantes aprenderam e praticaram passos básicos de dança, em uma proposta que uniu cultura, expressão corporal e convivência. A atividade despertou grande interesse dos adolescentes, que participaram ativamente de todas as etapas do evento.

Segundo o coordenador pedagógico da CSL de Lages, Edson Vanderlei Rosar, a iniciativa proporcionou benefícios que vão além do aprendizado artístico. “Os adolescentes exercitaram a saúde, a disciplina e a convivência social, despertando relações mais pacíficas e respeitosas. Essas ações fortalecem vínculos, revelam talentos e preparam cada um desses jovens para uma reintegração positiva na sociedade”, destacou.

 

Um dos aspectos observados pela equipe durante a atividade foi a mudança na interação entre os participantes. Adolescentes que costumam adotar uma postura mais introspectiva passaram a interagir de forma positiva com os colegas, com destaque para o fortalecimento dos laços do grupo e a ampliação das oportunidades de convivência.

A experiência também contribuiu para demonstrar que a dança pode ser acessível a todos. Mesmo aqueles sem nenhum contato prévio com a modalidade conseguiram executar os movimentos básicos do street dance. “Mais do que uma atividade cultural, a oficina se tornou um espaço de pertencimento, expressão e reconstrução da identidade”, destacou o coordenador.

 

Os ensaios, horários e coreografias estimularam valores como compromisso, concentração e perseverança, enquanto as atividades coletivas favoreceram a cooperação, o respeito às diferenças e a confiança entre os participantes. Para adolescentes em conflito com a lei, a vivência representou ainda a possibilidade de serem reconhecidos pelo talento, dedicação e capacidade de evoluir, e não pelos erros do passado.

 

O juiz Ricardo Fiúza, titular da Vara da Infância e Juventude da comarca de Lages, ressaltou a importância de iniciativas que ampliem o acesso à cultura no contexto socioeducativo. “Projetos como o Caminhos Literários demonstram que a socioeducação também passa pelo acesso à cultura, à arte e a novas formas de expressão. São experiências que estimulam o desenvolvimento pessoal, fortalecem a autoestima e ajudam os adolescentes a construir perspectivas positivas para o futuro”, afirmou.

Em Criciúma, acesso à cultura envolveu adolescentes do CASE e Casa de Semiliberdade

A Casa de Semiliberdade e o Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) de Criciúma foram dois dos quatro participantes de Santa Catarina na 5ª edição do projeto nacional, que é promovido em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Pelo primeiro ano dos Caminhos Literários, quatro adolescentes da Casa de Semiliberdade visitaram a Casa do Hip Hop Flor e Ser, em Criciúma, na última sexta-feira, 3 de julho, e puderam conhecer mais sobre o movimento cultural e artístico que une música, dança e arte como formas de expressão.

O grupo foi recebido pelos educadores da instituição e, além de conhecer mais sobre a história e o trabalho desenvolvido, assistiu a apresentações musicais e de dança. O encontro foi conduzido pelo produtor cultural Mawell Sanderr Flor, com participação dos artistas e educadores André Tavares, Gabriela Vieira e Richard Assis Flor e do rapper e produtor musical Vnegão.

 

A assistente social Priscila Moreira Fabre, integrante da Equipe Multidisciplinar do Grupo de Monitoramento e Fiscalização dos Sistemas Prisional e Socioeducativo (GMF) do TJSC, também presente na visita, destacou que “o evento vai muito além de proporcionar momentos de acesso à cultura aos adolescentes. Amplia os horizontes, entrelaça histórias e apresenta novas perspectivas”.

Quem também acompanhou a programação foi a assistente técnica estadual do Programa Fazendo Justiça (PNUD/CNJ), Marcela Guedes Carsten da Silva. Ela acredita que o evento cumpre seu papel ao promover a reflexão sobre o acesso à cultura e a articulação entre os atores responsáveis por garanti-la, especialmente em torno de um tema tão presente no imaginário da juventude como é o hip-hop. “Como foi possível observar, com o apoio dos voluntários da Casa do Hip Hop, tivemos um exemplo de como esse movimento é diverso e constituído por múltiplas linguagens, entre elas a dança, o rap e o grafite”, explicou.

 

Segundo o pedagogo da Casa de Semiliberdade de Criciúma, Guilherme Medeiros Honorato, o tema promovido para 2026 dialoga diretamente com a realidade e os contextos sociais que os adolescentes vivenciam. “Em parceria com a Fundação Cultural, tivemos o privilégio de conhecer a Casa do Hip Hop de Criciúma, que é um ponto de cultura da nossa cidade. Nesse evento, os adolescentes não só conheceram os elementos da cultura hip-hop, como puderam ouvir histórias de superação e, principalmente, de como a arte pode ser uma importante ferramenta de superação e transformação social”. A visita foi acompanhada pela também pedagoga da Casa de Semiliberdade Rozane Rodrigues.

 

O CASE de Criciúma, que mais uma vez participou do projeto, recebeu uma oficina de ritmo, poesia e produção audiovisual com o artista e produtor Vnegão, em que seis adolescentes produziram músicas e clipes de suas composições. Também acontece nesta quarta-feira, dia 8 de julho, uma oficina de grafite e arte urbana com o artista Ricardo Herok. Os trabalhos são acompanhados pelas pedagogas Renata Carlos e Ana Carolina Angeloni.

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