TJSC prestigia lançamento de guia para cobertura jornalística da violência contra mulheres - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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TJSC prestigia lançamento de guia para cobertura jornalística da violência contra mulheres

Publicação do MPSC e da ACAERT orienta profissionais sobre abordagem ética e responsável de casos de violência de gênero

17 agosto 2026 | 17h47min

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) prestigiou nesta segunda-feira, 17 de agosto, o lançamento do "Guia de Boas Práticas para a Cobertura Jornalística de Casos de Violência contra as Mulheres", de autoria da professora Melissa Amaral. Resultado de uma parceria entre o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e a Associação Catarinense das Emissoras de Rádio e Televisão (ACAERT), a publicação reúne orientações para uma abordagem mais qualificada e responsável do tema pela imprensa.

A desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), representou o presidente do TJSC, desembargador Rubens Schulz. “Este guia é uma iniciativa muito importante, porque oferece aos profissionais da comunicação instrumentos para uma cobertura ainda mais responsável e cuidadosa de um tema tão sensível. Uma informação qualificada, bem contextualizada, que não propague estereótipos e preconceitos, é fundamental no enfrentamento à violência. Informar é uma forma de educar. Por isso, a Cevid tem ido às escolas, tem conversado com os jovens e tem estimulado, por todo o Estado, os grupos reflexivos para autores de violência doméstica”, afirmou a magistrada.

O guia apresenta orientações que passam pela compreensão dos conceitos de gênero e violência, pelo respeito à dignidade e à privacidade das vítimas, pela contextualização dos casos, pela responsabilização dos agressores e pela proteção das mulheres e de seu entorno. Estão entre as recomendações evitar a culpabilização da vítima, justificativas ou romantização do crime, sensacionalismo e exposição desnecessária, além de divulgar serviços de apoio e canais de denúncia.

Ao apresentar a publicação, Melissa ressaltou que a maneira como a imprensa aborda esses casos pode ter efeitos que vão além da notícia. “O guia parte do entendimento de que a imprensa não relata exclusivamente acontecimentos, ela influencia percepções sociais, orienta comportamentos, divulga direitos, aproxima vítimas das redes de proteção e pode incentivar ou desencorajar a denúncia”, destacou.

 

De acordo com a procuradora-geral de Justiça do MPSC, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, que assina o prefácio da obra, a mudança na forma de abordar a violência contra as mulheres passa também por uma transformação no olhar dos próprios profissionais. “O guia vem em boa hora porque propõe não apenas boas práticas jornalísticas, mas uma nova forma de encarar o fenômeno da violência. Isso exige, antes de tudo, uma transformação pessoal”, afirmou.

Na avaliação do presidente da ACAERT, Mário Neves, o guia pode servir como instrumento de apoio e transformação. “Espero que contribua para um jornalismo que informe, mas também proteja; que noticie, mas também acolha; que registre a realidade, mas ajude a transformá-la.” Após a apresentação do guia, uma roda de conversa — conduzida pela procuradora-geral — reuniu a autora e profissionais da imprensa para discutir o papel da comunicação no enfrentamento da violência contra as mulheres. Participaram Schaina Marcon, jornalista do SBT; Elaine Simiano, coordenadora do Núcleo de Atendimento à Globo em Santa Catarina; e Juliana Rabelo, repórter da NDTV.

Baixe aqui o Guia.  

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