Psicólogos do PJSC unem conhecimento e sensibilidade para transformar histórias - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Psicólogos do PJSC unem conhecimento e sensibilidade para transformar histórias

No Dia do Psicólogo, profissionais relatam experiências marcadas por escuta, desafios e compromisso com a proteção de direitos

27 agosto 2026 | 14h13min

Eles escutam histórias difíceis, analisam contextos familiares, acompanham crianças e adolescentes, participam de processos de adoção e, entre inúmeros desafios, ajudam a traduzir aspectos subjetivos para dentro dos processos judiciais. No Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), 42 psicólogas e psicólogos efetivos exercem uma função que combina conhecimento técnico, ética e sensibilidade.

No Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, esses profissionais, de diferentes comarcas do Estado, compartilham como a Psicologia no Poder Judiciário se tornou para eles uma forma de compreender pessoas, contribuir para decisões e fazer a diferença em momentos decisivos.

Escutar para proteger

Foto horizontal: psicólogo Alfredo Alves Ferreira posa para retrato, sentado e olhando em direção à câmera. 

A trajetória de Alfredo Alves Ferreira até a Psicologia não seguiu um caminho tradicional. Antes de atuar no Poder Judiciário, ele trabalhou na área de laticínios e percorreu diferentes regiões do Brasil e até do exterior, experiência que despertou sua curiosidade sobre o comportamento humano. A vontade de compreender as pessoas o levou à graduação em Psicologia, concluída após conciliar o trabalho durante o dia e os estudos no período noturno. “Poderia dizer que foi a Psicologia que me encontrou”, resume o profissional.

Há dois anos atuando como psicólogo da comarca de Joaçaba e com 12 anos de formação, Alfredo encontrou na área jurídica um espaço onde sua atuação pode contribuir diretamente para a vida de crianças, adolescentes e famílias em momentos de grande vulnerabilidade. Entre as demandas mais frequentes estão processos de guarda, adoção, acolhimento institucional e conflitos familiares.

Se antes orientava pessoas sobre caminhos possíveis para uma melhor qualidade de vida, hoje ajuda a subsidiar decisões judiciais que impactam o futuro de muitas delas. “Meu trabalho se volta a orientar magistrados diretamente e, indiretamente, promotores na tomada de decisões sobre o melhor para a vida das pessoas”, afirma.

Para Alfredo, a principal missão da Psicologia no Judiciário é lançar luz sobre aspectos que nem sempre aparecem nos autos ou nos depoimentos. Em sua experiência, compreender as dinâmicas familiares, os conflitos e as vulnerabilidades envolvidas em cada caso é fundamental para que as decisões sejam as mais justas e protetivas possíveis. Uma situação marcante de disputa de guarda reforçou essa convicção ao mostrar que, muitas vezes, os detalhes mais importantes estão além do que é dito. “A atenção não deve estar apenas voltada para as coisas ditas, mas também para os detalhes ocultos das relações que a Psicologia consegue entender”, destaca.

Escuta e proteção

 

Formada em Psicologia desde 2015, Andressa Bahr Celestino atua na Vara da Infância e Juventude da comarca de Joinville e está no Poder Judiciário desde janeiro de 2023. Seu trabalho é voltado à Psicologia Forense, especialmente em demandas relacionadas à proteção integral de crianças e adolescentes, com avaliações psicológicas em processos de medidas de proteção, acolhimento, destituição do poder familiar, guarda, entrega legal, habilitação para adoção e adoção.

O cotidiano envolve entrevistas, observações, análise documental e, quando necessário, aplicação de instrumentos psicológicos privativos, a partir dos quais são elaborados laudos e estudos técnicos que auxiliam o Poder Judiciário na tomada de decisões. Em casos de acolhimento, reintegração familiar ou adoção, o acompanhamento pode se estender por períodos mais longos. Entre os desafios estão situações de sofrimento emocional, conflitos familiares, rupturas de vínculos e casos complexos, que exigem uma postura técnica, ética e imparcial, sempre tendo como referência o melhor interesse da criança e do adolescente.

Um caso que a marcou foi o acompanhamento de uma situação de entrega legal para adoção. Diferentemente do que muitas vezes é observado em contextos de vulnerabilidade ou ambivalência em relação à decisão, a genitora demonstrava convicção e clareza sobre sua escolha. Ela relatava que, desde o início da gestação, sentia que estava gerando aquela criança para outra família e que não se percebia ocupando o papel materno após o nascimento. “Todo o processo foi conduzido de forma cuidadosa e respeitosa, permitindo que sua decisão fosse acolhida dentro dos parâmetros legais e éticos. Essa experiência reforçou a importância de evitar julgamentos e compreender que as vivências relacionadas à maternidade são singulares, exigindo escuta qualificada e respeito à autonomia das pessoas envolvidas”, relata Andressa.

A psicóloga também considera especialmente marcantes os casos que envolvem grupos numerosos de irmãos. Nessas situações, cada criança ou adolescente apresenta necessidades, vínculos, histórias e formas de adaptação próprias. O desafio está em olhar para o grupo familiar sem perder de vista a individualidade de cada um, buscando soluções que atendam às necessidades de proteção, desenvolvimento e pertencimento de todos os envolvidos. “Essas experiências reforçam diariamente a importância de uma atuação cuidadosa, interdisciplinar e centrada no melhor interesse da criança e do adolescente, reconhecendo que cada caso exige uma análise única e aprofundada”, frisa.

Desde o começo

Foto horizontal: psicóloga Amanda Bicca posa sorridente para retrato, usando óculos e olhando em direção à câmera. 

Assim que soube que o TJSC realizaria o primeiro concurso para contratação de psicólogos, Amanda Bicca se interessou. Na verdade, a psicóloga forense da comarca de Concórdia, empossada em 2009, sentiu-se desafiada. “Na época, eu atuava na área da psicologia clínica, como servidora municipal, em outra cidade. A psicologia forense era uma área de atuação até então pouco conhecida para mim e que acabou ampliando muito meus conhecimentos”, conta.

Nestes 17 anos de serviços prestados ao TJSC, Amanda lembra que foram diversas as situações marcantes, tanto pelas experiências gratificantes quanto pelos momentos desafiadores. A servidora conta que sempre se interessou por conhecer mais sobre o comportamento humano e os fatores que podem interferir em nossas ações, pensamentos e sentimentos. Por isso escolheu a Psicologia como formação, ainda sem imaginar que atuaria na área jurídica.

Mesmo depois de tanto tempo, a motivação é diária. “O fato de lidarmos com situações diferentes a cada dia e podermos, de alguma forma, utilizar nossos conhecimentos para proteger os interesses de crianças e adolescentes, bem como auxiliar na resolução de conflitos familiares, renova o ânimo e a vontade de aprimorar cada vez mais nossa atuação profissional”, revela.

Possibilidade de fazer a diferença

Foto horizontal: psicóloga Joana Patricia Anacleto de Assis posa sorridente para retrato, sentada em uma poltrona e olhando em direção à câmera. 

A escolha pela profissão de Joana Patricia Anacleto de Assis, psicóloga da comarca de Criciúma, nasceu do desejo de estudar e compreender melhor os comportamentos humanos, suas especificidades, potencialidades e limitações, além do interesse pelo cérebro e pela mente humana. Foi com o primeiro concurso para psicólogos do TJSC que sua trajetória começou, dando início a quase 18 anos de atuação na Psicologia Jurídica no Judiciário catarinense.

“Acredito que o maior desafio é levar as questões subjetivas para dentro de processos que lidam, majoritariamente, com interpretações objetivas e pautadas em códigos e leis”, explica Joana. A rotina de trabalho envolve conflitos familiares intensos, situações de violência, disputas de guarda, rupturas de vínculos ou a necessidade de fortalecê-los, além da inserção de crianças e adolescentes em famílias substitutas. Diante de realidades tão delicadas, a atuação, segundo ela, exige “escuta qualificada, pautada em estudo técnico e livre de julgamentos”.

Entre as experiências mais marcantes estão os casos de violência extrema contra crianças, especialmente aqueles em que as vítimas são agredidas por pessoas que deveriam protegê-las. “São situações que nos lembram das responsabilidades que temos e de que, por trás de cada processo, existe uma pessoa que merece ser tratada com respeito e cuidado”, pontua.

É na possibilidade de fazer a diferença, mesmo que por meio de pequenas contribuições, que está uma das maiores satisfações da profissão. “É poder contribuir para o processo de decisão, levando a compreensão das necessidades de uma criança ou adolescente a partir de um olhar técnico e, ao mesmo tempo, humano.” A profissional ressalta ainda que o que a faz continuar escolhendo a profissão todos os dias “é poder transitar dentro desse universo que, embora marcado por normas e procedimentos muitas vezes rígidos, não precisa perder a sensibilidade”.

Psicologia que transforma vidas

Foto horizontal: psicólogo Leandro Pinheiro de Mello posa para retrato em seu local de trabalho, sentado à mesa diante do computador. 

Há quase 18 anos no TJSC, o psicólogo Leandro Pinheiro de Mello, 52 anos, encontrou na atuação forense uma forma de unir a carreira pública a uma busca pessoal: o desejo de entrar em contato com as realidades mais difíceis dos campos de atuação da Psicologia. Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com experiências na área hospitalar, ingressou no PJSC em janeiro de 2009. Desde então, passou pelas áreas criminal, de família e da infância e juventude, experiências que, para ele, contribuíram tanto para a formação profissional quanto para o crescimento pessoal.

No cotidiano da comarca de Itajaí, no Litoral Norte, Leandro se depara com situações que exigem conhecimento técnico, mas também “sensibilidade, entrega e prontidão, resiliência, reflexão contínua, senso de responsabilidade e de cooperação”, como ele mesmo destaca. Entre as experiências mais marcantes, cita a atuação na 1ª Vara Criminal, em casos relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes, e na Vara da Família, especialmente em questões de alienação parental. Atualmente, com atuação prioritária na Vara da Infância e da Juventude, afirma que as experiências transformadoras fazem parte da rotina. “Não há como não ser profundamente tocado e transformado nesse contexto de trabalho com crianças e adolescentes”, destaca.

Entre as maiores satisfações profissionais, ele cita os processos de adoção tardia e as adoções mais complexas, como as de grupos de irmãos, crianças maiores e adolescentes, trabalho que envolve a atuação conjunta das equipes psicossociais do Poder Judiciário e das instituições de acolhimento. “Quase não tem como expressar o quanto somos todos tocados nesses processos de aproximação para adoção. Compartilhar isso com colegas e pretendentes é algo muito significativo.”

Para Leandro, participar dessas aproximações e acompanhar os resultados dá sentido ao ofício. “Há a satisfação de realizar um trabalho relevante e significativo do ponto de vista humano e social, como psicólogo do Poder Judiciário. O trabalho profissional não é apenas um ganha-pão, mas também uma busca de sentido para a vida.”


Olhar para além dos papéis

Foto horizontal: psicóloga Luciana Rabello Silva posa sorridente para retrato em área externa, com céu azul ao fundo. 

Para Luciana Rabello Silva, atuar como psicóloga no TJSC, na Capital, é encontrar diferentes formas de contribuir para uma instituição feita por pessoas e para pessoas. Ao longo de sua trajetória, ela teve a oportunidade de levar a Psicologia para diferentes contextos, seja na Secretaria de Acessibilidade e Inclusão, em espaços de escuta e cuidado ou como instrutora em cursos, eventos e programas institucionais. Em todas essas experiências, um mesmo propósito se manteve: o de olhar para cada pessoa para além do papel que ocupa, reconhecendo suas histórias, singularidades, necessidades e potencialidades.

Luciana acredita que a Psicologia tem o poder de aprofundar o sentir, ampliar olhares, construir pontes e abrir possibilidades. É também uma forma de escutar aquilo que nem sempre consegue ser dito, favorecer o autoconhecimento e o pertencimento e criar espaços para que cada pessoa reconheça seus próprios recursos e possibilidades de evolução. “Atuar com Psicologia no Judiciário também é contribuir para o cumprimento da missão institucional, para a efetivação de direitos e para a construção de uma sociedade mais consciente, justa, inclusiva e humana”, define.

Essa atuação, segundo ela, também está diretamente relacionada à missão do Judiciário. Ao promover espaços de cuidado, reflexão e sensibilização, a Psicologia pode contribuir para transformações que ultrapassam o indivíduo e alcançam as relações, as equipes e a própria instituição. “Acredito que toda transformação pessoal pode produzir mudanças nas relações, nas equipes e nas instituições. E esses movimentos, quando se expandem, alcançam a sociedade.”

Ao longo da trajetória, ela aprendeu ainda que esse processo nunca acontece em uma única direção. Para ela, as pessoas transformam e também são transformadas pelos encontros e pelas experiências. “É uma honra fazer da Psicologia uma forma de estar com as pessoas e de contribuir, todos os dias, para a transformação que desejamos ver no mundo”. Para Luciana, é nesse lugar de escuta e transformação, aliado ao conhecimento técnico, à presença e ao afeto, que a Psicologia deixa de ser apenas uma profissão e se torna também uma forma de estar no mundo.

Assista ao vídeo produzido pela DCOM para o Dia do Psicólogo:

 

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