Primavera dos Museus traz palestra com professor indígena e coral infantil da aldeia - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Primavera dos Museus traz palestra com professor indígena e coral infantil da aldeia

Artista plástica também expôs obras sobre o tema

25 setembro 2015 | 16h16min

A noção de territorialidade sob a ótica do povo Guarani foi o tema central da palestra que marcou o ponto alto da programação da 9º Primavera dos Museus, evento organizado pelo Museu do Judiciário, em parceria com a Assessoria de Cerimonial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, e que faz parte da iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), desenvolvida por todo o país. O tema escolhido para este ano foi "Museus e Memórias Indígenas".

O professor Marcos Karai Moreira, formado no curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, pela Universidade Federal de Santa Catarina, e aluno especial do mestrado em Monitoramento Ambiental e Territorial da Universidade de Santa Catarina, abordou a questão explicando a amplitude do conceito que, na visão dos índios, abrange não apenas a terra, mas os sentimentos, a língua, a história, os costumes, os instrumentos e a relação que mantêm com tudo isso. A noção de território não tem limites para o povo Guarani.

"A questão do território envolve toda a questão da cosmologia indígena e o tempo certo para fazer o corte das árvores ou a plantação", afirmou Marcos. Ele também chamou a atenção para o direito consuetudinário das tribos, o que os permitiria construir suas aldeias onde considerassem mais apropriado. "Os limites foram colocados pela divisão política que não é a cultura do índio. A princípio, todos os territórios seriam indígenas", concluiu o professor.

Antes da palestra, houve a apresentação do coral indígena Tape Mirim, da Aldeia Morro dos Cavalos, formado por jovens de seis a 16 anos. Eles cantam a religiosidade do povo Guarani. Durante vários momentos as crianças cantaram, pois segundo sua crença, o canto é uma oração que atrai as energias necessárias para o momento.

Após a apresentação do professor Marcos, os palestrantes escutaram a exposição da cacique Eunice Antunes, da Terra Indígena Morro dos Cavalos. Formada em magistério bilíngue guarani e licenciatura indígena pela UFSC, a cacique tem o papel na aldeia de resolver a questão fundiária de demarcação de terras e o desenvolvimento sustentável para sua comunidade, incentivando a educação escolar indígena.

Ao final, os presentes foram convidados a conhecer a exposição no Museu do Judiciário que, além de apresentar fotos, objetos e artefatos produzidos pela tribo Guarani, expôs os quadros produzidos pela arquiteta e artista plástica Maria Lúcia Mendes Gobbi. A mostra "Filhos da Natureza" tem por objetivo não apenas mostrar a cultura indígena mas trazer uma reflexão sobre a questão da sustentabilidade.

Há seis anos, a arquiteta descobriu na cultura indígena um caminho para sua ânsia de entender a realidade do mundo e a mobilidade humana, dentro da arquitetura sustentável. "Somos ecologicamente analfabetos. É necessário uma mudança de olhar. Ao respeitarmos a natureza, observar o comportamento indígena, aprendemos o que realmente devemos fazer. A simplicidade traz a transformação", filosofa a artista.

O evento foi acompanhado de perto pelo desembargador Sérgio Heil e pela juíza de 2º grau Rosana Portella Wolff, grandes incentivadores da mostra, valorizada pela exposição das obras de Maria Lúcia e pela apresentação do coral Tape Mirim.

 

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