Como utilizar sujeito indeterminado? - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina

Dicas de português

Como utilizar sujeito indeterminado?

Todos aqueles que trabalham na área jurídica, ao redigir uma peça (seja como advogado, assessor, magistrado, analista jurídico), se deparam com a seguinte questão: usar a primeira ou a terceira pessoa?

É muito comum que se escolha a terceira pessoa, com o objetivo de conferir maior impessoalidade ao texto, fazendo uso do sujeito indeterminado. Contudo, é importante que a indeterminação do sujeito seja empregada da forma correta.

A premissa básica é que se a escolha foi pelo sujeito indeterminado no início do parecer, manifestação, sentença, acórdão, decisão administrativa, os parágrafos seguintes precisam manter a coerência com a indeterminação.

Quando no começo do texto há a frase “trata-se de ação” ou “trata-se de recurso”, possível perceber que o verbo está na terceira pessoa do singular, acompanhado do pronome SE e da preposição DE. No caso, o sujeito é indeterminado - desconhecido ou propositalmente suprimido por quem escreve.

Contudo, um erro muito frequente aparece no parágrafo seguinte. Isso porque, muitas vezes o sujeito em seguida passa de indeterminado para oculto:

Trata-se de ação ajuizada por XX … (sujeito indeterminado)

Sustentou que … (sujeito oculto)

Não há como deixar implícito algo que já é indeterminado. Só podemos ocultar aquilo que foi exibido. Se o sujeito é indeterminado no início, podemos determiná-lo. Depois de mencionar o sujeito expressamente, aí sim será possível ocultá-lo.

A solução, portanto, é escrever da seguinte maneira: “O autor sustentou que…”

Há um segundo equívoco que mistura sujeito indeterminado e sujeito determinado na mesma oração.

“Trata-se o caso de recurso administrativo”.

O interlocutor optou pela indeterminação (trata-se) e especificou o sujeito logo em seguida (o caso). Não faz nenhum sentido.

Nessa hipótese, o correto seria “trata-se de recurso administrativo...”

Optar pela primeira ou terceira pessoa permite que o profissional desenvolva seu estilo no momento de elaborar a peça jurídica; porém, é necessário saber os pequenos detalhes que advêm das nossas escolhas.