Comunicação não violenta como aliada da saúde mental - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina

Dicas de saúde

Comunicação não violenta como aliada da saúde mental

Atualmente existem diversas ferramentas e técnicas para a resolução de conflitos, as quais podem melhorar os relacionamentos interpessoais e o ambiente de trabalho de uma forma geral. Uma das mais em foco na atualidade é a chamada Comunicação Não Violenta, conhecida como CNV, a qual foi desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg no início dos anos 2000. Trata-se de uma técnica que divide e analisa a comunicação interpessoal e se baseia na expressão honesta de sentimentos e necessidades, bem como na empatia pelos sentimentos e necessidades dos outros.

Nesse breve texto será destacado como a CNV pode ajudar a diminuir as falhas de comunicação tão presentes nos relacionamentos humanos e os impactos positivos disso no ambiente laboral e na saúde mental dos colaboradores de todo o PJSC. Por ser uma técnica extensa e complexa, pretende-se aqui
apenas introduzi-la e demonstrar seus potenciais benefícios no ambiente laboral.

As chamadas “falhas de comunicação” ou “mal-entendidos” são um grande problema, pois é a partir de interpretações equivocadas e preconceitos que surge grande parte dos estressores que geram sofrimento. A confusão entre aspectos da comunicação objetivos (observação do fato) e subjetivos (sentimentos que o fato gerou em mim), além da falta de clareza em distinguir uma coisa da outra, também consiste em um dos pilares de desentendimentos.

Diante da complexidade de qualquer relação interpessoal, a CNV é um método que diferencia as etapas da comunicação e as estratifica em componentes, os quais dividem qualquer tipo de comunicação em quatro partes.

1 - Observação: O relato do fato objetivo em si, sem nenhum tipo de avaliação ou julgamento. Nessa fase é importante apenas descrever aquilo que “pode ser visto por uma câmera ou escutado por um gravador de voz”. Não cabe nenhum tipo de interpretação, entonação ou suposição de aspectos subjetivos.

2 - Sentimentos: Identificar e nomear os sentimentos que o fato desencadeou em mim. O que os outros dizem pode ser o “estímulo”, mas nunca a “causa” dos nossos sentimentos. Aqui se pode identificar e nomear o sentimento desencadeado e com isso demonstrar o que o fato ocasionou em si, além de questionar-se o que pode ter ocasionado no outro a partir de nossa interpretação.

3 - Necessidades: Reconhecer as necessidades que estão por trás de nossos sentimentos. Conectar o que sentimos com nossa necessidade, assim como perceber os sentimentos e necessidades dos outros por trás de mensagens negativas.

4 - Pedido: Pedir ao outro de forma clara e específica o que deseja. Evitar frases vagas ou ambíguas e expressar “quem”, “quando” e “como” da forma mais específica possível. Lembra-se que um pedido é diferente de uma exigência, já que o primeiro aceita um possível “não” como resposta.

Pode parecer difícil e complicada essa separação em etapas da comunicação, mas com um pouco de esforço e treino se consegue separar cada vez mais nossos julgamentos, sentimentos, necessidades e interpretações do fato objetivo em si. Alguns exemplos podem ajudar em um entendimento resumido da técnica. Vejamos alguns abaixo.

“Vejo muitos livros fora da estante na nossa biblioteca de casa (observação), fico bastante incomodado (sentimento), pois para mim é muito importante a organização da casa (necessidade) para facilitar a limpeza (outra necessidade). Você poderia guardar os livros na estante depois de utilizá-los (pedido)?”

“Fico bastante irritado (sentimento) quando sou interrompido durante uma reunião online (observação), sinto que o que eu estou falando não é importante e isso também me deixa triste e desanimado (outros sentimentos). Peço que não me interrompam enquanto eu estiver falando (necessidade e pedido juntos).”

Melhorar a comunicação de nossas relações interpessoais no ambiente de trabalho tem inúmeros benefícios potenciais, como redução do estresse, promoção do bem-estar emocional e redução do assédio e bullying, além do estímulo para cooperação da equipe. Prevenir comunicações violentas a partir de um relacionamento compassivo e empático auxilia na resolução de conflitos e melhora a satisfação no ambiente de trabalho.

Pode parecer mais fácil não comunicar certos sentimentos e necessidades para evitar possíveis conflitos e/ou a recusa do atendimento de nosso pedido. Entretanto, guardar para si sentimentos e pensamentos negativos baseados em suposições ou julgamentos precipitados dos motivos de outro geralmente é uma opção pior para a saúde mental.

Demonstrar-se vulnerável e disposto a esclarecer a comunicação de uma forma empática, que questiona o outro sobre seus sentimentos, necessidades e pedidos, tem um potencial muito grande de melhorar os relacionamentos e, consequentemente, a saúde mental de todos no ambiente de trabalho.

Em resumo, a CNV oferece uma abordagem holística para a comunicação e os relacionamentos, que pode beneficiar significativamente a saúde física e mental, promovendo o bem-estar emocional e interpessoal no ambiente de trabalho.

Saiba mais!
A DGP também já abordou o tema e sua importância para a gestão de pessoas nas Dicas de Gestão - Comunicação Não-violenta