Como evitar golpes financeiros - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina
Dicas financeiras
Conhecer sobre finanças pessoais e conseguir formar um patrimônio consistente é necessário para se ter uma vida mais tranquila. No entanto, não basta apenas saber como se organizar financeiramente. Também é importante prevenir perdas, que podem ser causadas, por exemplo, por investimentos que geram prejuízos ou por golpes financeiros (práticas comerciais ou de investimentos que visam enganar uma pessoa para extrair vantagem econômica).
Tipos de golpes financeiros
Pirâmide financeira
É um esquema de fraude em que o objetivo é recrutar participantes para o “negócio”, no qual cada investidor busca trazer mais integrantes para o esquema a fim de aumentar os seus ganhos. Os integrantes iniciais desse empreendimento se posicionam no topo da pirâmide, e os últimos entrantes, na base. O dinheiro de quem chega serve para alimentar os ganhos de quem já está dentro. Como não é possível proporcionar a todas as pessoas da pirâmide os ganhos prometidos, quando há saída em massa de participantes, falta dinheiro para a maioria, e o castelo de cartas colapsa, com prejuízo para quem ficou por último na fila. Como exemplo se podem citar esquemas financeiros que prometem ganhos altos e em pouco tempo, geralmente com prazos e parcelas predefinidos. Casos desse tipo ocorreram no país recentemente e envolveram criptomoedas.
Golpes na internet
São cada vez mais comuns. Vejamos alguns tipos.
- Anúncios on-line que conduzem o cliente para uma página falsa dos estelionatários. Para evitar esse risco, opte por acessar a página da empresa por outro navegador, porque, dessa forma, acessará uma página oficial.
- Propaganda enganosa com preços abaixo do normal. Similar ao item acima, no qual a compra é feita, mas o produto nunca é recebido. Vale pesquisar o valor do bem em outras páginas para verificar o preço usualmente praticado.
- Mensagens por e-mail ou rede social com propostas enganosas ou links ou arquivos maliciosos anexados. Para mais informações sobre esse tópico, recomendo acessar as orientações sobre segurança da informação disponíveis no Portal do PJSC.
- Golpe do WhatsApp. Neste caso os golpistas descobrem nome e número do telefone de uma pessoa e a partir disso tentam cadastrar o WhatsApp da vítima em seu celular. Caso consigam, têm acesso aos contatos e a partir disso enviam mensagens se passando pela vítima com pedido de dinheiro.
- Roubo de dados do celular. Neste caso o estelionatário se passa por funcionário do banco e para solucionar determinado problema pede que o cliente instale um aplicativo no celular. Com tal programa instalado no celular da vítima, o golpista obtém acesso a todos os dados daquele aparelho.
Golpes bancários
Nestes, os golpistas tentam se passar por agentes bancários e induzir a vítima a pagamentos indevidos ou a fornecer informações bancárias sigilosas, como senhas, por exemplo. Também pode haver clonagem de dados pessoais. Seguem alguns exemplos.
- Golpe da falsa central de atendimento (do banco, da operadora de cartão de crédito, etc.): neste caso um atendente liga para o cliente com alguma história mirabolante para obter os dados pessoais e bancários da vítima.
- Golpe com boletos: estelionatários se passam por uma empresa vendedora de produto ou prestadora de serviço e emitem boleto de cobrança preenchido com dados verdadeiros para passar legitimidade, porém com diferença em algum campo para que o dinheiro do pagamento seja revertido para a conta deles.
- Clonagem de cartão: através de equipamento instalado em caixa eletrônico de agência bancária ou em aparelhos (maquininhas) de cartão, os dados do cartão pessoal são copiados e utilizados para gerar uma nova versão, que é utilizada pelos criminosos.
Existem muitas maneiras de cometer um crime financeiro, e a intenção aqui não é citar todos os modelos que existem. O importante é entender o jeito de operar, que é o de se aproveitar da boa-fé de uma pessoa para, através de promessas falsas ou enganosas, extrair dinheiro da vítima. Os golpistas geralmente se utilizam do que se chama de “engenharia social”, que é uma forma de manipular as vítimas para obter dados pessoais ou informações sigilosas. Para tanto, utilizam algumas táticas, como passar por representante de uma marca de confiança; fomentar a ganância da vítima; produzir medo; criar senso de urgência; e fazer-se passar por uma autoridade ou especialista em determinado assunto.
Dicas de como evitar golpes
Ninguém está livre de cair em algum golpe, seja presencial ou on-line. De todo o modo, é possível se prevenir e evitar entrar nessa estatística. Entre algumas orientações para se precaver de golpes financeiros, destacamos as seguintes.
- Lembre-se de que o banco nunca liga solicitando senha ou número de cartão, assim como não envia funcionário à casa dos clientes para recolher cartão ou documento.
- Não compartilhe senhas, como a da conta do banco, de conta de e-mail ou de rede social.
- Se receber mensagens por SMS, WhatsApp, rede social ou e-mail se passando pelo seu banco ou outra empresa, não clique em links e busque informações diretamente com o estabelecimento comercial.
- Desconfie de ganhos rápidos, de maneira fácil ou de grande montante (lembre-se de que “não há almoço grátis!”).
- Não tome decisões de compra ou de investimentos precipitadas.
- Crie senha forte e única (de preferência uma senha para cada conta) e a atualize com frequência.
- Quando possível, utilize autenticação de dois fatores nas contas de serviços de internet e redes sociais.
- Mantenha sistema operacional, aplicativos e programas antivírus atualizados.
- Não forneça dados pessoais, senhas e códigos de acesso.
- Mantenha a privacidade na internet e nas redes sociais (evite mostrar informações pessoais e a rotina diária).
- Desconfie de ofertas que pareçam boas demais para ser verdade. Evite investimentos de alto risco.
- Pesquise sobre a legitimidade da empresa ou instituição financeira antes de realizar um negócio (sites do Banco Central, da Receita Federal e outros correlatos podem ser um bom caminho).
- Analise os seus extratos bancários, de cartão de crédito e contas frequentemente (pode-se descobrir alguma irregularidade em tempo de reverter o problema).
- Quando pagar um boleto, verifique se o nome do emissor é o mesmo da empresa para a qual fará o pagamento.
Orientações finais
Quando lembramos do ditado popular “quando a esmola é grande, o santo desconfia”, pensamos quão sábio é esse provérbio, pois muitas pessoas infelizmente já embarcaram em "armadilhas” ou golpes. Em síntese, quando a proposta for boa demais para ser verdade, desconfie!
Há ainda outra fala que é compartilhada no mercado financeiro, de que todo dia saem de casa um esperto e um desavisado, e quando se encontram dá negócio. Por isso, vale cuidar com o que não se conhece (e buscar informações se for o caso), e ainda observar o impulso de aceitar uma proposta sem pensar duas ou mais vezes. A mesma sugestão também é dada para evitar consumismo, ou seja, esperar algumas horas ou dias antes de realizar uma compra, a fim de deixar passar o impulso inicial, o que também vale para as finanças pessoais. Não custa nada aguardar antes de responder a uma proposta, pois é pouco provável que um investimento, produto ou serviço não esteja mais disponível quando um cliente ou investidor realmente precisar adquiri-lo (lembre-se dos anúncios publicitários de “últimas unidades” e “últimas horas”?).
Um investidor de grande experiência e sucesso no mercado financeiro alertava que muitas pessoas descobriam o quanto valorizara um ativo em que elas não tinham investido e ficavam com a sensação de terem perdido dinheiro. É como um “deixei de ganhar”. No entanto, aquele mesmo especialista alerta que nada mudou na situação financeira ou na carteira de ativos daquela pessoa. Com isso, pensar que deixou de ganhar era fonte de angústia e ainda deixaria tal pessoa propensa a arriscar mais do que deveria. Nesse ponto, vale observar o quanto o receio de ficar de fora pode impelir alguém a aceitar uma oferta temerária. Sobre esse assunto até foi criada uma expressão para definir tal comportamento, que é F.O.M.O, na definição em inglês, fear of missing out, que em tradução livre é o medo de ficar de fora (vale a leitura da Dica de Saúde que trata do tema).
Para evitar golpes financeiros é necessário ser prudente nas escolhas de compras e investimentos, manter discrição e sigilo com dados e informações pessoais, deixar de lado a ideia de ganhos fáceis e buscar mais conhecimento ou orientação antes de tomar decisões financeiras.
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Elaboração
Cristiano Minuzzi Debiasi
Equipe do Programa de Educação Financeira
E-mail: educacaofinanceira@tjsc.jus.br
Referências
BRASIL. Banco Central do Brasil. Banco Central participa de campanha para combate de golpes financeiros [Brasília]: Banco Central do Brasil, 8 set. 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/484/noticia. Acesso em: 4 dez. 2024.
Lynch, Peter; Rothchild, John. O Jeito Peter Lynch de Investir: As estratégias vencedoras de quem transformou Wall Street. São Paulo. Editora Benvirá, 2019.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA. Cartilha de Segurança Cibernética: Prevenção e orientações contra crimes cibernéticos. Florianópolis, fev. 2022. Disponível em: https://www.tjsc.jus.br/documents/840056/4394743/cartilha+de+seguran%C3%A7a+cibern%C3%A9tica_2023+-+NIS+-+TJSC.pdf/23a76b2e-e17e-055c-cae0-de3315738944?t=1730381585455. Acesso em: 1 dez. 2024.
Veja quais são os cinco tipos de golpes digitais que mais afetam a vida financeira dos brasileiros. Valor Investe, São Paulo, 25 out. 2022. Disponível em: https://valorinveste.globo.com/produtos/servicos-financeiros/noticia/2022/10/25/lista-quais-sao-os-golpes-financeiros-mais-comuns.ghtml. Acesso em: 4 dez. 2024.