O que considerar antes de assumir financiamentos longos - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina

Dicas financeiras

O que considerar antes de assumir financiamentos longos

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Introdução

A expressão “financiamento de longo prazo” não possui uma definição única aplicável. Contudo, embora não haja consenso, pode-se tomar por base as métricas de investimentos: são considerados de curto prazo aqueles que duram, no máximo, 1 (um) ano; de médio prazo, os compreendidos entre 1 (um) e 5 (cinco) anos; e de longo prazo, os superiores a 5 (cinco) anos.

Assim, por mais que haja divergências entre os prazos, para uma melhor compreensão do tema, adotaremos as seguintes premissas: (a) financiamentos de curto prazo: referem-se aos que possuem duração igual ou inferior a 12 (doze) meses; (b) de médio prazo: são aqueles com duração compreendida entre 1 (um) e 5 (cinco) anos; e (c) de longo prazo: são os superiores a 5 (cinco) anos.

Partindo das premissas de prazo acima delineadas, é necessário analisar a real necessidade de assumir o financiamento. Deve-se verificar a possibilidade de solucionar a demanda — seja a aquisição de um bem ou outra necessidade — de maneira diversa da contração de uma dívida.

Para tanto, os servidores contam com o apoio do nosso Programa de Educação Financeira, cujo escopo não é ditar a escolha do servidor, mas orientar sobre as possíveis alternativas cabíveis em cada caso.

Igualmente, é necessário salientar, como já abordado em várias dicas, a importância da Reserva de emergência e da elaboração do Orçamento familiar. Essas práticas mitigam ao máximo a necessidade de buscar crédito e possibilitam o seu adequado pagamento, incluindo, quando possível, a sua amortização antecipada.
Por fim, neste capítulo introdutório, é necessário ponderar as intercorrências da carreira antes da assunção do financiamento. O servidor deve ter em mente que pode vir a perder eventual cargo em comissão — com a consequente redução da remuneração — ou lograr êxito em assumir um cargo mais elevado, o que resultaria em acréscimo de renda.

Assim, antes de contratar, é indispensável avaliar se a renda pessoal e familiar possui estabilidade suficiente para absorver a dívida em diferentes cenários. Um financiamento que hoje consome uma parcela confortável do orçamento poderá se tornar excessivamente oneroso diante da diminuição dos ganhos ou do aumento das despesas essenciais.
 

Capacidade de pagamento futuro

Ao assumir um financiamento, é necessário levar em conta o planejamento financeiro de forma ampla. Isso significa não se limitar a verificar se a parcela cabe no orçamento atual, mas sim projetar se ela poderá ser honrada no futuro.

Essa projeção exige análise da origem dos rendimentos, da estabilidade profissional e das fontes de sustento da família. Também devem ser avaliadas situações previsíveis ou possíveis, como aposentadoria, transição de emprego, perda de eventual cargo em comissão, perda de outra atividade exercida ou alterações na renda do cônjuge.

Além disso, a composição familiar pode mudar intensamente ao longo do prazo. O nascimento de filhos, despesas educacionais, necessidade de auxílio a familiares, separação ou formação de um novo núcleo familiar são acontecimentos que podem alterar o orçamento. Por isso, comprometer grande parte da renda com uma dívida de duração extensa reduz a margem de segurança necessária para enfrentar tais transformações.

Outrossim, os financiamentos de médio e longo prazo estão atrelados à aquisição de bens, os quais, com o passar dos anos, demandam manutenção e gastos que devem ser levados em consideração, pois podem atingir de forma significativa o orçamento doméstico.

Uma decisão prudente considera uma margem entre a renda disponível e o valor das prestações, preservando recursos para despesas essenciais, investimentos e formação de uma reserva de emergência. A prestação deve ser compatível não apenas com o orçamento atual, mas também com uma hipótese realista de redução temporária dos rendimentos ou aumento das despesas.

Conclusão

Assumir um financiamento longo significa estabelecer uma obrigação que acompanhará parte relevante da vida financeira do contratante. Por isso, a análise deve ultrapassar o valor da parcela inicial e abranger o prazo contratual, o custo total da operação e as previsíveis alterações na renda e nas despesas pessoais e familiares.
A contratação responsável exige planejamento, reserva financeira e avaliação de diferentes cenários. Antes de decidir, o consumidor deve se perguntar se o compromisso é sustentável mesmo diante de períodos de instabilidade. Essa cautela permite aproveitar o financiamento como instrumento para concretizar projetos, sem transformar uma escolha patrimonial em fonte permanente de desequilíbrio financeiro.

E então? Você está preparado para construir uma vida financeira saudável? Conte com o apoio do Programa de Educação Financeira e, se desejar, agende conosco um encontro sobre qualquer tema relacionado à educação financeira!

Para agendar atendimento exclusivo e reservado com nossa equipe ou sugerir novos conteúdos, mande e-mail para educacaofinanceira@tjsc.jus.br.
Até a próxima dica!

Elaboração: 
Ruysdael Zocoli II 
Equipe do Programa de Educação Financeira 
E-mail: educacaofinanceira@tjsc.jus.br