Magistrados aposentados compartilham suas experiências com juízes do curso de Formação Inicial - Academia Judicial - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Magistrados aposentados compartilham suas experiências com juízes do curso de Formação Inicial

24 abril 2026 | 18h31min

Os magistrados que atualmente participam do Curso Oficial de Formação Inicial para Ingresso na Carreira da Magistratura tiveram, na manhã de sexta-feira (24/4), a oportunidade de ouvir relatos e reflexões de três magistrados aposentados sobre os desafios e aprendizados da trajetória na magistratura. Participaram do encontro o desembargador Pedro Manoel Abreu, primeiro diretor-executivo da Academia Judicial (2000-2002 e 2012-2016), a juíza Ana Paula Amaro da Silveira e o desembargador Volnei Carlin, diretor-executivo da instituição no biênio 2002-2004. A atividade foi realizada na sede da Academia Judicial.

Em uma conversa marcada por relatos pessoais, experiências profissionais e orientações práticas os convidados compartilharam vivências do início de carreira e abordaram desafios que aguardam os novos juízes, hoje inseridos em uma realidade bastante diferente daquela enfrentada pelas gerações anteriores. Um dos exemplos destacados foi justamente a existência do curso de formação inicial, inexistente no passado.

“Antigamente, passávamos em um concurso e éramos colocados em uma comarca, sem nenhuma preparação, sem saber muito bem o que deveria ser feito, mas a instituição pressupunha que soubéssemos tudo”, relembrou o desembargador Pedro Manoel Abreu. Ele ressaltou a importância de que os novos magistrados procurem o apoio de colegas mais experientes no início da carreira: “alguém que sirva de referência e que possa suprir as carências notórias desse começo”, explicou.

O desembargador também destacou aspectos marcantes da atuação em pequenas comarcas, como a necessidade de discrição da vida privada e a atenção às diferenças regionais e culturais, aspecto que se torna relevante especialmente diante da diversidade da turma. Pouco mais de 30% dos novos magistrados são naturais de Santa Catarina ou já residiam no Estado, enquanto cerca de 70% vieram de diferentes regiões do país, com destaque para Paraná e São Paulo.

Na sequência, a juíza Ana Paula Amaro da Silveira compartilhou a experiência acumulada ao longo de 30 anos de carreira, especialmente na vara da Infância e Juventude. Ela também falou sobre os desafios de ser mulher no Poder Judiciário, instituição que, apesar dos avanços recentes, ainda apresenta predominância masculina, sobretudo na segunda instância.

Encerrando o encontro, o desembargador Volnei Carlin falou sobre a conduta ética e moral esperada de um magistrado e trouxe à reflexão um tema pouco debatido nos cursos de formação: a solidão enfrentada por muitos juízes nas comarcas do interior. “O corpo nem sempre acompanha a mente, por isso a solidão. A tristeza está ligada a uma perda, e ela se liga à solidão. Nesse momento, deve-se pensar nos verdadeiros amigos, nas relações fortalecidas com a amizade. Para isso, importa a lucidez que cada um tem que ter. Ser juiz é uma verdadeira arte”, afirmou.

Os depoimentos sensibilizaram os magistrados em formação, que destacaram o impacto humano das falas, para além dos aspectos técnicos abordados ao longo do curso. Dora Fenker, magistrada vinda do oeste do Estado, disse ter se sentido emocionada com os relatos. “Eles nos sensibilizaram para o papel de ser juiz, que não deve levar em conta apenas o aspecto profissional, mas também o pessoal”, afirmou. O magistrado Bruno Flores, de São Paulo, ressaltou que “eles nos mostraram a alma de um juiz como ser humano”. Já Hanthonny Gregory Berlanda enfatizou a riqueza da troca proporcionada pelos convidados: “Eles vivenciaram diferentes épocas, do processo em papel ao digital, e nos trouxeram a realidade de dois mundos”, concluiu.

A atividade integrou a disciplina “O Relacionamento do Magistrado com a Comunidade”, etapa que simboliza a transição para a prática jurisdicional propriamente dita. Ainda na próxima semana, os magistrados participarão de atividades no Tribunal Regional Eleitoral. O foco do encontro foi possibilitar o desenvolvimento da comunicação dos magistrados com os diversos profissionais com quem atuarão e, sobretudo, com a sociedade.

A expectativa é de que, a partir dessa experiência, os magistrados se sintam mais preparados para exercer uma atuação mais completa, humana e atenta às necessidades da comunidade. No próximo dia 4 de maio, eles iniciarão suas atividades nas mais diversas comarcas do Estado, colocando em prática os conhecimentos adquiridos ao longo da formação.

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