O programa Indira, iniciativa do Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC) voltada ao enfrentamento da violência contra mulheres no âmbito institucional, continua com as ações de orientação e sensibilização pelo Estado. Nesta etapa, a equipe esteve nas comarcas de Caçador, Videira e Fraiburgo, no Meio-Oeste, além de Otacílio Costa, na Serra, em encontros com magistradas, servidoras e colaboradoras.
As atividades, conduzidas pela Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) e pelo Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NIS), priorizaram o diálogo aberto e a troca de experiências. Em Caçador, a programação contou com a presença da juíza Flávia Carneiro de Paris, que acompanhou o encontro e destacou a relevância de iniciativas que aproximam a rede de proteção da realidade das unidades. “A ação foi muito importante, porque a maioria ainda não conhecia o programa. A roda de conversa ajudou justamente a aproximar, explicar melhor e fazer com que as mulheres se sintam mais à vontade para procurar apoio quando precisarem”.
A magistrada Olívia Germano dos Santos diz que, na comarca de Videira, a roda de conversa teve adesão expressiva das servidoras, e o momento foi bastante proveitoso. “Nos auxiliou a compreender melhor o funcionamento do programa Indira, além de trazer esclarecimentos sobre as diferentes formas de violência de gênero. Também pudemos entender que tais violências ocorrem em todos os locais e classes sociais, e que devemos estar atentas para prestar auxílio quando outra mulher dá indicativos de estar vivendo situação de risco”, destacou.
A assistente social Rosilene Aparecida da Silva Lima, da Cevid, e a policial civil Bruna Mafra Castilho, do NIS, conduzem as atividades. Elas dizem que as rodas de conversa foram organizadas para estimular a participação ativa das presentes, com espaço para relatos, dúvidas e reflexões. Rosilene destaca que a abordagem buscou ampliar a compreensão sobre os diversos tipos de violência, especialmente os sinais iniciais, muitas vezes silenciosos, segundo ela, e reforçar a importância de uma escuta atenta e livre de julgamentos no ambiente de trabalho.
Durante os encontros, também foram apresentadas as formas de atuação do programa Indira, que oferece acolhimento sigiloso e encaminhamentos personalizados, sempre com respeito à autonomia das mulheres atendidas. “Entre as possibilidades estão orientações, suporte especializado e medidas de proteção, quando necessárias”, frisa a policial Bruna. O atendimento do programa é destinado a magistradas, servidoras e colaboradoras do Judiciário catarinense e pode ser solicitado por telefone, e-mail, de forma presencial ou por videoconferência.
As servidoras contam que, na comarca de Otacílio Costa, as colaboradoras terceirizadas, antes de participar da roda de conversa, acessaram a página do Tribunal de Justiça para estudar e saber mais sobre o programa. “Achamos interessantíssima essa atitude delas. Foi a primeira vez que vimos um grupo buscar informações sobre o Indira antes de participar da atividade”, disseram.
As ações integram o eixo preventivo do programa, que aposta na informação e na capacitação como ferramentas centrais para o enfrentamento da violência. A proposta é consolidar, em cada comarca, uma cultura institucional de cuidado, capaz de identificar situações de risco e oferecer apoio de forma responsável e segura.
Seminário do Programa Indira destaca os 20 anos da Lei Maria da Penha
A Academia Judicial, em parceria com a Cevid, promove nos dias 11 e 12 de junho de 2026 o III Seminário do Programa Indira, que destaca os 20 anos da Lei Maria da Penha. O evento será realizado no Tribunal de Justiça de Santa Catarina e contará com palestras de especialistas, magistrados e servidores.
O seminário propõe um espaço de diálogo e reflexão sobre violência de gênero, especialmente nas relações afetivas, ainda marcadas por silêncios e dificuldades de denúncia. Serão oferecidas 250 vagas para o público interno do Judiciário, com inscrições abertas até 1º de junho.