Um momento de diálogo e escuta entre servidoras, magistradas e colaboradoras conduzido por duas mulheres, também servidoras, preparadas para lidar com a situação enfrentada por colegas vítimas de violência doméstica. A ideia é disseminar a atuação do “Programa Indira: pelas mulheres do PJSC” e ouvir as mulheres que trabalham no Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC). Neste ano, o roteiro das rodas de conversa, como são chamados os encontros, iniciou pelo Oeste.
A assistente social da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência (Cevid) do PJSC, Rosilene Aparecida da Silva Lima, e a agente de Polícia Civil do Núcleo Institucional de Segurança do PJSC, Bruna Mafra Castilho, dedicaram quatro dias para a região. A primeira comarca visitada foi São Miguel do Oeste, no último dia 17. Na sequência, foi a vez de Anchieta, Chapecó e Concórdia. Todas as comarcas receberam encontros na parte da manhã e à tarde, para viabilizar a participação das equipes de ambos os turnos.
As servidoras que compõem a equipe do Programa Indira explicam como funciona o atendimento e deixam o espaço aberto para as participantes tirarem dúvidas e compartilharem experiências, positivas ou negativas, que, muitas vezes, servem como inspiração ou alerta para as demais. A equipe de Anchieta, por exemplo, ainda guarda na lembrança a servidora Marivane de Aguiar Brancher, vítima de feminicídio em agosto de 2022. A 70 quilômetros dali, em Dionísio Cerqueira, a colaboradora terceirizada Cleci Kehl Zeppe também foi assassinada, em janeiro do mesmo ano.
A juíza diretora do foro da comarca de Anchieta, Maria Clara de Melo Masci Valadão Cardoso, participou da roda de conversa e reforçou a necessidade de procurar ajuda. “A comarca agradece a visita e a atuação das representantes, destacando a relevância da prevenção, da resposta imediata em situações de violência e da conscientização de servidores, terceirizados, estagiários e magistrados, para que estejam atentos e comuniquem situações de risco, contribuindo para a segurança e proteção das colaboradoras do PJSC”.
Em São Miguel do Oeste, a juíza da Vara Regional de Garantias, Andreia Cortez Guimarães Parreira, fez questão de estar presente nos dois momentos oferecidos na comarca. Ela conta que já participou de algumas rodas de conversa do Programa Indira e que cada uma delas foi motivo de grande satisfação e orgulho.
“Mais do que promover a conscientização sobre os tipos de violência de gênero e sobre tudo o que o programa oferece em termos de acolhimento, orientação e proteção, esses encontros representam uma valiosa oportunidade de troca de experiências. Neles, as mulheres do ambiente de trabalho se reconhecem, se escutam com atenção e se sensibilizam com cada palavra e cada lágrima compartilhada. Dessa vivência nasce um laço de apoio mútuo. O Programa Indira é uma política institucional que acolhe, encoraja e protege, salvando a vida de algumas mulheres e devolvendo dignidade a tantas outras”, destaca.
Em todas as comarcas, o engajamento das direções e secretarias dos foros foi fundamental para o sucesso da atividade. Todas as mulheres da comarca são convidadas, mas a participação é de escolha de cada uma. O apoio e a mobilização da comarca tornam a atividade possível.
Prioridade
A assistente social da Cevid Rosilene Aparecida da Silva Lima conta que essas comarcas do Oeste foram as primeiras visitadas em 2026 porque ainda não tinham recebido ações do Programa Indira. “Organizamos o início das atividades propositalmente para o Mês da Mulher, e faz parte das ações do programa do TJSC ‘Março é Delas’, mas temos rodas de conversa agendadas para acontecer até agosto, por todo o Estado.”
Em junho, acontecerá o evento anual do Programa Indira. “Convidamos a todos para que reservem os dias 11 e 12 de junho para acompanhar os debates de temas importantes que abrangem questões de gênero e violência. Serão disponibilizadas 250 vagas para homens e mulheres atuantes no Judiciário catarinense, com o objetivo de propor uma reflexão necessária”, destaca a agente Bruna Mafra Castilho.
Programa Indira
Sob o comando da Cevid e do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NIS), do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o “Programa Indira: pelas mulheres do PJSC” iniciou as atividades em 2022 como uma política institucional de prevenção e de medidas de segurança voltada ao enfrentamento da violência doméstica praticada contra magistradas, servidoras, estagiárias, residentes, trabalhadoras terceirizadas, comissionadas e demais colaboradoras do Judiciário catarinense.
O nome do programa é uma homenagem à Indira Mihara Felski Krieger, técnica judiciária de 35 anos, lotada na comarca de Itajaí, morta em janeiro de 2022. Além do acolhimento feito pela coordenadoria, o NIS realiza boletins de ocorrência e análise pormenorizada do risco, podendo até providenciar pedidos de medidas protetivas, escolta, vigilância, acompanhamento e monitoramento de mídias sociais. A vítima sai atendida, com o contato da equipe para qualquer emergência, e poderá ser incluída na Rede Catarina da Polícia Militar. Todo o atendimento é feito de maneira sigilosa.
“É fundamental que as mulheres tenham ferramentas para identificar situações de violência a que estão submetidas e que, muitas vezes, não percebem. Com isso, queremos criar uma cultura de autocuidado com as mulheres”, aponta o coordenador do Núcleo Institucional de Segurança do TJSC, Sidney Eloy Dalabrida.
As magistradas, as servidoras e as colaboradoras do TJSC podem entrar em contato por telefone ou e-mail, e também agendar atendimento presencial ou por videoconferência, por meio do telefone (48) 3287-2636 (Cevid) ou dos e-mails indira.servidora@tjsc.jus.br e indira.magistrada@tjsc.jus.br. O horário de atendimento é das 12h às 19h.
Conheça mais sobre o Programa Indira na página do serviço.