Ricardo Rosa Figueira, aos 41 anos de TJSC, garante ter 'vontade de começar de novo' - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Ricardo Rosa Figueira, aos 41 anos de TJSC, garante ter 'vontade de começar de novo'

Servidor ajudou a construir a história da Informática no TJSC e atuou ao lado de importantes nomes da magistratura

17 julho 2026 | 15h51min

No dia 8 de julho, o servidor Ricardo Rosa Figueira completou 41 anos de trajetória no Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC). Somado ao período em que serviu ao Exército, são 42 anos de dedicação à vida pública. Aos 60 anos, ele fala da carreira com o entusiasmo de quem ainda tem muitos planos pela frente. "O legal é contar isso e ainda estar inteirão e na ativa", diverte-se. Sem hesitar, garante que, se possível, começaria tudo de novo.

A história de Ricardo no PJSC começou em 1985. Tinha apenas 19 anos e acabara de deixar o quartel quando ingressou na instituição como assessor de assuntos específicos no gabinete do desembargador Nelson Konrad. Naquela época, o Tribunal ocupava apenas a Torre I, e os gabinetes funcionavam no décimo andar. Como não havia espaço suficiente para acomodá-lo, o magistrado o cedeu ao então Centro de Processamento de Dados (CPD), setor que daria origem à atual Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI).

 

O que poderia ter sido uma solução provisória acabou por definir boa parte de sua trajetória profissional. Entre 1985 e 1988, Ricardo percorreu fóruns e setores do Judiciário na implantação dos sistemas informatizados, numa época em que a tecnologia ainda dava os primeiros passos na instituição. "Os programadores desenvolviam os sistemas, e nós fazíamos a implantação. Trabalhei nas varas criminais do Fórum da Capital, na Distribuição e na Presidência do Tribunal", recorda.

Ao longo das décadas seguintes, acompanhou de perto a transformação digital do Judiciário catarinense e ocupou cargos que o colocaram entre os protagonistas desse processo. Foi operador e implantador de sistemas, webmaster, chefe da Seção de Conteúdo, chefe da Divisão de Sistemas Judiciais de Segundo Grau e diretor de Tecnologia da Informação.

Entre as realizações que mais marcaram sua carreira está a criação da primeira página do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) na internet, em 1994. Segundo Ricardo, o TJSC foi pioneiro entre os tribunais brasileiros ao contar com um webmaster responsável pela gestão do portal institucional. "Desenvolvi a primeira página da internet do Tribunal e, durante muito tempo, fui o responsável por ela", destacou. O servidor também participou da implantação do sistema judicial de segundo grau, trabalho que lhe rendeu um elogio formal em sua ficha funcional, concedido pelo desembargador Jorge Schaefer Martins. "É do que mais me orgulho na minha carreira", garante.

Mas a trajetória de Ricardo não se limitou à área tecnológica. Em 2004, já consolidado na Informática, decidiu iniciar o curso de Direito, aos 38 anos. A mudança abriu novos caminhos dentro do Judiciário. Após deixar a DTI, trabalhou nos gabinetes dos desembargadores Cesar Abreu e Jorge Schaefer Martins, com quem permaneceu por 14 anos. Ao longo da carreira, também teve a oportunidade de trabalhar com personalidades que marcaram a história do PJSC. Entre elas está a desembargadora Thereza Tang, primeira mulher a presidir o TJSC. "Era uma pessoa extremamente inteligente. Fechava a porta, saía a magistrada e entrava a avó, uma criatura excepcional", relembrou.

 

A convivência profissional com servidoras, entre elas Célia Buch – que ele considera uma lenda –, também deixou marcas positivas, especialmente pela sensibilidade, honestidade e acolhimento. "É bem diferente trabalhar com mulher. Tem um toque de mãe, de vó. Eu gostaria de ver mais uma presidente mulher no Tribunal antes de me aposentar", anseia, com entusiasmo. Tharcilla Richard Bayer, servidora que atuou com Ricardo na Seção de EaD da Academia Judicial, lembra com carinho dos tempos de trabalho conjunto. "Ele chegou e conquistou a todos. Tinha muita história para contar e muito conhecimento sobre o Judiciário. Era muito articulado e, com diplomacia, ficou responsável por auxiliar os magistrados que atuavam como tutores nos cursos on-line da Academia Judicial. Havia muito preconceito contra o ensino a distância, e o auxílio do Ricardo foi importante para quebrar essa resistência".

Atualmente, Ricardo atua na Coordenadoria dos Magistrados (Comagis), onde exerce a função de secretário na Secretaria de Pensionistas de Magistrados e Magistrados Aposentados. Apesar da longa jornada, não demonstra qualquer pressa em encerrar esse capítulo da vida. Pelo contrário, admite que uma pergunta o incomoda: "Quando é que tu vais te aposentar?" A resposta está na forma como encara a própria rotina. "Faço questão de me arrumar, colocar perfume, adoro vir aqui ao Tribunal. É como se eu estivesse vindo para a minha casa. E isso não é papo furado. É a relação mais longínqua de todas na minha vida".

 

Kristiano Kretzer, assessor especial, conta que, pouco tempo depois do retorno de Ricardo à Comagis, no início de 2022, o Tribunal de Justiça passou a administrar as pensões previdenciárias por morte, até então sob gestão do Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (Iprev). "A administração então criou uma sala para atender esse novo público, além dos magistrados aposentados. Um ambiente diferente, com a finalidade de oferecer mais conforto aos nossos usuários. Precisávamos, então, de um servidor para assumir a secretaria: Ricardo era o cara certo, no momento certo!" Kretzer define o colega como uma pessoa muito gentil, educada e solícita. "É uma unanimidade entre pensionistas e aposentados. Difícil descrever o carinho e a atenção com que ele realiza cada atendimento".

 

Esse carinho transparece na mensagem de Elizabeth Gomes de Mattos, diretora do Departamento de Pensionistas da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) e secretária jurídica dos Direitos e Prerrogativas de Pensionistas da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB): "Ricardo é um funcionário incrível e um amigo muito melhor! Quero destacar a excelência de seu trabalho no atendimento das pensionistas que diariamente o procuram pedindo ajuda e, até mesmo, aconselhamentos. É um privilégio ter uma pessoa com sua postura profissional ao nosso lado. Agradecemos sua energia positiva e por ser um profissional incrível". Ao olhar para trás e revisitar mais de quatro décadas de histórias, desafios e transformações, o sentimento não é de despedida, mas de renovação.

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