Saudosista, servidora com 42 anos de PJSC exalta também adaptação aos novos tempos - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Saudosista, servidora com 42 anos de PJSC exalta também adaptação aos novos tempos

Solange Lopes ingressou na comarca de Tangará em 1984, em meio a carimbos, carbonos e máquinas de escrever

26 junho 2026 | 09h52min

Solange Lopes é serventuária da Justiça catarinense desde 1984, quando o fórum da comarca de Tangará, segundo ela, cheirava a papel-carbono, e os carimbos reinavam soberanos ao som da máquina de escrever Olivetti Linea 98. Mais do que uma carreira de 42 anos, para a servidora, atuar no Poder Judiciário de Santa Catarina significa uma vida de dedicação, em que o trabalho sempre foi uma realização, nunca um fardo.

Aprovada em primeiro lugar para o cargo de agente judiciário, mais tarde renomeado como técnico judiciário auxiliar, Solange lembra que a prova era realizada em duas etapas, a escrita e a prática de datilografia, requisito exigido para o exercício do cargo. “O cenário era bem diferente do que vemos hoje. Nada de sistemas eletrônicos, nada de cliques. Tudo era feito na base da caneta, da máquina de escrever, do carbono e de carimbos”, relata.

Na unidade, havia, à época, cerca de 300 processos em tramitação, todos devidamente registrados em livros físicos e escritos, cuidadosamente, à mão. Sobre os atos processuais, a servidora recorda: “Esses ganhavam vida ao som marcante da máquina de escrever, em que cada tecla pressionada exigia firmeza, precisão e, muitas vezes, coragem, especialmente quando surgia um erro e era preciso recorrer ao famoso corretivo ou começar tudo de novo”.

Solange lembra que era um tempo em que o andamento dos processos não dependia de pesquisa em sistema, mas sim do conhecimento de quem ali trabalhava. “Sabíamos, praticamente de cabeça, a situação de cada feito: qual estava concluso, qual aguardava diligência, qual tinha audiência designada. Era um verdadeiro ‘eproc humano’, sem travas, sem senha e sempre disponível”.

Entre um ato e outro, a rotina seguia com organização e dedicação, em que cada registro manuscrito e cada página datilografada carregavam não só informações processuais, mas, segundo Solange, também um pouco da história do trabalho diário no fórum. Ela diz que essa foi uma época em que o papel e a máquina de escrever eram indispensáveis, e a caligrafia era instrumento essencial de trabalho.

Quando ingressou no Judiciário, Solange cursava Administração. Concluiu o curso e, já com alguns anos de experiência na Justiça, resolveu fazer o curso de Direito. “Afinal, quem trabalha com leis merece também entendê-las”, diz.

 

Ela sempre contou com o apoio da família. “Isso fez toda a diferença na minha trajetória. Meu marido sempre me incentivou, inclusive quando resolvi encarar a faculdade de Direito. Acho que ele acreditava mais em mim do que eu mesma em alguns momentos”, recorda. O filho cresceu em um lar em que via e ouvia a mãe sempre a falar sobre processo, fórum e prazos. “Não tinha muito como escapar. Hoje, é advogado. Foi coincidência ou convivência intensa mesmo”, avalia, com saudosismo.

Nestas mais de quatro décadas, Solange exerceu diversas funções, como distribuidora, contadora, secretária e chefe de cartório. Atuou no Juizado Especial, foi conciliadora e até leiloeira. “Já vivi todas as histórias possíveis da Justiça. Trabalhar em comarca pequena tem dessas coisas boas”.

Como a unidade abrange ainda mais duas cidades pequenas, Pinheiro Preto e Ibiam, Solange diz que, no fim, todo mundo se conhece. “Muitas vezes, no mercado, na rua ou em algum lugar do dia a dia, encontro alguém que agradece por um atendimento ou por algum serviço prestado. Claro que a gente sempre pensa: não fez mais do que a minha obrigação. Mas, mesmo assim, esse reconhecimento das pessoas tem um valor enorme”. Ela revela que, nesses momentos simples, percebe que está no caminho certo. “Isso, sem dúvida, é o que faz cada dia de trabalho valer a pena”.

Durante a pandemia, o destino resolveu fazer uma reviravolta na vida de Solange. Ela foi designada contadora judicial. “Troquei o salto pelo chinelo e o balcão pelo home office”, brinca ao lembrar que, no começo, tudo parecia um caos. “Era um estresse, campainha tocando e reuniões com a câmera desligada. Hoje eu amo. Sinto-me muito realizada na Contadoria Estadualizada, onde aprendo e continuo aprendendo todos os dias, o que faz toda a diferença na minha trajetória”.

Apesar de longe fisicamente, a servidora não está sozinha. “Tenho a sorte de trabalhar com uma equipe simplesmente top, que soma conhecimento, parceria e torna o dia a dia ainda mais leve e gratificante”, diz.

Aos que estão começando no Judiciário, o conselho é simples: “Tenham paciência. Com o sistema, com os processos, com as pessoas e, principalmente, com vocês mesmos. Ninguém começa sabendo tudo”. Com experiência de poucos, completa: “E jamais esqueça que, por trás de cada processo, tem uma história de verdade. Então, além de técnica, leve também um pouco de humanidade no que faz”, conclui.

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