TJSC recebe 100 crianças e adolescentes em premiação sobre violência contra mulher - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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TJSC recebe 100 crianças e adolescentes em premiação sobre violência contra mulher

Concurso de desenho e redação levou às escolas reflexões sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha

21 agosto 2026 | 10h18min

Milena Mariza Ismael Pereira nunca tinha visitado o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

— Pensei que estaria cheio de juízes, todos de toga preta, numa grande sessão.

Ela é uma das vencedoras do Concurso Municipal de Desenho e Redação sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, promovido pela Prefeitura Municipal de Biguaçu, com o apoio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), do TJSC. Nessa quinta-feira, 20 de agosto, Milena e os demais premiados receberam os certificados no Auditório Ministro Teori Zavascki, em Florianópolis. Cerca de 100 estudantes acompanharam a cerimônia.

  

Um grande arco de balões roxos e lilases, imagens projetadas nos telões e músicas infantis em versões instrumentais deram o tom da cerimônia, durante a qual foram exibidos dois vídeos. O primeiro abordou a importância do cuidado e do respeito, e orientou os jovens a procurar adultos de confiança diante de situações de violência. Milena apareceu no segundo vídeo, quando fez a leitura de trechos de sua redação, cujo começo traz uma sequência de perguntas.

— Por que ser mulher é viver com medo? Por que nos matam? Por que eu não posso andar na rua de noite? Onde estavam as leis enquanto o sangue escorria no horário do almoço na TV?

Milena tem 15 anos. Já quis ser advogada, agora quer ser médica, tem vontade de ajudar as pessoas, principalmente as que mais precisam. A anfitriã do evento, desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, coordenadora da Cevid, elogiou os participantes.

— Cada desenho entregue, cada redação escrita foi muito mais do que um trabalho escolar. Foi um olhar atento sobre o mundo e sobre um assunto difícil, que precisa ser discutido. Os trabalhos produzidos, com coragem e esperança, nos lembraram que o futuro começa aqui e começa com vocês.

 

As crianças e os adolescentes ouviram com atenção a magistrada e também o secretário municipal de Educação de Biguaçu, Gustavo Silva Sagas. Ele agradeceu ao TJ por estreitar a parceria com o município e destacou a importância da experiência proporcionada aos estudantes.

— A escola precisa abraçar e dialogar com a comunidade, com as famílias e com as instituições. A educação transforma o mundo, e a gente precisa de pessoas que nos ajudem a transformá-lo.

 

Na plateia, entre alunos e professores, estavam duas mulheres diretamente ligadas à trajetória do concurso: a pedagoga e ex-vereadora Salete Cardoso, autora da lei que instituiu o concurso de redação em Biguaçu, em 2019, e Marinete Vieira Silva, diretora de uma das escolas.

— Quando um estudante percebe que aquilo que pensa e escreve é valorizado, ele também passa a acreditar mais na própria voz. E isso é uma das coisas mais importantes que a escola pode fazer — afirmou a diretora.

 

Por sua vez, Salete disse que avançam as tratativas com o governo do Estado para que o projeto seja aplicado em todas as escolas de Santa Catarina.

Depois da cerimônia, os visitantes foram ao Museu, onde percorreram uma exposição sobre a Revolução Federalista e observaram fotografias e documentos históricos. No hall, olhos fixos na Galeria dos Presidentes.

— Todos homens — comentou um menino. 

 

— Não, tem uma mulher — observou de bate-pronto uma das meninas. — Essa aqui, o nome dela é Thereza Tang.

Alheia à cena e ao diálogo, Milena lembrou que não era boa aluna, nem gostava da escola.

— Mas, com o decorrer dos anos, conheci professores maravilhosos que me fizeram ver como o conhecimento pode ser fascinante.

 

A partir daí, apaixonou-se pelos livros e começou a escrever porque precisava colocar para fora o que vê e sente. Ao falar sobre o tema do concurso, mostra toda a sua indignação na voz e na maneira como encadeia as palavras:

— Sinto repulsa por saber que mulheres são mortas apenas por serem mulheres. Nós, mulheres, fizemos e somos parte de um caminho incrível de construção do mundo como o conhecemos hoje. E por que somos tratadas desse jeito? Por que somos inferiorizadas? Não entra na minha cabeça uma coisa assim, tão absurda.

Fez uma pausa e complementou:

— Mas isso vai mudar.

 

Veja a cobertura fotográfica completa deste evento.

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