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Um dia para celebrar quem há mais de 45 anos ajuda a construir a história do Judiciário catarinense

Encontro promovido pelo TJSC reuniu servidores em uma programação marcada por homenagens, reencontros e histórias para contar

30 outubro 2026 | 18h34min

Uma prova feita à mão aos 15 anos. Os processos em papel empilhados na mesa. A máquina de escrever que, décadas depois, daria lugar ao computador. A instalação de novas comarcas, a especialização de varas, os primeiros júris. Colegas que ficaram pelo caminho e aqueles que se tornaram amigos... Na memória de quem trabalha há mais de 45 anos no Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC), a história da instituição também é feita dessas lembranças. Nesta sexta-feira, 30 de outubro, 14 servidores tiveram a oportunidade de revisitá-las juntos durante um dia especialmente preparado para reconhecer trajetórias que se confundem com a própria transformação da Justiça no Estado.

 

O encontro na sede do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) começou no final da manhã, com a recepção pela equipe da Seção de Cerimonial. Ao meio-dia, os homenageados participaram de um almoço com o presidente do TJSC, desembargador Rubens Schulz; o corregedor-geral da Justiça, desembargador Dinart Francisco Machado; a corregedora-geral do Foro Extrajudicial, desembargadora Rosane Portella Wolff; a juíza auxiliar da Presidência Cristine Schutz da Silva Mattos; e o diretor-geral administrativo, Alexsandro Postali.

 

Entre tantas histórias compartilhadas, algumas alcançam o tempo em que quase tudo era diferente no trabalho cotidiano. Luiz Carlos Motta, chefe de cartório do Juizado Especial Cível da comarca de Tubarão, lembra de quando os processos eram exclusivamente físicos, os registros, feitos em livros de atas, e havia poucos servidores e recursos diante de um serviço que já era volumoso. Mais do que as mudanças tecnológicas, porém, ele guarda o aprendizado acumulado com os colegas e magistrados com quem trabalhou. “Me orgulho de todo o aprendizado que tive tanto com os colegas de trabalho quanto com os juízes com os quais trabalhei e servi, aprendendo disciplina, organização, estatística, de olho nos números para que o volume de trabalho não nos vencesse”, recordou.

 

Depois de mais de quatro décadas, a mensagem que deixa aos que chegaram mais recentemente ao PJSC está ligada ao sentido que atribui ao próprio trabalho. “A gente tem que ter dedicação e, às vezes, até fazer um pouquinho mais que a obrigação, não é muito difícil. Também gosto de lembrar que a gente trabalha para as pessoas, não para o processo – vamos lembrar do processo como meio, e não como fim. O que o Judiciário faz é trabalhar para as pessoas”, destacou.

 

Zenir Zamprogno, servidora do cartório da 2ª Vara da comarca de Orleans, tinha apenas 15 anos quando começou como estagiária voluntária. Uma memória daquele início ainda permanece nítida: a prova para ingressar no Judiciário foi manuscrita. Desde então, viu o trabalho mudar e mudou com ele. “O Judiciário mudou bastante, e a gente evoluiu junto com ele. Meu sentimento hoje é de missão cumprida, apesar de que ainda vou ficar mais um pouco”, disse ela. Entre os planos de Zenir estão terminar a faculdade, fazer uma pós e transformar sua trajetória em livro. “O entusiasmo continua”, garantiu.

Para Zeli Cordeiro de Almeida, da Central de Mandados de Lages, a história começou ainda em 1977, no cartório eleitoral. Depois, foi contratada como agente de serviços gerais e seguiu uma longa trajetória até a atual lotação. O contato com as pessoas continua sendo uma das partes do trabalho de que mais gosta. “Gosto do público, gosto do balcão, gosto de tudo e sou muito grata. Mas a história não acaba aqui. A gente ainda vai ter história para contar”, destacou.

 

A presença de Zeli no encontro trouxe uma lembrança particular ao diretor-geral administrativo, Alexsandro Postali. Quando ele iniciou um estágio no Fórum de Lages, em 1997, ela já trabalhava lá. “Quando a vi no almoço, me emocionei, passou um filme muito importante na cabeça. Quando a gente entra no Fórum como estagiário, acha que são aquelas pessoas que mudam o mundo. Depois de 27 anos, você vê que as pessoas seguem lá fazendo a diferença, mudando o mundo, e agora você está de mãos dadas com elas, para somar forças”, observou. Para Postali, essa transformação nem sempre acontece em gestos grandiosos. “Cada vez que a gente resolve um problema, muda o mundo de alguém de alguma forma. E é isso, é entender a importância desse passinho pequeno, porque o mundo se muda passo a passo”, pontuou.

Muito emocionada com o encontro, Eleusa Vargas Machado, da Divisão de Apoio à Gestão, da Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP) do TJSC, encontrou nas relações construídas durante a carreira uma das principais razões para olhar com alegria o caminho percorrido. “O que mais me emociona é ter conhecido muitas pessoas, ter convivido com colegas tão bacanas esse tempo todo e ter a certeza de que meu trabalho foi bem-feito”, compartilhou. Das máquinas de escrever aos computadores e às ferramentas de inovação, Eleusa acompanhou mudanças profundas no cotidiano profissional. E agora começa a preparar uma nova etapa de vida. Recentemente, concluiu o curso técnico de enfermagem e pretende, depois da aposentadoria, dedicar parte do seu tempo ao trabalho voluntário. “Servir sempre é o sentido de ‘servidor público’”, disse ela, algo que pretende levar para a área da saúde.

 

Elcio Peixer, chefe de cartório da Vara Criminal da comarca de Itapema, também começou cedo, como estagiário no Fórum de São João Batista, em 1976. De lá para cá, acompanhou a instalação de duas comarcas, Imbituba e Itapema, a especialização das unidades e muitas outras transformações no primeiro grau. Entre suas lembranças está a inauguração do Tribunal do Júri de Imbituba. Também ficaram as dificuldades do início da profissão como escrivão e a experiência de quem passou décadas no contato direto com quem procura a Justiça. “Sempre comento que nós, da jurisdição do primeiro grau, somos o para-choque da Justiça, porque é ali que se reclama do andamento dos processos, e a gente tem que atender bem para tentar minimizar os problemas”. O tempo, para ele, não diminuiu a disposição. “Hoje estou com a mesma vontade de trabalhar de quando comecei. Incentivo meus colegas a prestar serviço de qualidade e excelência”, relatou.

 

O oficial de justiça do TJSC Sílvio Leôncio da Costa também testemunhou mudanças que ajudam a dimensionar a transformação da carreira. “Houve reconhecimento, investimentos do TJSC na educação de magistrados e servidores, o trabalho da Academia Judicial, e isso faz muita diferença”, disse. Após 48 anos de dedicação, a homenagem, inédita, ganhou significado especial. “Ninguém nunca tinha feito um convite assim, lembrando dos funcionários. A gente trabalha com mais alegria, satisfação, porque se sente valorizado”, destacou.

'O agradecimento é nosso'

Ao receber os servidores, o presidente do TJSC, desembargador Rubens Schulz, definiu o almoço como um pequeno gesto diante da contribuição prestada ao longo de tantos anos. “Aonde a gente vai por esse Brasil todo, Santa Catarina é elogiada em todos os sentidos, mas também pelo nosso Judiciário, e isso nos orgulha. Esse resultado não se constrói do dia para a noite, isso é graças ao trabalho de vocês”, reconheceu.

Ao ouvir os homenageados agradecerem o reconhecimento, a juíza auxiliar da Presidência Cristine Schutz da Silva Mattos observou que a gratidão era recíproca. “Ouvindo vocês falarem quão agradecidos estão, eu quase interrompi várias falas para dizer: ‘não, o agradecimento é nosso’”, disse a magistrada.

 

Depois do almoço, os servidores seguiram para o Gabinete da Presidência, onde foram homenageados com uma lembrança. A programação também incluiu uma visita a espaços simbólicos e culturais do TJSC, entre eles o Tribunal Pleno, a Biblioteca Desembargador Marcílio Medeiros, o Museu Desembargador Tycho Brahe Fernandes Neto e a Capela Ecumênica de Santa Catarina de Alexandria.

 

Realizada pela DGP, por meio da Divisão de Desenvolvimento e Valorização de Pessoas, com apoio da Diretoria de Comunicação, a iniciativa reuniu servidores que completaram em 2026 pelo menos 45 anos de trabalho no PJSC. O encontro faz parte das comemorações pelos 135 anos do TJSC e abre espaço àquilo que os números não contam: as relações construídas, as mudanças testemunhadas e as histórias de quem continua encontrando sentido no verbo que dá nome à profissão: servir.

Veja mais imagens do encontro.

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