Servidor PCD realiza sonho ao ingressar no PJSC e elogia ambiente acolhedor e acessível - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina
Judiciário entende que inclusão não é privilégio, mas sim um direito
Sozinho, mas com coragem e satisfeito por concretizar um sonho cultivado há anos, Marcelo Augusto Pinto deixou Curitiba para começar uma nova etapa de vida em Joinville. Após aprovação em concurso público na vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD), ele assumiu o cargo de analista jurídico do Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC) e passou a integrar a equipe da 1ª Vara Cível da comarca.
Formado em Direito, Marcelo vê o ingresso no Judiciário como mais uma conquista em uma trajetória construída com dedicação aos estudos, disciplina e perseverança. A condição de pessoa com deficiência nunca desviou seu foco dos objetivos profissionais. A chegada ao PJSC representa mais um passo em seu projeto de vida. Desde a graduação, Marcelo mantém como meta a aprovação em concursos da área jurídica.
“Assumir no PJSC é a realização de uma etapa muito importante da minha vida profissional. Sempre enxerguei o estudo como caminho para alcançar meus objetivos, e sigo determinado a continuar essa caminhada”, afirma.
Nos primeiros dias na comarca de Joinville, Marcelo encontrou um ambiente acolhedor e acessível para iniciar a nova rotina de trabalho.
“Fui muito bem recebido desde a chegada”, destaca. Segundo ele, a estrutura do Fórum proporciona acessibilidade e autonomia para o desempenho das atividades diárias. O prédio permite circulação sem dificuldades, inclusive no uso dos elevadores. Além do home office parcial, a única adaptação necessária será em sua estação de trabalho, especialmente na cadeira utilizada, em razão de escoliose. O ajuste já está em curso pelo setor de ergonomia do TJSC.
Avaliação ergonômica para melhor adequação
A chefe da Seção de Ergonomia e membro da equipe multidisciplinar do Programa PertenSer, Vanessa Zomer Fenili, explica que a ergonomia contribui para a criação de ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e inclusivos, além de permitir a identificação e redução de barreiras no ambiente laboral.
“A avaliação ergonômica não é automática nem padronizada. Ela é pensada de forma individual, respeitando as necessidades de cada pessoa. Dentro do Programa PertenSer, o objetivo da ergonomia, além de garantir a inclusão no trabalho, é assegurar que todos possam desempenhar suas funções com dignidade, conforto e segurança”, afirma Vanessa.
Ela destaca ainda que a inclusão não é privilégio, mas direito, e reforça que pessoas com deficiência não precisam de tratamento diferenciado, e sim de adaptações adequadas que garantam igualdade de condições.
No caso de Marcelo, a ergonomista Letícia Rios Dias realizou a avaliação do posto de trabalho, com escuta ativa para compreender as necessidades do servidor antes das orientações e adequações necessárias. A partir da avaliação, houve orientações sobre ajustes no posicionamento dos monitores e uso de acessórios, e sobre a substituição da poltrona utilizada pelo servidor.
“Também orientamos a realização de pausas durante a jornada de trabalho, com a inscrição no Programa Pausa Ativa, da Diretoria de Saúde e Qualidade e Vida”, explica Letícia.
A chegada do novo servidor reforça o compromisso do Poder Judiciário catarinense com políticas de inclusão, acessibilidade e valorização das pessoas. Além das adequações estruturais, o acolhimento recebido na unidade marcou os primeiros dias de trabalho na comarca.
Para o juiz titular da 1ª Vara Cível da comarca de Joinville, Gustavo Schwingel, reconhecer e acolher as singularidades fortalece valores como respeito, empatia e inclusão, e refletem positivamente nas relações de trabalho e na qualidade da prestação jurisdicional.
“Além de assegurar igualdade de oportunidades, essa integração impulsiona o desenvolvimento pessoal e coletivo, estimulando a cooperação, a sensibilidade social e o amadurecimento das equipes. A incorporação de diferentes experiências e perspectivas amplia a capacidade de inovação e aprimora a atuação institucional, em consonância com os princípios da dignidade da pessoa humana e da justiça social. Promover a participação plena e efetiva de servidores com deficiência não se limita a uma política inclusiva, mas representa investimento estratégico no fortalecimento do Judiciário e no desenvolvimento contínuo de todos os seus integrantes”, enfatiza o magistrado.