Mães do PJSC compartilham desafios, conquistas e incentivos recebidos durante a amamentação  - Imprensa - Poder Judiciário de Santa Catarina

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Mães do PJSC compartilham desafios, conquistas e incentivos recebidos durante a amamentação 

TJSC reforça a importância do aleitamento materno e do apoio familiar e institucional às lactantes 

12 agosto 2026 | 14h40min

O Agosto Dourado simboliza a luta pela promoção, proteção e apoio à amamentação, considerada o melhor alimento nos primeiros anos de vida. Em 2026, a campanha traz o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”, com o objetivo de valorizar políticas públicas, estratégias e redes de apoio que já apresentam resultados positivos para mães e seus bebês. Segundo dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), coordenado pela UFRJ com apoio do Ministério da Saúde, o Brasil elevou seu índice de amamentação exclusiva de 4,7% na década de 1980 para 45,8% em 2019, com a meta nacional de alcançar 70% até 2030. 

“O leite materno para mim foi e é esperança. Mais do que isso, é um laço valioso de amor”, define Letícia Dias, fisioterapeuta e colaboradora da Seção de Ergonomia do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) – mãe de Vítor e Júlia –, que precisou enfrentar uma rigorosa dieta durante quase três anos para amamentar sua segunda filha, que nasceu com alergias múltiplas. Ela considera a amamentação como uma das experiências mais gratificantes no seu maternar: “um ato de doação pura, e nem sempre acontece como idealizado, pois, mesmo que haja todo um preparo para essa fase, não é fácil”. 

No Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC), a valorização da amamentação é parte de uma política institucional. Desde março de 2023, magistradas e servidoras gestantes ou lactantes em efetiva amamentação podem solicitar condição especial de trabalho, incluindo a modalidade de trabalho não presencial, sem acréscimo de produtividade. “Mais importante do que a facilidade prática foi a sensação de ter sido olhada e de perceber que a instituição reconhecia a importância da amamentação”, afirma Camila Bessa, chefe da Divisão de Memória e Biblioteca – mãe de Antônio, 4 anos. O benefício pode ser requerido pelas lactantes até os 24 meses de idade da criança e pelas gestantes a partir da comprovação da gravidez.  

A medida está prevista na Resolução GP n. 9/2023 (que alterou a Resolução GP n. 5/2021) em consonância com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça. A iniciativa permite maior proximidade entre mãe e bebê durante uma fase considerada essencial para o desenvolvimento infantil, favorecendo a manutenção da amamentação e o fortalecimento dos vínculos familiares.  

Segundo dados da Equipe do Trabalho não Presencial da Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), atualmente 46 mães do PJSC usufruem da condição especial de trabalho em razão do aleitamento materno ((art. 1º, § 3º, inciso II, Resolução GP n. 5/2021). “A amamentação é um dos pilares para a saúde e o desenvolvimento da criança, além de representar uma importante experiência de vínculo e cuidado. A condição especial de trabalho demonstra o olhar da instituição para as necessidades da mãe, da criança e da família, contribuindo para o bem-estar biopsicossocial de todos e para uma vivência mais equilibrada da maternidade e do trabalho”, explica Claudia Daisy de Sousa, enfermeira da Diretora de Saúde e Qualidade de Vida do TJSC. 

Magistradas, servidoras e colaboradoras mães do Poder Judiciário catarinense também contam com o Programa Mães do Judiciário. A iniciativa promove encontros virtuais, acolhimento, troca de experiências e acesso a informações qualificadas sobre maternidade, primeira infância e exercício profissional. O objetivo é oferecer suporte às mães em diferentes etapas da jornada materna, fortalecendo uma rede de apoio que beneficia toda a família. 

Histórias de cuidado, amor e acolhimento 

“A amamentação foi uma das experiências mais gratificantes no meu maternar. É um ato de doação pura, e nem sempre acontece como idealizado, pois, mesmo que haja todo um preparo para essa fase, não é fácil. Tenho dois filhos e com cada um foi uma experiência diferente, mas de profunda transformação para mim como mãe e mulher. No meu primeiro filho, tudo foi novidade, aquelas vivências de primeira viagem que nos fazem crescer. Na minha segunda filha, quando achei que a bagagem já era suficiente, o que tive foi uma lição ainda maior sobre valorizar o poder do leite materno. Minha bebê apresentou sinais de alergia à proteína do leite vaca, dentre outras alergias, e por indicação médica e escolha minha, passei a fazer restrição alimentar dos alimentos na minha dieta para que ela pudesse seguir sendo amamentada por mim. O leite materno para mim foi e é esperança. Mais do que isso, é um laço valioso de amor.” 

Foto horizontal: mulher amamenta bebê no colo, em imagem que retrata cuidado e aleitamento materno. 

Letícia Rios Dias, fisioterapeuta, colaboradora da Seção de Ergonomia, mãe de Vítor, 16, e Júlia, 8 anos 

“Amamentei meu filho até os três anos e meio e, apesar das noites mal dormidas e de todo o cansaço, foi uma experiência muito especial para nós dois. Solicitei a condição especial de trabalho quando ele tinha um ano e cinco meses e, embora tenha usufruído por um período relativamente curto (cerca de 7 meses), até ele completar dois anos, poder intercalar dias de home office fez diferença na nossa rotina. Mas, para mim, mais importante do que a facilidade prática foi a sensação de ter sido olhada e de perceber que a instituição reconhecia a importância da amamentação. Muitas vezes, depois dos seis meses, ela é vista como algo desnecessário ou até inadequado, quando, na minha experiência, foi muito mais do que alimentação: foi imunidade, proteção, colo, respeito, afeto e vínculo. É algo que, acredito, deixa marcas eternas na vida da criança e da mãe e que merece ser valorizado e apoiado.” 

Foto vertical: mulher abraça criança com camiseta da seleção brasileira; ambos sorriem para a câmera. 

Camila Bessa, chefe da Divisão de Memória e Biblioteca, mãe de Antônio, 4 anos 

“Estar em home office por dois dias na semana me permite manter um contato maior com minhas filhas de 1 e 4 anos. Assim que elas voltam da escola, quando estou trabalhando em casa, consigo pegar minha bebê no colo e amamentá-la. Esse momento de contato, mesmo que sejam só por duas vezes na semana, já é muito bom, favorecendo o vínculo e a manutenção da amamentação por mais tempo. Também o tempo que levo para me arrumar, organizar minhas coisas para sair de casa e ir para o trabalho, é um tempo que sobra nos dias em que fico em casa trabalhando, e eu consigo aproveitar para cuidar melhor das minhas filhas e levá-las para a escola com mais tempo e atenção”. 

Foto vertical: mulher segura criança no colo e lhe dá um beijo no rosto em ambiente externo. 

Lana Isabel Knob, chefe de cartório da Vara da Fazenda Pública, Acidentes do Trab. e Registros Públicos da comarca de Jaraguá do Sul, mãe de Ellen, 4, e Camille, 1 ano

“Facilitar o retorno ao trabalho e possibilitar a continuidade da amamentação por mais tempo: esses foram os principais benefícios que experimentei ao usufruir da condição especial de trabalho como lactante do meu segundo filho, Carlos, nascido em 2024. Destaco a relevância dessa oportunidade, que não tive com meu primeiro filho, Gustavo, nascido em 2017, período em que ainda não existia essa modalidade de condição especial de trabalho. Ao vivenciar essas duas experiências distintas e poder compará-las, percebi o quanto esse benefício foi valioso tanto para meu filho quanto para mim. A possibilidade de conciliar a maternidade com as atividades profissionais de forma mais equilibrada contribuiu para o prolongamento da amamentação, fortaleceu o vínculo entre mãe e filho e tornou o retorno ao trabalho mais tranquilo e seguro, gerando reflexos positivos para toda a família”. 

Foto vertical: mulher sorri enquanto segura bebê no colo diante de decoração natalina 

Carolina Bernat Spazzini, chefe de secretaria do fórum de Abelardo Luz, mãe de Carlos, 2, e Gustavo, 9 anos

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