25 agosto 2026 | 17h22min
A necessidade de ampliar o enfrentamento à violência contra a mulher por meio da conscientização da sociedade foi um dos temas centrais do 2º Seminário Agosto Lilás, realizado nesta segunda-feira (24), em Lages. Representando o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), a desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, responsável pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), participou do evento promovido pela Prefeitura de Lages, por meio da Secretaria de Políticas para a Mulher e para a Pessoa Idosa, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e a Rede de Apoio ao Enfrentamento das Violências.
Com o tema “+ Mulheres Vivas, Livres, Informadas e Protegidas”, o seminário reuniu, no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), autoridades, profissionais da rede de proteção, representantes de instituições e integrantes da comunidade. Durante a palestra, a desembargadora abordou os diversos tipos de violência praticados contra as mulheres e as desigualdades de gênero ainda presentes na sociedade. Ela destacou que o enfrentamento do problema depende de uma mudança de comportamento coletiva e reprovou a antiga expressão popular que sugere a não intervenção em casos de violência doméstica. “Me envergonho em dizer que, no nosso Estado, cinco mulheres são vítimas de feminicídio por mês”, afirmou a magistrada, ao defender o envolvimento de toda a sociedade na prevenção da violência e na proteção das vítimas.
Hildemar também ressaltou a importância de reconhecer e acolher mulheres que buscam ajuda, e falou especialmente sobre a campanha Sinal Vermelho. “Precisamos ter a consciência, entender e apoiar o pedido de socorro daquela mulher que chega a um estabelecimento comercial ou a qualquer outro lugar com um X vermelho na mão, num bilhetinho, ou que sinalize de alguma forma essa intenção”, destacou.
Durante sua participação, a desembargadora lembrou o pioneirismo da comarca de Lages na implantação dos grupos reflexivos para homens autores de violência doméstica e do trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Justiça Restaurativa. Em nome do juiz Edison Alvanir Anjos de Oliveira Júnior, titular da 2ª Vara Criminal da comarca, agradeceu o empenho dos magistrados catarinenses que atuam na área da violência doméstica e familiar.
Políticas que transformam vidas
O seminário contou ainda com a presença da prefeita de Lages, Carmen Zanotto, que destacou a importância da atuação conjunta entre instituições e sociedade civil. “Esse é um assunto que deve ser enfrentado pela sociedade e não apenas pelos governos. O fortalecimento da rede de proteção exige responsabilidade de todos. É preciso garantir que as mulheres tenham seus direitos respeitados e encontrem acolhimento e proteção”, afirmou.
A secretária municipal de Políticas para a Mulher e para a Pessoa Idosa, Suzana Duarte, ressaltou a necessidade de olhar para os números da violência sem perder de vista as histórias por trás das estatísticas. “É por isso que precisamos olhar para esses dados com humanidade e transformar essa realidade por meio de políticas públicas que cheguem à vida das mulheres, que acolham, orientem, protejam e abram caminhos para que elas possam seguir em frente”, disse.
Lages é atualmente o único município catarinense que possui uma secretaria especializada em políticas públicas voltadas às mulheres. Também participaram do evento quatro mulheres acolhidas pela Casa de Apoio à Mulher Vítima de Violência Maria Rosalina Rodrigues e integrantes do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
Experiências que inspiram
As experiências e trajetórias profissionais de Marilisa Boehm e Daniela Bock Bandeira enriqueceram os debates do seminário e contribuíram para a reflexão sobre os desafios do enfrentamento à violência contra a mulher. Fundadora da Delegacia de Proteção à Mulher de Joinville, Marilisa atuou por mais de duas décadas na área e participou da criação de iniciativas voltadas ao acolhimento de vítimas de violência. Daniela, por sua vez, coordenadora do Centro de Apoio da Infância, Juventude e Educação do Ministério Público de Santa Catarina, desenvolve projetos voltados à proteção e à escuta qualificada de vítimas de violência doméstica.
Tecendo um Futuro de Esperanças
Outro momento marcante da programação foi a ação “Tecendo um Futuro de Esperanças”. Cada participante recebeu um pedaço de tecido para registrar mensagens de apoio, acolhimento e esperança destinadas às mulheres que enfrentam situações de violência. Ao final, os tecidos serão unidos em uma composição coletiva que simboliza o compromisso da sociedade com a construção de um futuro mais seguro e igualitário.